sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Le déserteur

A pedido de meu camarada BousToPhedron (ou Boustrophedon ou... ).





Le Déserteur (The Deserter)

par Boris Vian (tradution - Harold Berg)

- in Swans


Monsieur le Président,
je vous fais une lettre,
que vous lirez peut-être,
si vous avez le temps.

Je viens de recevoir
mes papiers militaires
pour partir à la guerre
avant mercredi soir.

Monsieur le Président
je ne veux pas le faire,
je ne suis pas sur terre
pour tuer de pauvres gens.

C'est pas pour vous fâcher,
il faut que je vous dise,
ma décision est prise,
je m'en vais déserter.

Depuis que je suis né,
j'ai vu mourir mon père,
j'ai vu partir mes frères,
et pleurer mes enfants.

Ma mère a tant souffert,
qu'elle est dedans sa tombe,
et se moque des bombes,
et se moque des vers.

Quand j'étais prisonnier
on m'a volé ma femme,
on m'a volé mon âme,
et tout mon cher passé.

Demain de bon matin,
je fermerai ma porte
au nez des années mortes
j'irai sur les chemins.

Je mendierai ma vie,
sur les routes de France,
de Bretagne en Provence,
et je crierai aux gens:

refusez d'obéir,
refusez de la faire,
n'allez pas à la guerre,
refusez de partir.

S'il faut donner son sang,
allez donner le vôtre,
vous êtes bon apôtre,
monsieur le Président.

Si vous me poursuivez
prévenez vos gendarmes
que je n'aurai pas d'armes
et qu'ils pourront tirer. 




Mr. President
I'm writing you a letter
that perhaps you will read
If you have the time.

I've just received
my call-up papers
to leave for the front
Before Wednesday night.

Mr. President
I do not want to go
I am not on this earth
to kill wretched people.

It's not to make you mad
I must tell you
my decision is made
I am going to desert.

Since I was born
I have seen my father die
I have seen my brothers leave
and my children cry.

My mother has suffered so,
that she is in her grave
and she laughs at the bombs
and she laughs at the worms.

When I was a prisoner
they stole my wife
they stole my soul
and all my dear past.

Early tomorrow morning
I will shut my door
on these dead years
I will take to the road.

I will beg my way along
on the roads of France
from Brittany to Provence
and I will cry out to the people:

Refuse to obey
refuse to do it
don't go to war
refuse to go.

If blood must be given
go give your own
you are a good apostle
Mr. President.

If you go after me
warn your police
that I'll be unarmed
and that they can shoot.



Escrita sobre a derrota da França na "Batalha de Dien Bien Phu", a última da Guerra da Indochina. O Vietnam teve 7.900 vítimas mortais e 15.000 feridos, enquanto que a Legião Estrangeira registrou 2.293 mortos, 5.193 feridos e 11.800 prisioneiros.

"Le déserteur n'était pas antimilitariste, mais bien 'pro-civil'."
in http://www.borisvian.fr/documents/ledeserteur.html


Numa tentativa de dialogar com a bela chanson de Vian, invoquei dois sonetos: "Às crianças" e "Aos homens".

Às crianças

Às crianças colhemos a presença
de espírito, o sorriso desbragado.
Sonâmbulas sonhando com seu gado
de cores e brinquedos, que se adensa
no campo ruminante, que não pensa,
rumina. Das crianças, um bocado
de quedas, inocentes ao pecado,
joelhos de suturas inofensas.
Fendidas, por ingênuas, para a humana
decadência, seus gênios madurecem
à flor do desencanto. Por que crescem?!
Crescendo o desespero que se irmana
     ao medo do diverso que há na gente,
     conversas ao Universo divergente.


Aos homens

Aos homens recolhemo-nos, crianças
ainda. As baionetas na calada
da noite vampirizam a abalada
divisa. Consentimos semelhanças
de elite e nos sentimos da manada.
Às armas! - nos disseram - Vai! Avança!
Nos olhos do inimigo! Não descansa!
E... dedo no gatilho para nada.
A pólvora festeja a decibéis
o sangue destes mártires ao chão,
os mártires sem rosto, frente, costas.
Ao pó retornaremos? E os papéis
     do mérito, mamãe? Um aleijão
     de trevas, de perguntas sem respostas?


*** Namastê!
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Do sonho

Dream - in Deviantart

Do sonho

Dormindo nos seus olhos, sob efeito,
Acabo repentino numa queda,
Vou certo do mistério que me seda
Direto para os braços do seu leito.

