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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Aos meus pés

burkhardt's feet

Aos meus pés

A foto é de seus pés, e já me basta,
em mármore de carne e maciez.
A fome que saliva não é casta,
desejam meus caninos sua vez.

É branca sua cor, que me devasta...
A dor, a sobrevir da palidez,
que breve ruborize iconoclasta,
que bote para fora a sensatez.

Aos gritos, aos ganidos, sua graça
de nórdica, teutônica raiz,
aos gritos, aos ganidos, a devassa

é feita por que o sangue em chafariz
promova a rebeldia que trespassa
o peito que descende dos puris.

* Puri - tribo indígena que habitava o Vale do Paraíba, possivelmente da qual provenho. 



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sábado, 11 de agosto de 2012

Partitura que cintila




Partitura que cintila

Não sei, eu desconheço um como este...
O vento, o movimento, um elemento,
amor que rompe portas, vem do leste,
nascente na janela, seu momento.

Não sei. Quem saberia do celeste?
Em ondas, Havaís, atrevimento,
o fogo que há no sal, um inconteste
sabor que se mistura ao sentimento.

Sedento, salivando, o seu vestido
vermelho, florezinhas tropicais
despertam ao levante extrovertido.

Por dentro da amplidão, vou aos locais
recônditos de luz e, possuído
de afãs, à partitura de seus ais.

*** Caetano Veloso, Jorge Amado e Piligra: três baianos arretadíssimos na Semana On-Line, agora!
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sábado, 28 de julho de 2012

Mineração



 
Mineração

Queimando pelos trópicos, ao ouro,
de novo um Eldorado, um incontido
desejo de cobiça, seu tesouro
que, livre, não tem posse, possuído.

Refrega que se esfrega pelo couro,
em busca de valores sem sentido,
consenso que enlouquece em suadouro,
descenso que se ascende indefinido.

A golpes violentos, dilatando
artérias, por que a mina vá fluindo,
dirige-se em essência ao que é nefando,

irrompe fortalezas e, bem-vindo,
servido majestoso no seu mando,
batiza com seu fogo o fogo findo.

*** Semana On-Line, #34, com a prosa deste.
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terça-feira, 12 de junho de 2012

Dos namorados




Dos namorados

Namoram-se faz tempo, sem um basta
prosseguem nos carinhos, nos olhares,
nas coisas de casal, que o cineasta
encena nos seus filmes, similares,

e grana e estatuetas e devasta
nos ganhos do cinema d’além mares...
Voltando aos namorados, não se afasta
a mão do sumo pêssego, solares,

os seios de quem ama, com fluência;
o sangue que é vermelho no seu fervo
revolta-se e, revolto, tem urgência,

desata-se de súbito do nervo
à carne das entranhas, em essência
de estrelas, e se alastra pelo acervo.

*** Para a minha namorada, a Bete.
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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Calcinha com calcinha (Dia internacional de luta contra a homofobia)

Hoje é o dia internacional de luta contra a homofobia.

Sobre arte de Tonho Oliveira, soneto de Henrique Pimenta, aí nos baixos.

 
Calcinha com calcinha

Calcinha com calcinha, mais os pés,
são fêmeas e são lésbicas, não é?
Um par de menininhas, ao invés
de ser o que lhes querem, dão olé

e escolhem o caminho de viés,
das veias em pulsão, desse banzé,
paixão que vem dos seios, através
de um louco sentimento, pela fé

na doce liberdade de escolher
jardim e quais as flores a colher.
“Eu amo quem quiser, sou poderosa!”

Azul, numa calcinha de rapaz,
se cala numa boa, só na paz,
beijando a de calcinha cor-de-rosa.


***

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Amar diferente

Foto de Elizabete Burkhardt

Amar diferente

Existe a quem amar, o que é perfeito,
você que se unifica à sã loucura,
insana de bom senso na procura
sem fim de um quê de cômodo, de um eito,

de espaços que se escondem sobre o leito,
daquilo que floresce na fissura,
da surra que sorri, da travessura,
través de travesseiros, desse jeito

sacana de brincar com coisa séria
e a gente se empanzina de miséria
e a gente se fascina ao difamar

o espelho colocado a nossa frente.
Feliz por ser você tão diferente...
Eu amo porque existe a quem amar...

***
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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Xadrez



Xadrez

Um amor, para que se exista
por alguém, uma parceria,
como um jogo que nos seria
permitido para a conquista.

Eu devolvo, porém, da lista
de pertences a dor, a via
que do solo dos seios ia
para a cela medievalista.

Escolhemos inferno, ou Céu?
Escolhemos o Todo, ou o oco?
E queremos Paz, ou sufoco?

Tu derrubas o rei, fiel,
e retornas a mim do fogo,
com o pedido de fim de jogo.


