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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Do sonho

Dream - in Deviantart

Do sonho

Dormindo nos seus olhos, sob efeito,
Acabo repentino numa queda,
Vou certo do mistério que me seda
Direto para os braços do seu leito.

Eu caio direitinho, pois, perfeito.
Eu caibo perfeitinho no que enreda.
As tramas cordiais são uma seda
De laços e de nós que há no seu peito.

Em rede me deserdo do deserto.
Há limo, leite, lótus no seu colo,
Há lírio, lodo, ludo onde me evolo...

Que venha ao meu encontro o não desperto.
Que o sonho seja à lente inconsciente
Efêmero e, portanto, permanente.

***
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Teledrama

Teledrama

Silêncio de redoma... Teledramo
Tremores azeitados com oliva.
Na cena principal nos encontramos,
Os cálices de vinho com saliva.

Eu leio nos seu lábios "Eu te amo",
Conheço a sua língua primitiva.
O sal da sua boca liquidamos,
Busquemos uma fonte alternativa.

A pouco para o término da trama,
Há muito para a trama, até termine.
Não basta apenas bem. Nem menos mal.

As nossas personagens, para a cama.
Ao fim do que há na fonte se define:
Desfecho do capítulo final.


***
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Soldados

Sebastós - in Via Lumina




Soldado

Lanceia-me no peito por que eu possa
Ferido definir a minha sorte.
Melhor o ferimento para a morte
Que a vida sem sentido, só na troça.

Enleia-me ao que leio de mais forte
Nos olhos que iluminam para a fossa,
Na boca que me amarga mas adoça,
Na vida à mão da forte, sã consorte.

No peito por que eu possa, pois, ferido,
No rumo para as últimas de mim,
No fim que me define, e me engalfinho,

No fundo pelo menos conferido,
Na poça de meu sangue ser, enfim,
A gênese do pó do vão caminho.



Soldado

Na vala há tanta lama, que cacete!,
E a lava que avacalha se deleita,
E o canto blablablá-babel-confete,
E o santo ratatá-cabeça-feita...

Projéteis! Chumbo quente! Capacete,
Protege-me dos jatos e me ajeita
De forma que eu não morra ao que compete
À vida! Aos seus conflitos não me deita!

Preciso de você, para que eu arda,
Você, de suas sardas, sua farda,
Seus tiros de inimigo à minha mão!

Preciso do perigo em que desperto
No sonho catastrófico e, de perto,
Que eu possa te foder, ó meu irmão!



Soldado

Estranho e tão sensível, um civil
Demente que milita desarmado.
Senhor, meu inimigo, meu amado,
Não troca a floração pelo fuzil.

Soldado não amigo nem domado,
Um cão com seus caninos que dão frio,
As garras são de lâminas em fio,
O peito é de mistério consumado.

Senhor, o meu pedido vem da mata,
Da noite de extermínio do palor
Com fogos de artifício cor de prata.

Ordeno-me e vos peço, pois, Senhor:
A cena da batalha que nos mata,
Soldados que se beijam por Amor.



***
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Dois sonetos

Dois sonetos


Amor e compulsão

Amor que determina a que imaturo
Sistema devo opor o meu polar.
Amor que me destina a seu futuro.
Amor que me confina ao circular.

Amor que me insemina pelo furo
Que é dentro do meu par, laço solar.
Amor feito uma sina que faturo
No fogo que me ensina a congelar.

Aos passos que são dados sem temor,
Ao pó que é delicado na imersão:
Impulsos de expulsar o pé do chão.

Ar puro por que eu viva com amor,
Que o par me sobreviva com pulsão:
Convulsos de pulsar pela paixão.



Não dízimo

Amor não será dízimo por nós.
Entrega de meu corpo pela calma.
Renúncias. Desapego pela voz,
Silêncio respeitoso de minh'alma.

Amor será cedência pela foz
Ao mar de imensidão que nos espalma
Em mar de mansidão, e enfim a sós
No mundo mais perfeito, o fim do trauma.

Fazer por esses bens o que lhes renda:
Não juros, mas virtudes, cocuruto;
A troca de emoções, e não a venda.

O máximo de ganhos sem um puto,
O máximo prazer que nos desvenda:
Amor é cem por cento de tributo.


*** Mestre Moa jogou-me de novo em seu Balaio Porreta. Ai, que felicidade!...
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Das sereias



Alamares

A seiva cristaliza, pedraria,
Resina do velame em verde mar
De jade e de esmeralda a tornear
O vaso com o licor da poesia.

