domingo, 30 de agosto de 2009

Solitário

Solitário

- para Henrique Pimenta

Um homem solitário, diamante
no cofre guardadinho para nada.
Não brilha seus encantos para a amada,
cintila para dentro o seu desplante.

Um homem que é sozinho, sem amante,
amarga seu amor numa danada
vontade pela fêmea que é gamada
na gema de outra jóia cintilante.

O príncipe galante foi em vão
princípio filosófico de vário
tesouro virtuoso, mas, então...

Os contos são escritos ao contrário:
virá do diamante - o seu carvão;
da fosca solidão - o seu calvário.

***
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sábado, 29 de agosto de 2009

Eu sou um verme




O termo "verme" é usado popularmente para designar animais de corpo fino e alongado, e não corresponde a nenhuma categoria taxonômica.
Amabis & Martho (em famoso livro didático de Biologia)

Alors, ô ma beauté! dites à la vermine
Qui vous mangera de baisers,
Que j'ai gardé la forme et l'essence divine
Des mes amours décomposés!
Charles Baudelaire

Espérer, c'est démentir l'avenir.
Emil Cioran



Eu sou um verme

Rastejo para Deus, hei de chegar!
O bronze por lençol e cobertor.
Os dias são das ondas de calor.
As noites são de muito trescalar.

Aos poucos, nem saindo do lugar,
Se o verme não se omite é vencedor;
Centímetro que seja tem valor,
Ao menos no revés a resvalar.

Eu sou esse anelídeo, não me atente!,
Que é firme no batente e se sustenta
Na fé de estar aqui sua potência.

Acima, pois, da média a penitente
Coisinha rastejante e nauseenta
Caminha com vigor e persistência.



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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Fotografia

Fotografia
 
Um tiro não se perde se é preciso,
atinge bem no peito ou no cachaço.
A caça que se abate é do juízo:
troféu, ou alimento pós-balaço.

O campo de uma câmera, conciso.
O vão que lhe penetra, seu pedaço.
O golpe de uma vista ao paraíso,
preciso como um tiro no regaço.

O belo circunscreve-se entre luz
e sombras, emoldura-se em debique,
e o plano desse quadro se conduz

ao termo, por que súbito se explique
o frêmito fantástico dos nus
olhares epifânicos do clique.


*** Namastê!
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Segredinhos de amor


Segredinhos de amor

Projeto
Tenho que ter fé,
cama, cerveja gelada
e pó de café.

Orgasmo
Corpos e palor,
há pânico no jardim
dos olhos em flor.

Íntimos demais
Metendo o bedelho,
ao sabonete pergunto
de quem é o pentelho.

Do mar
Nos olhos o mar,
são lágrimas de alegria
às ondas de amar...

O rito ritmo
Se liga no rito:
se gritar; eu fico quieto...
se gemer; eu grito!

Do foco
Um lance me intriga,
se o fetiche está nos olhos,
ou na cinta-liga.

Mau gosto 1
O mau gosto é duro:
camisa de propaganda,
cueca com furo.

Agá
O cara é o que há,
tem elã e aquilo lá,
mas na hora agá...

Novos aresMau hálito, pô!
Eu quero beijo na boca,
mas sem o cocô!

Iceberg
Um gelo no caso:
Julieta no chuveiro
e Romeu no vaso.

Maratona
Precisa de assunto,
depois do que nós gememos
ao chegarmos juntos?

Campeonato 1
Final preconiza:
duas tradições em campo
suando a camisa.

Campeonato 2
Os times do amor:
os corpos são do prazer;
as almas, da dor.

Um, dois...
Pois vejam vocês:
é viver a dois, num mês,
solidão a três...

Ilusionismo
Amor é ilusão,
mas continua me tendo,
mantendo o tesão.

Línguas
Português à míngua...
Se for preciso, na cama,
arranho outra língua.

"Suicídio"
Ai!, arrependi-me!
eu morri sozinho, sem
cúmplice no crime...

