quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Propaganda de cerveja sem modelo seminua



Mantenho uma boa quantidade de cerveja naquele isopor ali — com bastante gelo —, no freezer, na geladeira. A despensa está lá com alguns engradados para uma rápida reposição. Tenho também três contatos que me garantem entrega imediata, na temperatura ideal, caso me falte o produto. Me perguntam por que de tanta cerveja. As visitas, respondo. Ainda que não receba muitas visitas e nem com tanta freqüência assim. Mas eu penso longe. Se eu receber Deus, um dia. Ou Vosso Filho. Se eu receber, pior ainda, o Inesperado. O Capeta, as Parcas, Mefistófeles... E, veja bem, com todo o respeito, se eu receber nem que seja um encosto, um espírito mais zombeteiro do que o meu. Um caboclo de encruzilhada, que prefira goles amistosos de cerveja a periculosas talagadas de uca. É, eu penso longe. Por isso da cerveja. Sim, esse é o único motivo para a cerveja gelada.
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Plágio?


Num mundo em que descreditam até a autoria de um poema de um desconhecido Henrique Pimenta, acusando o ignorado de plagiador, fica deveras complicado manter um bloguinho que se pretende literário. Afirmo, pois, que estou pensando seriamente em tirar do ar o BAR DO BARDO. Aqueles que me acompanharam até aqui, por favor, recebam o meu mais apreço. Obrigado...


Para não perder tempo, abaixo temos, quem sabe, mais um plágio do Pimenta:



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Interrogatório

O corte se preciso, bem no pulso?
A corte por flagelo ou sentimento?
A dor, sem ter motivo, por impulso?
Romance romanesco? Só lamento?

Iludo-me com o ludo ou me debruço?
Eli, eu sou do lodo o casamento
Com a lida do consolo? Ser expulso
Do céu, mesmo do solo? O cabimento

Não cabe para mim? Uma cartinha
Que fosse com perfume de quem ama?
Mentiras em poemas, por que notem

Do póstumo já próximo o que tinha
No lote? Fantasia de uma trama
Sentida como Werther e Charlotte?

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domingo, 28 de dezembro de 2008

Acabei de compor um soneto, galera!



Soneto de fidelidade


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


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sábado, 27 de dezembro de 2008

Poeminhas de apelo popular III


ser vil

ou cerviz

?

questão de incerteza

que está por um triz

!
(Imagem - Giddings_Judith20-20Lotus20Blossom)
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Poeminhas de apelo popular I






bicho-da-seda


sempre cedi

agora é tarde

não cedo





http://www.hiltonpond.org/images/MothLuna.jpg


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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Epopeia


Nascemos de um corpo a corpo,
Cumprimos a lei d’além:
Da semente, ramos, tronco, 
Não há troco para o quem.

Nascemos todos já prontos

Para sermos grande alguém,
Mas, pouco a pouco, há descontos
E ficamos sempre aquém.


Nascemos um para os outros,

Na média de um contra cem,

E, entre encontros, desencontros,

Morreremos sem ninguém...


***
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domingo, 14 de dezembro de 2008

T í b i a




Pálida cerveja,

gelada feito um cadáver

na seção de frios...


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Acuidade visual ### por Buñuel e Dalí



Rubrica de Buñuel

A criança zarolha
Olha pro lhasa-apso,
Ela não acredita,
Talvez seja lapso.

A criança caolha
Recolhe-se em ápice,
É falha a desdita,
Assina com lápis.

***

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Mãezinha

Mãezinha,

a senhora nunca precisou me perdoar.
O perdão era mais uma de suas práticas humílimas e, de certa forma, até invasoras. O perdão feito um artefato de usualmente, todos os dias, o dia todo, de minúscula formiguinha franciscana. Imperceptível. Imperceptível.
Só hoje percebo o quanto de desobediência havia na sua ética. Ética de fêmea. Você me acolheu em seu útero, né? Depois fabricou um mundo estrangeiro onde eu pudesse ser feliz.
Mãezinha, você morreu. O seu filho, entanto, não voltou do estrangeiro para enterrá-la.
O seu filho a trouxe para si.
Obrigado pelo leite, cara.

H.

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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Le vol de l’abîme


Vous êtes un homme,
Voilà le schème:
Pauvre fantôme
De-vous... le même...

Léthé consomme
De merde et, thèmes.
Pulpe-epitôme
Mais pas de poème.

Vous êtes le seul
Metteur en scène
Chez votre crime.

Où? Où est le ciel?!
Vous êtes obscène:
Mise en abîme!

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