A nave e seus estames em Omar,
Autor do Rubaiyat, que sevicia,
Por lauta cerimônia de ambrosia,
Por faltas, em essência, a quem amar.

O verde sobre e sob não domina,
Que o sangue se rebela no cinema
Das líquidas auroras leoninas...

Sereia d'arrecifes, d'alçaprema,
Assaz desassossego d'anilina,
Tragédia que conquista a alma suprema.



Sereia

O som meio sonâmbulo vicia,
Assoma ao seio bambo do covarde
E a cisma que atravessa principia
Tormentas. A sereia e seu alarde

Alarmam por amor à poesia
Das lágrimas no peito de quem arde
No frio de uma fossa à salsa via,
Sargaços e moréias, em um mar de

Indolentes afazeres: imersão...
O som, o som, o som, o som, o som,
O som vem sibilando como fachos,

Um lume que impressiona e faz pressão,
A música-farol serpeia com
A nau que é contra a rocha, para baixo.



Canção marítima

Escuto uma canção de algum lugar
E, junto, o coração em alvoroço,
Eu ouço, mas não posso com o pescoço
O risco do recife eliminar.

Sereia, em seu dulcíssimo cantar,
Nas pedras que se escondem ao insosso
Marujo, que se encanta para o fosso,
No barco embebebado pelo mar.

O mito se revela no meu imo,
O mito não nos mente se nos lemos,
Ensina-nos Ulisses do perigo.

Que a voz azul desliza pelo limo,
Converte-se em um monstro por extremos
E encontra nos abismos seu abrigo.



***
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sábado, 12 de setembro de 2009

Soneto marítimo


Soneto marítimo

Um homem se apaixona pelo chão
da fêmea, por seu húmus, por seu imo,
seus poros, sua pele, por seu limo,
seus líquens, pelo sumo da paixão.

Um homem se apaixona pelo primo
lavor da fantasia, comichão
nas partes que se molham ao caixão
da mínima das mortes... ai, que mimo!

Escumas de sereia que se encerra
ao cúmulo do mar em histeria,
acúmulo, o que for, e quem seria?

São dois ao inefável de extraterra,
em barco de origami e maresia,
um homem na mulher que lhe extasia.





*** Casa, poeta, voyeur profissional, antropólogo amador, taradinho pós-moderno, ex-aluno do Pimenta na 6ª série e mais uma série de coisas que não seria de bom alvitre elencar, postou um soneto (não sei se erótico ou) pornô meu, ineditíssimo. O blogue do cara Casa é o Erotório e deve ser acessado aqui.
*** Casa também está passando por uma excelente fase com seus textos no Entre as palavras e eu. Eu, portanto, recomendaria que você clicasse aqui.
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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Compêndio de entomologia


Compêndio de entomologia

À sorte de uma língua sem frenagem,
À solta com seus ditos desditosos,
Detalhes e contextos perigosos,
Diálogos que intrigam a mensagem,

A via se inicia na viagem.
Ao cabo de minutos talentosos,
Em doidos torvelinhos borrascosos,
A borra se revela: sacanagem,

Que porra! De mosquitos, marimbondos,
Abelhas, vespas, grilos e baratas,
A boca locupleta-se à pletora.

A boca se alimenta contrapondo
Seu lanche entomológico de erratas
De fora para dentro e, para fora.



*** A poeta Betina Moraes me encerrou na Redoma. Por favor, estilhace a Redoma aqui.

*** A poeta
Nina Rizzi me cerrou numa colaboração no blogue "Maria Clara: simplesmente poesia", em homenagem à Frida Kahlo. Por favor, descerrem a Nina, o Pimenta, a Clara e, principalmente, a Kahlo aqui.
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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Brucutu




brucutu - segundo o Aulete Digital
(bru.cu.tu) Bras.
sm.
1. Homem grosseiro e abrutalhado; PRIMATA (2); PAQUIDERME (2)
2. Viatura blindada de repressão policial.
[Etim.: Obsc., posv. onomatopaica.]




Talvez me esteja vindo de uma memória ancestral o Bruto cool, digo, o Bruto cu, digo, o Brucutu (nas origens Alley Oop - criação de Vincent T. Hamlin)... Lembro-me de que esse troglodita habitou a minha infância cavernosa... Esse que é hoje o símbolo maior do homem homem mesmo, do macho, o desejo de todas as mulheres...