Eu caio direitinho, pois, perfeito.
Eu caibo perfeitinho no que enreda.
As tramas cordiais são uma seda
De laços e de nós que há no seu peito.

Em rede me deserdo do deserto.
Há limo, leite, lótus no seu colo,
Há lírio, lodo, ludo onde me evolo...

Que venha ao meu encontro o não desperto.
Que o sonho seja à lente inconsciente
Efêmero e, portanto, permanente.

***
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Teledrama

Teledrama

Silêncio de redoma... Teledramo
Tremores azeitados com oliva.
Na cena principal nos encontramos,
Os cálices de vinho com saliva.

Eu leio nos seu lábios "Eu te amo",
Conheço a sua língua primitiva.
O sal da sua boca liquidamos,
Busquemos uma fonte alternativa.

A pouco para o término da trama,
Há muito para a trama, até termine.
Não basta apenas bem. Nem menos mal.

As nossas personagens, para a cama.
Ao fim do que há na fonte se define:
Desfecho do capítulo final.


***
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sublimação

Caipira Picando Fumo - Almeida Júnior



Sublimação

- ao sublime Marcos Satoru Kawanami 

Alguém do chão me grita: O que sucede?!
E eu desço numa queda meteórica
Da torre marfinesca, minha sede
Soberba de bobeira proto-histórica.

Se o travo da didática não cede
À sede pela fonte metafórica;
Amigo, o que perguntas, sim, procede.
Ao cu com os elementos de retórica!

Poética e estilística, ao caralho!
Nem mesmo dialética ou estudo!
Clareza e precisão p'ra mim são tudo!

Excuso-me! Por vezes embaralho
Os alhos com os bugalhos pela rima,
Descuido que a mensagem é a obra-prima...


*** Marcos Satoru Kawanami  é apenas o autor do romance "Ninguém escreve" e um dos melhores sonetistas que já li na minha vida. Vocês podem  fazer com que ele tenha um acesso em Memórias da lira velha.
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domingo, 25 de outubro de 2009

Ensaio fotográfico


Ensaio fotográfico

Poeta, fotografo a afinação
Dos pássaros de luz no céu que é sem.
Cantando vão candentes ao tição
De quem nos prometeu o que há de bem.

Poeta, fotografo a fiação
De prata que nos liga àquele Alguém.
A trama de Gautama dá lição:
Ao túmulo da fama, zé-ninguém.

Poeta e poetisa, ao vão vivido,
Despidos, fotografam seus defeitos,
Perfeitos para vós que os deformais.

Expostos ao tumulto da libido,
Às artes de encontrar-se e, satisfeitos
Com o gozo, desejar-se muito mais.



*** Aqui é feita uma alusão ao livro "Ensaios Fotográficos", de Manoel de Barros.
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sábado, 24 de outubro de 2009

Polaco, Anita e eu


 Tá, Ni, &







Polaco, Anita e eu

Podemos as delícias da amizade,
O desapego com amor, o riso,
Ladridos de quem brinca sem juízo,
Abanos de rabinho com vontade,

Conchego de conchinha sobre o piso,
Olhares que são cúmplices do chá de
Afagos, por afeto, na verdade
Nativa deste ingênuo paraíso.

Impõem-se seus impérios de alegria,
Tascarem-me lambidas e mordidas,
Ataques de brinquedo, nenhum risco.

Eu amo os meus filhinhos, sou-lhes cria,
Eu amo os peludinhos, suas vidas,
Um fio que me equilibra a São Francisco.


***
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Dinossauros




Dinossauros

Um dino desenterro para mim,
Dois dinos, o que for, por meu amor.
Atino com o ridículo que, enfim,
Meu Deus foi que atendeu ao me clamor

Há tanto proclamado, foi assim:
Desejo de pretérito a dispor
Display de coisas velhas, pelo fim,
Estantes com caqueiras, um pavor!

No parvo do pedido, o sentimento:
Rever um dia amigos temporais
E amor que foi perdido por um triz.

Talvez nos dinossauros o momento:
Reter o grande amor de nunca mais...
Três dinos, que gracinhas! Sou feliz!


*** Fred Matos publica nosso diálogo NAS HORAS E HORAS E MEIAS.
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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Um número


 Um número

Amada e seu amante são milhar:
Mulher, um; dois, seu homem; mais a vista...
Em postos que enumeram-se ao olhar,
São números infindos para a lista.