Do fogo
Meu fogo não falha:
depois do sinistro, vai
tirar uma palha...

Evoé!
Toda porra é pouca:
metendo lá na garganta
um beijo na boca.

Mau gosto 2
O mau gosto elege
a camisolinha velha
com a calcinha bege


*** O maluco do sr. Moacy Cirne me jogou no balaio de novo... Clique .
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Mãezinha Ceres

Venus between Ceres and Bacchus (1590s), by Hendrick Goltzius, in Lib Art




Mãezinha Ceres

"E os ossos serão nossas sementes sob o chão
"E dos ossos as novas sementes que virão"
- da música
O caroço da cabeça, de Marcelo Fromer, Nando Reis e Herbert Vianna

Adoro o que me resta para o solo,
consolo de uma vida bem vivida,
em ouro e seus quilates para o colo
de Ceres, a senhora que convida

ao sêmen de meus ossos para o polo
na terra, à superfície introvertida,
bem dentro, para o centro onde decolo
em voo de quintessência não contida....

De polo para polo, são extremos,
estranho o meu percurso que é do ninho
terreno, pelas dúvidas que temos,

países de condão e de escarninho,
ao fim desse infinito - e, enfim, retemos
a luz das cicatrizes do caminho.


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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Ao meu corpo


Aline - do Adão Iturrusgarai (que eu adoro: ela e ele!)

Ao meu corpo

O corpo me limita, mas é tudo
que posso por enquanto. Sou mesquinha,
eu sei, na pequenez em que desnudo,
que excito o meu exército na linha

de fogo, no combate feito ludo,
com pele depilada, tão fresquinha,
com musse pelo musgo, no miúdo,
no gozo da beleza que definha.

O dúbio delimita a decisão,
decide-se, em efêmero cotejo,
de espírito e matéria por cisão.

Cindidos, que se danem ao despejo!
Por mim me basta a carne sem razão,
o corpo que eterniza o meu desejo.





*** Quem ainda não conhece o Marcos Satoru Kawanami está perdendo - e muito! O cara é um excelente poeta e postou, para nossa felicidade, novo texto hoje. Convido todos aqueles que gostam de boa poesia a clicarem aqui.
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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Kundalini

P a t a n j a l i




















As obras do Senhor são para a posse
de todos, não há dono, não há nada
de meu. Desde o bacilo para a tosse,
é nosso o que há de vida, camarada!

Orgânico, inorgânico, doou-se
aos homens como um kit para cada,
diversos do Universo, o sal e o doce,
ninguém aqui ficou sem a parada.

O bem, como o nocivo, o cemitério,
o orgasmo com sismógrafo que explode
e a calma quietude em monastério.

Se o cabra na comuna não dá bode;
com o guizo ou com seus dentes, um mistério,
a cobra nos floresce como pode.
 

***
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domingo, 23 de agosto de 2009

Três poemas percussivos...

The Suicide of Frida Kahlo, 2004; by Trek Thunder Kelly




Ai

Guizo de serpente,
venenoso muito mais
que seu par de dentes.



Ai, ai
Se há barulho porque piso,
me ajuízo de repente.
Não se vê, mas pelo guizo
pode ser uma serpente.



Ai, ai, ai
O guizo da serpente, um idioma
corrente nas colunas sociais,
presente nas manchetes, ele soma
o menos com a mentira ao muito mais.

A foto mal batida como toma-
tes podres sobre a fama do rapaz,
da moça, não celebra, desengoma,
difama, calunia por detrás.

É sino que badala sem aviso,
assanha, manipula com o badalo
façanhas e a peçonha ao paraíso.