*** Estou de volta, depois de um mês e meio internado num hospital para exames.
*** É necessário que visitem o Poema Dia.
*** Ogunhê!
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Às benesses da traição




Às benesses da traição

Traído, que me deixem. Eu ignoro.
Na festa à meia-luz do sentimento,
a amante me reduz a pelo ou poro,
o amor é reduzido a apalpamento.

Palpito de meu peito a quem adoro
um coro de inconstante falimento.
Comprovo pela dor e corroboro
com choro de maricas que lamento

não ser o paradigma para o magma.
Sou antes um enigma que detesto,
fumaça sem incêndio, porra, lágrima.

Perdoo quem tem caráter e emoção,
fiel a feminista ao manifesto:
impossível amar sem traição.

*** 
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Compaixão


Compaixão


Não temo se casares com teu primo.
Não temo se quiseres a sapata.
Preferes monastério? Não te oprimo.
Há flores no que colhes por beata.

Contenho-me a teu pai. Não destruímos
os laços que nos ligam longa data,
eternos em essência nos racimos,
nas ramas, no que em árvore desata.

És filha de meu sangue, plenitude,
da seiva que te nutre, da saúde,
da fonte de mudanças de Sri Shiva.

Renasço por teus atos à amplitude
que engendra ao existires a virtude
de seres quem tu és, a compassiva.


*** Compartilho o refinamento estético de Sônia Brandão .
*** A poeta portuguesa Sylvia Beirute resenha-me a vertente haiku em seu blogue.
*** Estou também acolá: Brazil's Haiku.
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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Batalha naval

in Wicked

Batalha naval

A cama em que me encontro não me encanta,
que é canto solitário, porque a amada
viaja pelos mares numa armada
que inunda de suor aos que quebranta.

As águas ruborizam-se, e me espanta
o fogo - seu poder que desagrada -,
a força que se imprime deflagrada,
os golfos dessangrados à garganta.

Corsários, mercenários da rainha,
caveira como flâmula marinha,
o gaio papagaio, o olho coberto...

A lâmina se empunha para o alto,
o lume da vitória, que ressalto
na simples solidão com que desperto.


*** O poeta Gustavo Felicíssimo apresenta postagens relacionando música, imagem e haicai - e ainda me incluiu na parada. O blogue do GF é Sopa de Poesia
*** Convido a conhecerem meus haicais traduzidos em Brazil's Haiku. Obrigado!
*** O bardo Nicodemos me oferta seu poema. Namastê!
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Paraíso sem Algoz


Paraíso sem Algoz

- para você, Bete

Os pássaros, durante o que fazemos,
parecem mais felizes do que nós,
pipilam e pululam aos extremos,
no país Paraíso sem Algoz.

A festa dos bichinhos não é menos
que a nossa, mas nos leva no gogó,
há muitas energias nos pequenos
e explosões de artifícios, quiprocó.

Na plenitude desse quarto, os cantos
completam as lacunas, são encantos
sonoros, surpreendem a parada.

Dançamos os sucessos ao albor de
seus seios... O top list da Billboard
não faria melhor que a passarada.

***
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domingo, 5 de setembro de 2010

Moeda corrente


Moeda corrente

E quanto valerá ao econômico?
Um dólar valerá? Qual é o seu preço?
Um euro valerá? Seria cômico?
E, quanto, se levar sem adereço?

O metal pagaria por ser sônico?
Moeda tilintante é bem espesso.
O número dos lucros, astronômico.
Avaro em avaria, convalesço.

Direito a muito mais não se decupa,
dinheiro como dote por deter
o curso negativo da desculpa.

O dindim de um dinar ou de uma rúpia?
Fortunas eu daria para ter
a senha do seu cofre de volúpia.

***
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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Romantismo

Werther Reloaded - by Pathgalen


Romantismo

Meter um projetil no cocuruto,
No peito, ou em qualquer que seja a parte,
Com êxito... O projeto constituto
De sangue e de chorume a dissipar-te...

Sucesso que me cega para o culto:
Não vejo mais o todo, que me parte,
Da santa possuída de tumulto...
Do túmulo de luz, o meu aparte...

Queria ser gentil, mas sou impuro;
Queria mas não pude, por apuro
Romântico de seios e culote.

Tu és merecedora de ar puro;
Enquanto sufocado me depuro,
Recuso-me, recôndita Charlotte.

*** Fiz no final de 2008 um bom soneto sobre mesmo tema; quem quiser, chama-se Interrogatório.
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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Burk... o quê?!


Burk... o quê?!

Der Name pronuncio, um ar de dor
a arder pelos seus erres, alemã.
Repente por um súbito credor
do nome com reveses de ademã...

Não vê que estou ao rés de ser alguém:
homúnculo. Que língua mais foguete!,
em voo para a Bavária do meu bem...

Viés de vil no meio de um joguete
linguístico de Reich; mas, também,
quem é que se articula com von Goethe?