Brucutu 1

Um macho canastrão é por quem sonho,
um sonho de cristã, de uma carola
que exibe o seu perdão e que, ora bolas!,
dirige-se de irmã ao carantonho.

Garanto-lhe cristão, dele disponho,
salvá-lo por um triz de sua bitola,
bastando que o calão me passe cola,
que o rito do infeliz não é tristonho.

É bronco mas é meu, e não lhe toque!
Me entope com seu Eu, mas que sacana!
Me empina de pandorga e com o bodoque

me ensina porque a porca se me espana.
Se brinca de U2, se me faz rock,
meu bruto brucutu!, vou ao Nirvana...





Brucutu 2

Um bruto que não trepe como dama,
que morda meus mamilos, que me dane
no corpo e no demais, não faça drama;
me estrepe em que mereço, não me engane.

Eu quero um brucutu na minha cama!
Não gosto de mesura e de ademanes,
adoro quando o cara nem me ama,
mas mostra que dá conta até da pane.

Eu amo, mas te odeio. Se intrometa
no meio da razão, não me dê chance;
me esgane o coração, mas não prometa.

Detesto e mais te adoro, nesse lance
de setas de Cupido e do Capeta,
na trama desse estúpido romance.











*** Tirinhas de Alley Oop aqui.
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domingo, 30 de agosto de 2009

Solitário

Solitário

- para Henrique Pimenta

Um homem solitário, diamante
no cofre guardadinho para nada.
Não brilha seus encantos para a amada,
cintila para dentro o seu desplante.

Um homem que é sozinho, sem amante,
amarga seu amor numa danada
vontade pela fêmea que é gamada
na gema de outra jóia cintilante.

O príncipe galante foi em vão
princípio filosófico de vário
tesouro virtuoso, mas, então...

Os contos são escritos ao contrário:
virá do diamante - o seu carvão;
da fosca solidão - o seu calvário.

***
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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Ao meu corpo


Aline - do Adão Iturrusgarai (que eu adoro: ela e ele!)

Ao meu corpo

O corpo me limita, mas é tudo
que posso por enquanto. Sou mesquinha,
eu sei, na pequenez em que desnudo,
que excito o meu exército na linha

de fogo, no combate feito ludo,
com pele depilada, tão fresquinha,
com musse pelo musgo, no miúdo,
no gozo da beleza que definha.

O dúbio delimita a decisão,
decide-se, em efêmero cotejo,
de espírito e matéria por cisão.

Cindidos, que se danem ao despejo!
Por mim me basta a carne sem razão,
o corpo que eterniza o meu desejo.





*** Quem ainda não conhece o Marcos Satoru Kawanami está perdendo - e muito! O cara é um excelente poeta e postou, para nossa felicidade, novo texto hoje. Convido todos aqueles que gostam de boa poesia a clicarem aqui.
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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Folhas ao vento

Image in TUNA MARTINI

“This world doesn’t hold much for me
besides the boredom and the composting of dead leaves
and the bugs and weeds between
as children, we would jump into big piles
as adults we sweep them up
and sometimes burn them
when the smoke signals rise
and only time
or water puts out the smolder (…)”

“(…) the leaves have fallen off the trees
and I never even noticed (…)”

- from poems of Marcus Byron Cheney

Folhas ao vento

Se fôssemos do vento na bailia,
se folhas no compasso casual,
descendo o ziguezague pela via
dos zéfiros ao solo maternal...

Com bossa de novíssima alegria,
ao gosto do bulício do casal,
voltamos para o céu que se anuncia
em chuva, todo cinza. Temporal.

Na noite cenográfica dançamos.
Conforme improvisamos, mais ousamos.
Hosana nas alturas! E eu caí.

Não sei da sua rota, se mudada;
da minha, amanhecendo, sou cotada
à próxima no espeto do gari.



*** Gente, quem for curioso e quiser desvendar o segredo (sim, há um segredo!) do soneto acima, deve entrar no blogue de Patrícia Carvalho, denominado "Folha ao vento... ", e conferir todas as cifras... Prometo que você se supreenderá. Então, não perca tempo, clique logo no aqui-e-agora!