O brilho com seu halo pelo ralo...
Sem Deus, o humano ofídio com seu guizo
compõe uma tragédia a Frida Kahlo.
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Novena de haikus

Matsuo Basho















Novena de haikus

- ao samurai guaicuru Felipe

1.
Deixa a porta aberta,
porque dentro o movimento
com o vento desperta.

2.
Bem fresquinha a dor
na geladeira. E as delícias?
No congelador!

3.
Nem carneiro é fã
de inverno, mesmo com a blusa
que abusa da lã.

4.
Meus ossos nem chiam.
Porque estão com tanto frio,
de si se esvaziam.

5.
Conceito de frio:
o Universo Paralelo
preenche o Vazio.

6.
Quem vinga não sente,
mas a morte é sobremesa
que se come quente.

7.
Se a terra nos cobre;
desdobra-se para os céus
o sino em seu dobre.

8.
Revés tropical,
todo o gelo nepalês
numa pá de cal.

9.
Costelas, o leito:
vermelha a pedra de gelo
hiberna no peito.


Felipe da Costa Marques é meu amigo e, apesar desse demérito, escreve bem. Seu gosto pela concisão o faz discípulo do Mestre Basho e rende bons haikais, haikus, dísticos, epigramas de medidas diversas. Em seu despudor estético o jovem ainda vagueia por sonetos pós-modernos, vez em quando. É, o cara é meio doidinho das ideias e talvez por isso tenha a coragem de poucos ao se aventurar por ambientes selvático-cibernéticos como se fosse ali na Merceria tomar uma cervejinha e assistir a mais uma vitória do Vasco da Gama. Isso bastaria... Mas o Felipe vai mais longe, começa uma carreira interessante de "tradutor" e está nos brindando por ora com uma transcriação para o português de um soneto de Fernando Pessoa. Como é que é, Pimenta?! Bem, o Felipe da Costa Marques costuma atender a sua clientela em dois endereços que eu recomendaria, recomendaria apenas para quem tenha estômago forte e não tema, se necessário, um prazeroso harakiri estilístico-SDM.

Endereço 1,
para leitores de boa poesia: Sapoie
Endereço 2 ,
para vascaínos e afins, comemorando 111 anos de alegrias: Clangoroso




*** Hoje estou lá n'
O TEOREMA DA FEIRA, devido à compaixão do sr. Lívio Oliveira.

 
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Noite de insônia com a Simone














Ligue 141


Noite de insônia com a Simone

Desperto para a noite. Sou insone.
Que chuva! Quantas horas? Que é de mim?
Relâmpagos! Trovões! Tem cada fim
o sonho... CVV ao telefone...

Atende-me uma voz, se diz Simone,
insiste em não se mate, porque sim,
que A VIDA, sim, compensa e que eu enfim
(um crime de inocência, marca SONY?)...

que vale muito a pena pelo inho
no ventre de Maria, a diarista
(que esteve em minha cama com bebida)...

que eu veja com meus olhos, com carinho,
que quase está na Bíblia, que eu insista
no filho com Maria Aparecida...



*** A noite acima dialoga com a manhã do texto abaixo, mas não perca o seu tempo com isso... Vá dormir! Ou, pelo menos, tente!
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Manhã de sonho























Se puder, assista depois ao filme acima.
Dica do Pimenta é dica do Pimenta...



Manhã de sonho

Acordo. Não desperto para a vida.
Banheiro, pelo básico pudor,
o corpo me elimina ao seu dispor,
aguinha, sabonete germicida.

Cozinha, desjejum, um para a dor,
a pia é pelo menos bem servida
de louças e imundície para a Cida.
(Não veio, nem me disse "por favor".)

No ponto, o movimento pela fresta,
um canto que me caiba com cuidado,
não caia novamente para a festa

zumbi do lotação. Tudo coitado,
são sócios do meu sonho, gente honesta...
(Que porra de discurso mais datado!)



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terça-feira, 18 de agosto de 2009

Roteiro (da menina safa)


Roteiro (da menina safa)

- para Cat Power e "Myra Lee" (1994), seu segundo trabalho

Eu faço de propósito barulho
com o texto que projeta a liberdade,
é grito, percussão - não é arrulho -,
guitarra que amplifica a crueldade.

Sou safa pra caralho com o bagulho,
bagunço como um núncio da vontade,
com pulso, com surpresa, num mergulho
direto para cima da verdade.