Após, pois, um soneto vou compor
aos erres, mas sem erros, de manhã,
metê-lo num silêncio de estupor
no blogue Bar do Bardo - tá, nhanhã?

***
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terça-feira, 4 de maio de 2010

Anotações para um soneto

Anotações para um soneto

Bem-vinda para mim, por oferenda...
Abrindo suas asas, a liberta...
Rumor não silencia, pois se ascenda
divina pelo pó que nos desperta.

O fim nasce da gênese, contenda
benéfica do mal - quem desconcerta?
Urgência no mais súpero da senda
rumando para a suma descoberta.

Kadiwéus, coriscos, elaiê!,
hélices e
amarílis.

Resinas
de sol:
tâmaras.








  Douglat nour

***
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domingo, 2 de maio de 2010

Mais um tema romântico


Mais um tema romântico

Escadas ascendemos - para onde? -
Por quê? É como um ímã a uma zona
Sem chão, que se desvela no que esconde.

Subimos mais escadas pela crença
Naquilo por ingênuo que apaixona,
Na graça de uma sílfide distensa...

Deitada ao desapego de bom-tom,
Sustinhas a esperança, amealhavas
Ternuras de cordeiro, mas as clavas
Do peito trituravam todo o dom.

Estavas numa cama, sem batom,
Em pálido relance semelhavas
Ao branco de selene, mas, em lavas...
Cuspias em silêncio o Armagedom...


***
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terça-feira, 27 de abril de 2010

Um tema romântico

 Call me caught - by Slowly Fade

Um tema romântico

Estava numa cama, que blasfêmia!
Brocados e firulas, grão e uva,
Altar lhe cairia como luva -
Românticas imagens d'alma gêmea.

A cama é cão de fome e pão de sêmea!
Melhor, pois, umas flores de piúva;
O luto da vovó, linda viúva,
E o vulto do vovô, que ainda treme-a.

Que as armas da beleza casticíssima
São nuas de malícia na poética
Da fêmea de raiz lacrimogênea.

Até sua doença aberrantíssima,
Serpeios no seu corpo de epilética,
É verme pelo cérebro: uma tênia...

*** A voz do Antony já me encanta há um tempinho - e no visu de "Epilepsy is dancing"... Ai!
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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Insano

 Rimbaud
Insano

Talvez seja loucura do meu gosto,
Em alguns dos que tenho, mas, confesso,
Não ligo se isso pensam. Com o meu rosto
À tapa, não há quem, e eu nem me estresso.

Requinte para mim é ter exposto
No peito um coração que tenha acesso,
Canções de cunho popular, composto
De dor e de alegria e... com excesso.

Sou filho das Ibérias, da Britânia,
De França, da Alemanha, de outra era...
Se "por delicadeza" já me disse

Rimbaud sobre o seu fim, em subcutânea
Toleima; pois, suplico, considera:
Amar uma mulher não é sandice?


*** SALVE, JORGE!
*** O São é agraciado aqui ao lado num clique e no blogue da gentefina Wal.
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sábado, 17 de abril de 2010

A dança


A dança

Eu danço porque sinto que dancei...
Na dança dos amantes, uma dama
Domada pela trama de quem ama?
Eu amo, pois, dançar, mas não pensei

No "sim", no "eu também", no "eu sou tua".
Eu fiz a minha parte, reparti
Do peito o que sentia e que é por ti.

Eu amo. Mas se sou, porque te amo,
Amado, já não sei. E se não sei
Do "sim", por que me obrigo do que sei?
Não brigo com o silêncio. Te proclamo!

Proclamo, mas teu zero não pontua
No ranking dançarino o que foi feito
E dito, "dito e feito: sem efeito".


A dança - Legião Urbana
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domingo, 11 de abril de 2010

Saci


Saci

Palavra chega próximo, não diz,
Da coisa que se cumpre e que é perfeita,
Bioma do inefável que se enfeita
Silente como um selo, flor-de-lis.

Um elo para Deus que nos estreita
Sem fim pelos caminhos da matriz.
Os céus são pela terra sem país
Na pátria que se encerra sem receita.

Assim nos encontramos e coramos,
Corados por que o fraco eliminemos,
Amor que sobrevive com seus ramos.

Enfim, se somos soma assumiremos
O sumo que se assoma de somenos
Em cima do saci - e sumiremos.


*** Dica de leitura 1: José Carlos Brandão escreveu em limo para me homenagear, embora eu nem mereça tanto... Não leiam a homenagem, mas tão somente o bom poema. Isso no seu Poesia Crônica.
*** Dica de leitura 2: Iriene Borges recentemente postou uma performance tipo "na boca do estômago do coração". Eu gostei muito. Quem puder prestigiar, o texto é o "Soulilóquio", no seu Voz de Eco. 
*** O "Saci" assobiou originalmente no Verso & Prosa. Bom domingo, amigas(os)!
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