Amante e sua amada vão calhar,
Colher seus algarismos pela pista
Floral que são seus pelos a espalhar
Na pele a primavera que os conquista.

Amante e seu amante, uma centena...
Amada e sua amada, uma dezena...
Ao menos vão de par para o tum-tum?

Conjunto peitoral de percussão:
Amada e seu amante, coração;
Amante e seu amado, dois em um.


*** Mestre Moa, homem de valor incomum, me publica no "nosso" tradicionalíssimo Balaio Porreta 1986.
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Soldados

Sebastós - in Via Lumina




Soldado

Lanceia-me no peito por que eu possa
Ferido definir a minha sorte.
Melhor o ferimento para a morte
Que a vida sem sentido, só na troça.

Enleia-me ao que leio de mais forte
Nos olhos que iluminam para a fossa,
Na boca que me amarga mas adoça,
Na vida à mão da forte, sã consorte.

No peito por que eu possa, pois, ferido,
No rumo para as últimas de mim,
No fim que me define, e me engalfinho,

No fundo pelo menos conferido,
Na poça de meu sangue ser, enfim,
A gênese do pó do vão caminho.



Soldado

Na vala há tanta lama, que cacete!,
E a lava que avacalha se deleita,
E o canto blablablá-babel-confete,
E o santo ratatá-cabeça-feita...

Projéteis! Chumbo quente! Capacete,
Protege-me dos jatos e me ajeita
De forma que eu não morra ao que compete
À vida! Aos seus conflitos não me deita!

Preciso de você, para que eu arda,
Você, de suas sardas, sua farda,
Seus tiros de inimigo à minha mão!

Preciso do perigo em que desperto
No sonho catastrófico e, de perto,
Que eu possa te foder, ó meu irmão!



Soldado

Estranho e tão sensível, um civil
Demente que milita desarmado.
Senhor, meu inimigo, meu amado,
Não troca a floração pelo fuzil.

Soldado não amigo nem domado,
Um cão com seus caninos que dão frio,
As garras são de lâminas em fio,
O peito é de mistério consumado.

Senhor, o meu pedido vem da mata,
Da noite de extermínio do palor
Com fogos de artifício cor de prata.

Ordeno-me e vos peço, pois, Senhor:
A cena da batalha que nos mata,
Soldados que se beijam por Amor.



***
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sábado, 17 de outubro de 2009

Poeminhas de apelo popular X (ed. especial - para ler Emily Dickinson e Manoel de Barros)

We lose — because we win —
Gamblers — recollecting which
Toss their dice again!
ED



(Eu tenho doutorado em formigas.) - MB



1.

a.
Se está longe, em alerta!
Se, perto, o peito aperta!
Uma alma ingênua, gema
que geme e... e desperta.

b.
Algemas,
a dupla que nos comprime, gêmea,
mas só prende se estiver aberta.



2.

Querer na frente
e em revés.
Querer diferente,
de viés.
Querer o decente,
o que és.
Querido, o que sentes
sob os pés.



3.

O fogo dessedenta
O vulcão que te vibra.
O pico te sustenta
Com seu vórtice em fibra.
Pandemônio contenta,
Que te alumbra e equilibra.



4.

"Aqui  jaz"
Restaurante

Estamos atendendo

(Somente self service)



5.

Não é colibri...
Não é beija-flô...
Vai bater as asinhas, ih!
Voô.




6.

Amor tu consomes.
Amor eu consumo.
E ficamos só
Com o sumo.




7.

Sinta e se liga
no que a cinta-liga.

Se ela te apaga,
é boa a paga.




8.

Não era rouxinol nem elefante.
Um troço no caminho para além
Daqui.
Mineralóide sem definição,
Em éter.




9.

Há 
algo no ar.

Não há
ar.




10.

Não há mal nenhum em ser dois.
Ora, pois, pois!

Não há mal nenhum em ser par
de seu ímpar.

Não há mal nenhum em ser bi:
biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!

Não há mal nenhum em ser mau.

Não há mal.




11.

Apenas
dez dentes...
Que pena!
Decadentes.




12.

Muito ríspido o que disseram a Lázaro porque estava dormindo:
Levanta-te e anda!
Bom mesmo é quando minha fisioterapeuta falar, docemente:
Vá com Deus!...




13.

eu senti-senti
sem ti



14.

Pergunta que inflama
ao fogo indomado.
Às cinzas quem ama,
responde o inflamado.