Escrevo pela voz, eu articulo,
componho feito música o meu texto,
produzo um espetáculo-pretexto

ao caos que me equilibra. Dado o pulo,
das ruas e dos bares heroína,
felina em sua sétima ruína...



*** MySpace da menina aqui.
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A penas

... me in a... in a... in a trance...


A penas

Eu peno pela dor de ser quem sou.
Eu sou um pecador e quanto mais
eu peco, mais eu peno, mais um gol
que faço no meu time, contra, mas...

Eu peço a Vós, Senhor: eu caibo? Ou...
me acabo bem pior do que imortais
em chá que é literário, e sem álcool,
na graça da chatice contumazzz?...

Poeta! Pecador! Eu sou boquinha
que inflama neobarroco puritano,
que pena seu anjinho marcha-lenta!

Se eu bebo do capeta uma branquinha,
se dentro eu tenho o dom de ser humano,
pecado é o que vai fora sem pimenta!




Elvis is dead.
Tradução possível: Drummond está morto. Para mais detalhes, clique aqui.
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domingo, 16 de agosto de 2009

Íntimo (ou intimo)






Esse poema pertence a uma série iniciada com Umbigo. A série já possui dois poemas. Ah, a outra titulação desse texto aí em cima poderia ser "Um zero abaixo e à esquerda".
Dica para uma adequada interpretação: keyword.
Take care: it requires high knowledge of English.
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sábado, 15 de agosto de 2009

Vamos caminhar?!

Image in Sew Dolling

Para as pessoas que me amam como eu sou.


Peregrinação

Caminho porque sim, sem ramerrame.
Eu disto da corrente e do montante.
Eu, ente coerente com o tentame
Que livra pela força de ir adiante.

De sola para o sol, pelo ditame,
Eu rumo para frente e doravante
Em voo, em evoé, em show, vexame,
Silente como um monge ou crocitante.

Eu, ego, superego, mais um id,
Disponho desse fruto desfrutável,
De casca para carne até pevide.

Em suma, sou essência transitável:
Se Deus é o Infinito, não duvide,
Que estou a uma distância confortável.




A queda

Eu penso, como passo por aperto...
Eu penso com meu passo, com mais um...
Eu penso e, de repente, em vão aberto
À frente de meus passos: Incomum...

Não penso. No compasso descoberto
Dispenso-me de passos, há nenhum
Caminho pelo solo, sou desperto
Por Deus para seu colo de quantum.

É hora de dormir, ô menininho!
Eu canto o meu silêncio mavioso;
Você se aninha ao seio de seu Pai.

Por ora vou cair no meu soninho,
Enquanto não há mente, só há gozo
E eterna mansidão para quem cai.


A dedicatória é para você mesmo que está aí me lendo, cara!!!
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

De profundis

De profundis

Finjo-me de morto, me acostumo.
Rijo todo o corpo. Sangue frio.
Fujo de minh'alma, sou vazio,
Livre de conceito e de consumo.

Levem-me daqui para o póstumo.
Velem-me com o breu que me cobriu.
Rezem uma "Puta que o pariu".
Cerrem-me na terra, que eu me arrumo.

Foda-se, Narciso bonitão!
Feito num abismo ou seu afim,
Rumo para o cu da solidão.

Sei que é da natura o que há de mim:
Vingam na matéria do cristão
Gases e raízes de capim.



*** Faz tempo que não leio uma crônica poética tão bem escrita, estou falando de "Sapatos vermelhos" , de Rúbida Rosa, em http://erilainepoeta.blogspot.com/
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O mundo maravilhoso do dr.




Ferrari California - imagem no sítio Blogauto



O mundo maravilhoso do dr.


Um homem é feliz se tem família;
Um cão; se tem emprego de bufufa;
Imóvel já quitado com mobília.

Programa-se tranquilo, jamais bufa.
Nas férias, fez reserva antecipada.
No frio, não se esquece da pantufa.