*** A Maria Clara Pimenta - pelo sobrenome já se imagina do que essa mulher é capaz, né? - andou me criticando no blogue http://mariaclara-simplesmentepoesia.blogspot.com/ , justo um blogue que abriga apenas poetas do caralho: Adriana Ginsberg, Nina Ri-Se, Mirse, Adriana Karnal, Hercília Fernandes, Lou Vilela, Maria Paula Alvim e Úrsula Avner. O babado é forte, nega! E o blogue é picante e imperdível e cheio de perdição... Clique !



*** J'suis au Balaio Porreta. Moacy Cirne, merci!
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terça-feira, 28 de julho de 2009

Da nutrição


Lourinha furtada de http://daliteratura.blogspot.com/







Da nutrição

Parar a pitonisa da Celeste,
a monja da Selene, por à prova
o gosto pela fêmea, algo que preste,
em carne de primeira, até que a cova

resolva diferente. Nesse cast,
composto por excessos, se comprova
bom gosto para a coisa, for the best,
e assim a natureza se renova.

Cintura de mulher e suas ancas!...
Mas, mesmo de adiposa silhueta,
as fêmeas valeriam por seus atos.

Seriam preferíveis, em pelancas
e rugas, a produtos de veneta,
as musas que consomem carboidratos.



*** Em tempo: o poeta Felipe da Costa Marques, provedor do blogue SAPOIE, nos brinda hoje com uma excelente "transcriação" de "L'éternité", do menino mau de Charleville, Arthur Rimbaud. Eu gostei e recomendo. Quem quiser se embevecer como eu, clique aqui.

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terça-feira, 21 de julho de 2009

Angélica


Angélica

"Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda."
Gregório de Matos


Desejo, por um anjo, o que me é dado:
a morte do desejo que se doa,
um anjo que por mim foi desejado.
Não seja, porque esbanjo o dom à toa.

Eu tanjo o meu cordame de coitado,
com o peito condoído, que destoa
do tom, em desacordo ao acordado.
Da corda vem o sangue que me escoa.

É a pena angelical que me depena
do bem e de meus bens, e já não tarda
não prive mais do mal que me condena.

Eu creio que me resta com que eu arda
solando nos infernos, numa cena
ao anjo do desejo, que me guarda.



Esse é apenas um ensaio, uma imitação tosca de alguns artifícios usados pelo poeta barroco Gregório de Matos. Não há nesse poema a mínima originalidade, ínfima fímbria d'arte não há, hausto d'engenho tampouco. Apropriando-me do título de um livro do filósofo romeno, de expressão francesa, Emil Cioran, trata-se apenas e tão somente de um de meus inumeráveis "Exercícios de admiração".
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domingo, 12 de julho de 2009

Mais um enigma para a rosa


Mais um enigma para a rosa

Parangolé pela Cotê d'Azur,
ali barbada a Barbie Barbarella,
soberba como um teco de glamour,
teteia na fratura da costela.

Viaja para a Lua em city tour,
voragem pelo mal, que matusquela!,
vadia de ma femme, mon amour,
um toque de pimenta: quem é ela?

O Circo dos Horrores com seu Freak,
dramático, demente, vaporoso,
mulher ou meio macho em polvorosa.

É belo ou mesmo bela com aplique,
em sonho ou pesadelo pavoroso,
no senso periférico da rosa.
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terça-feira, 16 de junho de 2009

Mínimo



Ângela Rô Rô


Amor, meu grande amor
Não chegue na hora marcada
Assim como as canções
Como as paixões e as palavras

Composição de Ângela Rô Rô e Ana Terra.
Com todo o respeito, mas a
interpretação original é imbatível.


Mínimo

Acessos de calor e gelo fino,
a língua com sabor de sobremesa,
amor por um sentido no sem tino,
amor que é de serpente e de surpresa.

Amor, meu grande amor, meu genuíno,
um único, não mais, da natureza
do coice pelas drogas de refino,
tal qual uma assunção para a beleza.

Por meio desse belo displicente,
por meio do que é simples e divino,
divido minha vida facilmente

com tudo o que quiser o meu menino:
amor que permanece no que sente,
amor, meu grande amor, de pequenino.

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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Val



Val

Suspeito que desejo e, desejoso,
respeito se me negas o pedido.
Pedinte de teu corpo para o gozo
do corpo que deseja o teu, sentido.

Um preito de escorreito, corajoso,
correto sentimento de um perdido,
bem perto de onde Deus é perigoso,
no peito de seu anjo decaído.

Não finjo de feliz o que padeço,
semente envelhecida para a messe:
a amara sobremesa da razão.