*** A série possui 50 poeminhas.
*** Camarada Cássio Amaral, poeta, autor do recém lançado SONNEN, publica material nosso no seu blogue: enten katsudatsu.
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Ao Senhor Krishna


Lord Krishna  - in gods4all


"Mantra" - Nando Reis
HARE KRISHNA HARE KRISHNA
KRISHNA KRISHNA HARE HARE
HARE RAMA HARE RAMA
RAMA RAMA HARE HARE

       

Ao Senhor Krishna

Preservo-me inocente ao que me bate.
Nas regras de conduta, na defesa,
esquivo-me do fogo; do combate
não, nunca. Minha tática de presa

é muito mais que ataque em full contact,
destaque à mansidão pela leveza,
num truque de energia a megawatt,
num cala-te a matraca à luz acesa.

Tensão para que o vate que é soldado
vislumbre pelas prímulas que explodem
o flanco desprovido do que é vasto...

nefasto. De penetra, nesse estado,
encontro os inimigos... Não me podem!
Se fossem inocentes... Não! Devasto!



***
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Suspense...


Suspense...

A casa está vazia para a vida.
Não há nada que mova, nenhum cão.
A louça da madame, recolhida.
Os pratos da família, à coleção.

O som que vem de fora, com a devida
Fúria, ricocheteia no zarcão
Das grades da janela apodrecida,
Silencia-se à muda confissão.

Parede com o relógio, tique em taque...
Retrato com o refúgio, piquenique...
As sombras estão prontas para o ataque,

São contra a ausência gélida de Henrique
Que volta de uma prática de araque,
O culto por que a carne purifique.



Deparei-me no primeiro comentário com esse "diálogo", que considero perfeito! Senti eu meu outro, porque existe o poeta Fred Matos tanto nas horas e horas e meias quanto no tempo todo que o eterniza em sua baianidade e talento. Eis:

A prática - de araque? - de Henrique
Parece que de araque não tem nada
Pois nada há - meu deus - que justifique
Não crer que se trate de piada

Penso que cultua a carne crua
Que viva vai com ele ao piquenique
Onde como um bom ator atua
Até que dama nua dê chilique

Por isso é que a casa está sem vida
O cão sumiu correndo atrás do rabo
De uma cadela ou de um prato de comida

E o leitor intrigado chega ao cabo
Deixando um grande abraço na saída
Nos versos dum soneto de quiabo



Obrigado pelo carinho, Fred!

***
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Demoiselle de chambre












Demoiselle de chambre

Problema vertebral desde nascença,
A pobre coitadinha travadinha
Na cama por um tempo que dispensa
A vida de criança. A bonequinha

Dileta confidente não compensa
O crime do silêncio de sua espinha
Em forma de terror, em desavença
Completa com a celeste e santa linha.

A fêmea corcundinha não se esquece,
Em púbere tormento glandular,
Hormônios despejando o dom indócil:

Precisa de ter filhos e seu lar,
Um homem que ame seu tecido ósseo,
Entrar na igreja com o vestido em "S".




*** O Balaio Porreta publica minha "Canção de amor". Se puder prestigiar...
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Transcendência

- in Zena Kruzick
















Transcendência

Toda mulher tem um desejo quieto
que todos desconfiam conhecê-lo;
apesar de na boca aquele selo
pesaroso, vermelho não discreto,

uma rosa lhe emerge em pesadelo,
em desafio súbito concreto.
Decerto os ferimentos irrequietos
desferirão o seu incêndio pelo

gelo, para o mergulho do perfume
numa receita alquímica e pagã.
Se ele se diz à chama, meu xamã

que nunca sai do espelho, sinto o lume
do sol na arcana praia do quintal,
ouro transmuto: o príncipe ideal.


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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Como fazer um soneto sem inspiração

Soneto Soma
- de E. M. de Melo e Castro















Como fazer um soneto sem inspiração


O sono contra a cama desarruma
O prumo pela vida das ideias.
O sono me encaminha para a bruma
E brame seu silêncio de pr'estreia.

Do sono para o sonho, apenas plumas.
Das nuvens para o sol, a panaceia,
O gozo de infinito lar de escumas,
A terra prometida antes pangeia.

Discordo desse tanto na paragem
Do sumo, do cordeiro na touceira,
Da musa que se despe em carbureto.

Acordo meio tonto da viagem,
Acendo a luminária à cabeceira
E tento produzir mais um soneto.


***
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