Na fé, mesmo que esteja constipada,
Potranca reconhece garanhão,
Relinchos para a sorte da cruzada.

Se há perda na consulta, fala "não".
Contendas se resolvem com a cabeça.
Fominha, só diz "sim" ao ganha-pão.

Um homem que se exprime em "Obedeça
Às ordens!", mas garante na armadilha
Mais grana e o seu por cento com a Vanessa.

Um homem de carango bom à beça,
O sonho de consumo de uma pilha
De jovens idiotas, mas confessa:

Um dia sem os filhos, maravilha!
Um dia sem a fêmea, maravilha!
E férias sem família, MA! RA! VI! LHA!...


*** Estou na Redoma, de Betina Moraes, uma excelente poeta que provê mais dois blogues dedicados à poesia : Versos & Ideias e Sensytiva .

***
Estou no Balaio Porreta, do Mestre Moa.
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domingo, 9 de agosto de 2009

"Inferno lírico"

Image in tarheelmania





-ao Tomaz e seus causos

Sim, sou gralha; sim, sou corvo;
Sim, sou parvo, sou escravo
Já liberto e meu estorvo
Dissemino como um bravo!

Dou trabalho quando sorvo
Dos brinquedos, que destravo
Dos limites, brado o torvo
E me atrevo ao grave agravo!

Sou da trama e da tramoia!
Falo merda sem roteiro!
Faço bosta pela noia!

Por desculpa, “má conduta”:
Sou expulso do puteiro
Só por ser filho da puta!


Tomaz Leal Leite, apesar de ser meu amigo, é um dos poetas mais promissores que conheço, um cara que ainda vai incomodar muito o establishment com suas incursões no caos. Além do mais, é um excelente contador de histórias. Quem pretender escrever a autobiografia deste lírico infernal, que se prepare, porque o número de páginas da bíblia é fichinha perto das dezenas de tomos que se assomam de suas vivências suavemente satânicas...
O blogue do Tomaz, exatamente o
Inferno Lírico, vale a pena, ainda que seja uma pena ardente, plúmbea e perpétua... Quem quiser pagar o preço, clique aqui!





Aos meus amigos leitores:

1 *** Gente, quem for curioso e quiser desvendar o segredo (sim, há um segredo!) do soneto "Folhas ao vento" , deste bardinho, deve entrar no blogue de Patrícia Carvalho, denominado "Folha ao vento... ", e conferir todas as cifras... Prometo que você se supreenderá. Então, não perca tempo, clique logo no aqui-e-agora!


2 *** A Maria Clara Pimenta - pelo sobrenome já se imagina do que essa mulher é capaz, né? - andou me criticando no blogue http://mariaclara-simplesmentepoesia.blogspot.com/ , justo um blogue que abriga apenas poetas do caralho: Adriana Ginsberg, Nina Ri-Se, Mirse, Adriana Karnal, Hercília Fernandes, Lou Vilela, Maria Paula Alvim e Úrsula Avner. O babado é forte, nega! E o blogue é picante e imperdível e cheio de perdição... Clique !

3 *** Em tempo: A poeta Lou Vilela, do blogue Nudez Poética e colaboradora do acima citado, "dialogou" com o meu umbigo, confira ! ! !



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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Folhas ao vento

Image in TUNA MARTINI

“This world doesn’t hold much for me
besides the boredom and the composting of dead leaves
and the bugs and weeds between
as children, we would jump into big piles
as adults we sweep them up
and sometimes burn them
when the smoke signals rise
and only time
or water puts out the smolder (…)”

“(…) the leaves have fallen off the trees
and I never even noticed (…)”

- from poems of Marcus Byron Cheney

Folhas ao vento

Se fôssemos do vento na bailia,
se folhas no compasso casual,
descendo o ziguezague pela via
dos zéfiros ao solo maternal...

Com bossa de novíssima alegria,
ao gosto do bulício do casal,
voltamos para o céu que se anuncia
em chuva, todo cinza. Temporal.

