sexta-feira, 2 de março de 2012
ultramar
ultramar
acho que foi num mar de graxa
vapor espaventando velas em asterisco de rumo
ou em perdição de caraíbas
náuseas enjoos escorbuto disenteria tifo peste bubônica
infestação de piolhos
lancem suas perucas ao mar
skinheads à la sinead o'connor
chatos no púbis depilemo-nos
e retornemos ao estágio de baby baby baby
miasmas de fantasmagoria a escarrar no convés
profetizam tragédias e bazófias
sorrisos de polaroide equivocada
que
se desvelam em medo
ai icterícia d'alma
ai minha nossa senhora do perpétuo socorro
aos poucos um a um se despia de todos os seus corpos
e zapt!
adentrava num holograma avatar
preenchendo os dados do profile com lágrimas de rocio
ainda na ardentia de intermitência verde e lápis-lazúli
os sobreviventes da anti-higiene
creem pios num advento recém
numa terra de paraíso
penetrando nas telas de gauguin
os homens copulam animalescamente em orgia naïf
as mulheres por sua vez sucumbem ao antro
sovadinhas pelo tacape fuc-fuc
chegamos
chegamos súbito
isso depois de umas três encarnações
mas aquilo ali não me parece o rio de janeiro mizifio
assim chegamos à bahia
um carnaval e tanto
acho que foi num mardi gras
*** sábado, na balada, digo, na semanaonline.
*** na semanaonline falamos de leitura e de calvino, o ítalo.
Marcadores:
Versos livres
Assinar:
Postar comentários (Atom)


10 doses:
se entendi bem, vc faz referência aos achados encontrados na cidade "maravilhosa"?
se for ou não, um delírio mais que uma náusea pode causar.
acho que desta vez vc não me entende.
Beijo
Vixe, eu acho que misturei um bocado de coisas estapafúrdias. Ou não?
Eu não me entendo, sim... Ah, entendo que não entendi?!
O texto já não me pertence mais, que foi dado a público.
Obrigado, Adriana!
Beijo!
↓
NU entendi nada, nada... nadei e boiei!
TUnintendiQuiDireiEU?!
Oh not!
:o)
Tonho,
eu também passei batidaço...
E aí?!
Parece uma descoberta às avessas...um olhar estrangeiro chegando ao conhecido: o estranho, o alheio...
Legal!
Abraço do Pedra do Sertão
Pedra Sertã,
isso pode ser, viagem...
Felicidades!
desvirtuose
seja lá o que isso for
bjs
Iara,
sinceramente adorei o "desvirtuose", embora eu também não lhe saiba o significado.
Hehehe...
Mais claro impossível: a referência às doenças dos marinheiros dos seiscentos (escorbuto, piolhos, chatos...), a intenção de retomar a dicção fadista lusitana (ai minha nossa senhora...) e a dicção do preto velho (mizifio), a menção ao elemento indígena (caraíbas, tacape), e temos então uma leitura antropofágica e tropicalista do nosso eterno descobrimento.
Parabéns, Bardo. Pena que este não vá figurar no livro dos sonetos sacanas, rsrsrs
Acho que seu itinerário leva-nos à luz, Marcelino.
Abraço!
Postar um comentário