sábado, 31 de janeiro de 2009

Anotações para uma canção de amor


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1. Bata-me, coração, com teu látego bifurcado! Um: arabescos de miosótis. Dois: vértices de cintilância.

2. Os olhos abertos, na multidão de nenhures, a ver de que ceguidão se imbricam tantas modinhas.


3.

4. Ao patíbulo, a fim de que, se possível, um amoroso chacal me aflija com suas graças de mariposa.

5. Inocência procede. E desembrulha - papel-de-seda-e-sangue - do Rubayat o silêncio dos amantes.

6. Por uma fagulha, ainda que seja assim, de compaixão, apresente-nos deste espetáculo de fuga e contentamento que se chama pirotecnia, senhorita Arco-Íris.

7. As frescas da primavera na tua boca, Minha Amada.

8. E não posso, de modo nenhum, depois disso, implorar por Um Absoluto.

***

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

s e n h a s



2.765

trema, björk!


21

não sou mais ilha
que mar... avilha
alguém na trilha
me compartilha


147

eu te amo, pô!
e, aí, o que fazer com isso?!


3,1415

(my name's somebody)



18

amanheci
resquícios de penumbra
medo de morrer

a morte se dissolve nas asas de uma xícara de café



2

hoje a noite promete sol...


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domingo, 25 de janeiro de 2009

Poeminhas de apelo popular V




percurso gerativo de sentido



falo

halo
alho

falho


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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Oriente lunar


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Foi quando percebi algo numa diversidade celofane-fúcsia. Era nada comum o portão sem tranca àquela hora, naquela casa, e justo agora que estou aqui. Compreendendo que o inevitável queixa-se de pouca participação nos lucros da realidade, cheguemos a um consenso. Tão certo o meu erro que corri sem álibi. Ação! Progresso, pedi aos céus para estar ali por engano. Descontrolado, resssfoleganndo fofora do método cooper. Meti a mão na maçaneta forcei. Velozzz aí-ai! Havia me esquecido daquela samambaia chorona monstruosa dependurada no sem-espaço da entrada? A samambaia, porém, é um probóscide que nunca se esquece. O pipoco foi um só, num deu nem tempo de me despedir-psi... Constelação de Ganesha...

***

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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Poeminhas de apelo popular IV


naum

naufrago no magma
virtual, inábil
em zilhões de páginas
www
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domingo, 18 de janeiro de 2009

Acareação




Dente deleite

Dentadura criatura,
tu que cortas na exata
medida, na lisura
e na lida me acatas.

Dentadura moldura,
criatura caricata,
entre tantas fulguras -
a farsa, o facto e a faca.


Resende-RJ, 12 de janeiro de 1989.


Amigos do preito

Se fincam - na suprema das torturas,
se cortam - em exata medição,
por gosto, pela dor, pela loucura,
se insere no canal a dicção

do verbo mastigar. Pela doçura
do salso paladar, o coração
confrange-se e confina-se em fissura,
se enleva à sanguinária devoção.

Os dentes, com o deleite de servir
ao pathos cordial, mais se avermelham
que o tinto da vinícola natal.

Sem leite de inocência em seu porvir,
os tais em quase tudo se assemelham,
os dentes e o cordame peitoral.


Campo Grande-MS, 18 de janeiro de 2009.


(Observação: a nova ortografia que se... )
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Fragmentos de Copérnico - 2003




3.
A Terra se move em torno de Copérnico.

12.
O que há de excepcional, excêntrico, exquisito e extravagante
é obediente às leis da física.
Mesmo que não se submeta à ortografia.

18. (Este fragmento recebeu vários cortes, mas não atingiu a polidura ideal.)
O poema precisa lá de suas regras
a fim de receber o “habite-se”
para a poesia.

Pensei numa variante mais ou menos assim:
E o poema precisa lá de regras
para receber o “foda-se”
da poesia?!

53.
Há uma causa e uma conseqüência:
pensar é uma pausa entre elas.

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Pudim de cultura




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O aspecto feminino da realidade sempre me interessou muitíssimo. Fêmeas. Depois de analisá-las em minha quietude criativa, considero uma visão enviesada a das mulheres e, geralmente, a que deveria ser seguida como correta. Embora o mundo já não consiga ser machista por completo, isso é um fato, a visão machocêntrica ainda impera, produzindo uma série de infortúnios: a lista é enorme, desastrosa mesmo. Então, aqui encontro a minha deixa para explicar a fissura que as irmãs Casady, protagonistas da banda CocoRosie, geram em meu espírito. Elas aprofundam o viés que existe nessa visão feminina, com uma bastante refinada ironia, difícil de se achar em nosso planetinha pop. Acho que eu não me atreveria de chamá-las de CULT, mas, certamente, elas são a URA encalacrada na aura angelical dos “homens machos”.

Pudim
(sobre música e letra By your side, de CocoRosie)
Pode contar comigo,
Amiga, meu amigo,
E mesmo que aconteça,
Se for sem pé nem cabeça,
Estarei ao seu lado,
De patuá colado.
É, e sempre acontece,
Perder, deprê, estresse.
Não fique desse jeito.
Sou remédio perfeito,
Sou fêmea, meu amigo,
Sempre conte comigo.
Problemas se superam,
Porque os deuses operam
Milagres para os pares,
Ases nos malabares,
Desde que aqui esteja
Maria, e que assim seja!
Me manterei bem lisa,
É goma na camisa,
É graxa no sapato,
Fidelidade em atos.
Com a boca na conduta,
Na cama serei puta.
Mais uma vez o falho...
Calma, que eu não espalho...
Massageio o seu tronco
Durante o ronco bronco.
Talvez prefira a Amélia
À Dama das Camélias.
Mas sou de prenda vária,
Se quiser culinária,
Se de bom grado aceita,
Faço duas receitas,
Seu doce preferido:
Pudim agrada-marido.

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