Na noite cenográfica dançamos.
Conforme improvisamos, mais ousamos.
Hosana nas alturas! E eu caí.

Não sei da sua rota, se mudada;
da minha, amanhecendo, sou cotada
à próxima no espeto do gari.



*** Gente, quem for curioso e quiser desvendar o segredo (sim, há um segredo!) do soneto acima, deve entrar no blogue de Patrícia Carvalho, denominado "Folha ao vento... ", e conferir todas as cifras... Prometo que você se supreenderá. Então, não perca tempo, clique logo no aqui-e-agora!




*** A Maria Clara Pimenta - pelo sobrenome já se imagina do que essa mulher é capaz, né? - andou me criticando no blogue http://mariaclara-simplesmentepoesia.blogspot.com/ , justo um blogue que abriga apenas poetas do caralho: Adriana Ginsberg, Nina Ri-Se, Mirse, Adriana Karnal, Hercília Fernandes, Lou Vilela, Maria Paula Alvim e Úrsula Avner. O babado é forte, nega! E o blogue é picante e imperdível e cheio de perdição... Clique !



*** J'suis au Balaio Porreta. Moacy Cirne, merci!
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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Poeminhas de apelo popular VII




Louça

Alvoroço!

Aos soluços, nos ouça,
que nem há solução.
Ao sismo que balouça,
ossos, cacos de louça,
o seu composto vão:
solo & chão.





aquarela

solo
de esteta
sob o lençol
uma chupeta

raios de sol
são tetas
pétalas
asas de brabuleta




auto-ajuda manual

ei!
que a essência zele
parede à flor da pele
bem melhor que a gisele

calendário pirelli

pirei!...


estrambote cínico:
por que as modelos da pirelli não têm pneuzinhos?

estrambote cínico 2:
e a aquaplanagem, pode ser?!




Antropomorfismo

Usa na camisa um "FUCK YOU!",
fantasia de Pinóquio.

Tenha um pouco de amor próprio,
osso, carne, sangue e ópio.

Retirado o ser em ócio,
pronto!, põe no peito um dócil.




Dos males

Há males que vêm, parabéns!





Das malas

Há malas que vêm,
Há malas que vão.
Os lamas do zen
Delas se esquivam.

Amá-las?
Não!
Amá-las?
Nem...





pop-up-and-down

não sou curto
não sou cult
nem tenho orkut...

me oculto?




avatar

meu perfil é fake
fazer é to make
punk com pancake
dentição de snake




Conto

O meu ponto
não dá conta
nem conto,
mas... faz-de-conta
e, pronto,
ponto.




sus!

subo
ao púbis
e súbito
sub






somos poros & pó
in
sumos
húmus

oh!...







uma naja
macha do cão
em marcha aja
e haja chão






e tantos passam por nós
sem se enlaçarem...






Senti-la
ali, no ponto,
cintila...





de amargar

só não comi a sobremesa
porque ela fez cu doce





meio-dia

o verme
deixou uma plaquinha pendurada na lápide
"fui almoçar"




***Em tempo: o blogue literapura publicou esses "poemas" que vocês acabaram de ler. Se puderem dar uma passadinha lá - para lerem poetas bons, not me! -, é outro espaço digno de seus olhos. Clique aqui, ou , ou acolá, ou alhures...
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Umbigo






Esse poema pretende dar continuidade ao diálogo iniciado com a postagem "Quando a psicologia vai para o lado negro da Força!", um alarma que Carlota tocou no blogue http://veludoescarlate.blogspot.com/ .

Seria legal se você, cara, desse uma passadinha por lá para dar um toque. Ou dois: "toc-toc" (transtorno obsessivo-compulsivo aliado a transtorno bipolar).