Entulho-me de dor e me entristeço,
segunda, singular, que tu me esqueces,
porque eras 100% da vazão.
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sábado, 6 de junho de 2009

Água e sal

Foto de Marco Antonio Cavalcanti - publicada em O Globo Online



"Tua língua em meu mamilo, água e sal", na música Bandeira, de Zeca Baleiro.
 
Água e sal

Desisto desse gado, desses bois,
de flatos, de mugidos, de excrementos.
Depois de uma banheira, bem depois,
dispondo-me de grades e cimento,

a cama é uma mobília para dois,
a cama de casal tem cabimento,
a cama que nos serve bem depois...
Me lembro do seu corpo sem memento,

em sumo, como púbis e mamilos,
a língua nos mamilos e no púbis,
o fogo nas papilas d'água-viva;

eu penso no pescoço e em tudo aquilo
que afunda nas piscinas de seu clube,
no mar que invade a cama com saliva.
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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Amor, amor, amor

Alguns dizem, respeito-lhes a assertividade, que apenas Jesus Cristo é amor. Eu, contudo, flertando direto com a completude de minhas imperfeições, sempre tive uma quedinha pelas mulheres e, confirmo, não pode existir amor sem mulher. Agora, mulher sem amor, putz!, existe também. Mas eu insisto! Em quê? Em quem? Ah, vamos aos poemas.


Amor, amor, amor

Amor, amor, amor, o sentimento
sentido com que sinto como certo.
Sei lá! Isso será?! Sei que decerto
preciso de senti-lo com acento,

vigor, em exagero, um alimento
vital, uma tragédia em que desperto,
comédia às genitálias em aberto,
perigo, o que há de bento e de sebento.

Cabeça que se quebra quando parte,
destina-se ao quadrante em seu olhar,
seus lábios, seu país. Como um tumor

no cérebro se alastra, como a arte
no seio de alabastro, como o lar
em seu solo solar: amor, amor...



Amor

Amor é baboseira, e que tamanha!
É leso com leseira que não cura!
É curra sem carinho, picadura!
É teia entretecida pela manha!

Amor é uma derrota que, arre!, ganha!
É beijo de judeu à face pura!
São répteis que se comem com fartura
de crias, acepipes das entranhas!

O diabo que o carregue para mim,
por Deus!, porque eu preciso do suplício
de vez, pelo revés do meu avesso!

Amor se desenvolva porque sim!
Ao fim, que eu seja escravo desse vício!
O fim que nem sequer teve começo...
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terça-feira, 26 de maio de 2009

Henrique tenta compor uma descrição de sua amada



Henrique tenta compor uma descrição de sua amada

Consigo. Sou feliz. Eu reconheço.
Consigo sou feliz, não me repito.
Eu sigo a sua luz, meu endereço,
meu lar, meu domicílio de infinito.

Mulher na palidez desde o começo,
eu amo o que há na pele de interdito,
na carne em que vegeta me enlouqueço,
nos líquidos que afloram desse mito.

De modo decadente na capela,
as flores murchecidas ao calor
que exala do meu peito e de umas velas

dispostas para o brilho do palor.
Museu da tal Tussaud teria nela,
garanto, mais ingresso e mais valor.
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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Dois ang'los

Romeo and Juliet - Sir Francis Dickee

Floresta Solidão

Amor? Mas se estou só, não poderia.
Um filme de terror sem personagem,
Em clima de palor à lua fria,
Ruídos de animais para a selvagem
Floresta Solidão. Um homem só,
Já disse que não posso, não possuo
O mínimo que anima nem gogó,
Vocábulo de lírica. Recuo.
O quarto, um universo de suspense,
Será que susterá de sua trama
O rumo para a dor a que pertence
O corpo no destino de quem ama?
          Eu troco o duvidoso pelo por
          O corpo, pois, no topo do torpor.

Ao trabalho

São horas de trabalho, mas não venço.
Há muito o que fazer. Azar de quem?
Eu penso que desejo e me convenço
Que devo mais lazer e mais alguém.
Amor é uma palavra de consenso,
Termômetro de febre que convém,
Um mal que faz sorrir, perder o senso,
Limão para o tempero pegar bem.
Eu amo esse trabalho menos denso
Que invade minhas veias, mais além,
De luz e de alegria, mar imenso
De vagas que as escumas não contêm.
          Assim é o meu trabalho dado à vida:
          Seu fruto é o meu amor à bem servida.
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