*** Em tempo: A poeta Lou Vilela, do blogue Nudez Poética, "dialogou" com o meu umbigo, confira !!!
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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Casa da Poesia

Shiva meditando... - imagem in AJA

A guizo de intróito, apresento um excerto da produção de ZANTONC, denominada Invocabulus, e convido todos a visitarem o seu excelente blogue (considerado de extremos!), o POEMARGENS - http://poemargens.blogspot.com/

ZANTONC é José Antônio Cavalcanti, do Rio, poeta, contista e professor. Mestre em Cîência da Literatura sobre a poesia de Cacaso e doutorando com pesquisa sobre a narrativa de Hilda Hilst.

Invocabulus (excerto)

Palavra. Substantivo hipotético. Não é vocábulo, nome, termo, conceito ou qualquer definição conhecida. Autotélica e tautológica forma do nada, do qual emerge como fratura e suicídio. Ver: Wittgenstein, Beneviste, Guimarães Rosa, a Bibla (não encha o meu saco, ortografo como quiser).

Poesia. Substantivo indeterminado. Algo que impulsiona a pro-dução, poiésis. Paradoxo: o incriado criador que produz aquilo em que não pode ser encontrado, pois nele não reside. Passagem em múltiplas formas e suportes, ainda hoje há quem acredite em sua sobrevivência como energia criadora ou fantasma. Ver: sei lá, liga a televisão.

Poema. Substantivo em extinção. Arquitetura insuflada pela anima da poiésis. Espécie de inutensílio costurado por espaços inúteis e signos absurdos para gáudio de esnobes e narcisos. Espelho de poetas que dispensa a imago de leitores. Ainda que extintos, sobrevivem ferozes e falaciosos no mínimo círculo de seus iniciados. Ver: Concretismo, Ponge, e. e. cummings, Apollinaire, Arnaldo Antunes. (serve também qualquer poeta de botequim).



Casa da Poesia

"Yoga Citta Vritti Nirodha" - sutra de Patanjali

"E há poetas que são artistas
E trabalham nos seus versos
Como um carpinteiro nas tábuas!...

"Que triste não saber florir!
Ter que pôr verso sobre verso, como quem constrói um muro
E ver se está bem, e tirar se não está!...
Quando a única casa artística é a Terra toda
Que varia e está sempre bem e é sempre a mesma." -
Alberto Caeiro

Pensava-me poeta de primeira
Grandeza, poetaço, que domina
As regras de retórica, rumina
Seus temas à exaustão de cumeeira.

Ousava a frialdade bem sem eira
Nem beira, produzindo adrenalina
Sintética ao suor da disciplina
Do gênio que são feras à coleira.

Ó pá!, mas os meus versos, nenhum boom,
Ao pó!, feito uma estrela à decadência
Se dando para o pântano-bodum.

Lamento, que fui grão, sem ser essência.
Que triste não viver como um comum.
Que triste não saber da florescência.
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sábado, 1 de agosto de 2009

À meta física

Laozi par Chen Hong Shou (1598 - 1652) - in http://onelittleangel.com/



Na busca do conhecimento, todos os dias algo é adquirido.
Na busca do Tao, todos os dias algo é deixado para trás.

E cada vez menos é feito
até se atingir a perfeita não-ação.
Quando nada é feito, nada fica por fazer.

Domina-se o mundo deixando as coisas seguirem o seu curso.
E não interferindo.


Tao Te Ching (Cap. 48) - O Livro do Caminho e da Virtude.
Lao Tse / Lao Tzu / Laozi






À meta física


"Há metafísica bastante em não pensar em nada." - Alberto Caeiro


Boizinhos e gramíneas sob o sol,
Ao solo de meus olhos de pagão.
Ao longe a chã pachorra de meu cão
E perto nada além dum caracol.

Não sou da dinastia d'Avinhão,
Desdobro-me e recorro ao urinol
De cá, por onde escoo o que há de escol,
Escola natural do maganão.

Não creio, nem por isso sou descrente,
Cruz-credo! Meu vazio no presente
É pleno de niilismo e de pulsar.

Em nada, há metafísica bastante:
O físico, meu cúmplice, diante
Da grande lucidez do não pensar.
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