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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Tapeçaria


Tapeçaria

Sou grato porque sou. Eu agradeço.
Sou grato pelas graças alcançadas
(Não foram nem pedidas), em laçadas
E nós, tapeçaria que me teço.

Tear que me faz frente pelo avesso.
Pedais e maquinismos de engatada
Que prendem e liberam na levada,
Me elevam para Arte, por apreço.

Concluso o meu tapete agradecido,
Me orgulho dele extenso pelo solo.
Mergulho nele, mar amortecido,

Nas gotas de suor de polo a polo,
Nas ondas congeladas do tecido,
Nos seios tumescidos, no seu colo...

***
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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Louvação

 Hands in prayer - by FotoBart

 Louvação

- para Elizabete Burkhardt

Eu rendo o meu louvor para o Senhor.
Louvores, no plural, à redenção.
De vítima a valente vencedor,
Sou próspero no colo coração.

E rendo o meu lavor, e é por Amor,
Os grãos que madurecem como unção.
E penso por que há dor, e porque há dor,
Dispenso minhas lágrimas na ação.

Eu presto com apreço, como posso,
Ao léu do que o Universo desempenhe,
Respeitos para a Pátria sem país.

Ao júbilo, contente do que é Vosso,
Caminho pela luz que me faz prenhe
De glórias e aleluias... Sou feliz.



***
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sábado, 27 de março de 2010

Araucária

Araucária

Aroma de pinheiros há por ti...
Senhora, por que estranhas desse jeito
teu homem? Que fizeste? Que tens feito?
Um ar de não sei quê... Eu me parti

na tarde de domingo, mas não vi
teus olhos me rendendo novo preito.
Miravas o pinhal. Nem o respeito
devido... Um "eu te amo" não ouvi...

Sem vida, com a garganta suprimida,
soubemos só depois do desconjunto,
dos retalhos no reflorestamento.

Amor, mas por que choras condoída?
Se os pinhos sobrevivem ao defunto,
debulhas para que tal sofrimento?...


*** Dialogando brazucamente com "In the pines", música que eu gosto na voz e no clima tenebroso do Kurt. Ou "My girl", "Black girl", "Where did you sleep last night?"... 
"Where Did You Sleep Last Night?" - Lead Belly.
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quinta-feira, 25 de março de 2010

Meios de trainspotting

Meios de trainspotting

Estradas que revelam o sinal.
Estradas que me levam a você.
Você vai pelo atalho divinal,
No fogo glacial - e com glacê.
A partir da tormenta, do outonal
Momento em que me encontro pela cruz,
Aos trilhos d'algum trem sem terminal,
Na gare inexistente, quem conduz?
As vias têm o trânsito anormal,
Dos altos nos assaltam saltitantes
De baixo para cima, pelo mal
Que promovemos em quartéis distantes,
     Escâncaras de sítios, dossiê
     De setas e de sés... eu e você...

*** Trainspotting, vocês sabem, o filme.
*** Roads, vocês sabem, a música (Portishead).
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sábado, 6 de março de 2010

Diálogo de olhares

 
mojajaja - by demi-vampire

A morcego

Escrava residente no meu ego,
Ao crivo dissidente não me omito,
Ao cravo de seus dentes eu me entrego,
Meu sangue o dessedente, que eu permito.

Impune sairá com seu sossego
E farto, com engulhos de vomito.
Humana com manias de morcego
Transformo esse hematófago num mito.

O mito me transpõe para o que é mais,
O mais é para sempre, e não jamais,
O mais é o meu país e paraíso.

Sou cega porque sigo pela luz,
Exata como Deus, como Jesus,
À flor do que não vejo: o bem preciso.



Dialogando com os clássicos

4. Toda releitura de um clássico é uma leitura de descoberta como a primeira.
5. Toda primeira leitura de um clássico é na realidade uma releitura.
(Duas das propostas em Por que ler os clássicos, de Italo Calvino.)

Os óculos, parceiros de leitura,
Não se cansam dos clássicos, vão lendo,
Relendo... Para ler literatura
De prima se precisa não de adendo,

Que dentro dos primeiros a escritura
De fogo e sua luz estão ardendo:
Num misto de frescor e de gastura,
Os olhos no gozando condoendo.

Rendamo-nos ao velho congraçado!
O grau vai aumetando para lentes
E espíritos, e tudo é tão menor...

Entanto nas letrinhas do passado
Os péssimos educam-se excelentes
E o mísero gradua-se Grão Mor.


***
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quinta-feira, 4 de março de 2010

Das promessas

 
"Merceditas" - in Wikipedia


Eu prometo!

Prometo o meu amor, cumplicidade,
Uns beijos e chupões, a parceria,
Dois poodles companheiros, a verdade
Somente e para sempre... Mas não ria.

Prometo o que quiser e saiba que há de
Vigir sem exigências a alegria
De estar no seu domínio, senhor Sade:
À dor que lhe recreia, mais se ria!

Se o lance for masô, desço-lhe o malho,
Lhe xingo de canalha, pimmm, demente,
E juro que outras tantas eu cometo.

Se vampirismo, o meu pescoço talho,
Desmaio-me na tumba eternamente.
É pouco, sei, bem pouco o que prometo.


Não, nada de promessas...

Não, nada de promessas, não precisa,
Já basta a hipocrisia que foi dita,
A série de "eu te amo" derretida.
O freezer desligado te batiza.

Promessas são desejos, indecisa
Você foi prometer la "Merceditas",
Apelo pela pele prometida.
A música do Oeste te erotiza.

A dança foi intensa. E que intenção
Foi essa a de calar o coração
Falando o que não deve, com fervor?

Não tenho uma resposta, estou perdido,
Mas acho que o silêncio... respondido.
Não, nada de promessas, por favor!


Merceditas – Ramón Sixto Ríos (Intérprete: Julio Jamarillo)
*** Um enigma essa Mercedes Strickler Khalov...

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terça-feira, 2 de março de 2010

Ângulos

Gisele Bundchen - by Marina West

  

Ângulos


Um ângulo melhor, para que a obra
Em seu faça-se a luz seja perfeita,
Nem careça retoque - não se enfeita
Ao belo natural, não há manobra.

É feito um photoshop sem efeito
Na graça do momento que desdobra
Seus feitos, meia-noite sem abóbora,
Aos pés de um salto agulha rarefeito.

A mulher se garante pela frente,
A mulher se garante de perfil,
A mulher se garante por detrás,

A mulher se garante, indiferente
Aos flashes que se irrompem ao vazio
Da carne e da beleza que lhe traz.


*   *   *   Campanha pela criação da 
1ª Promotoria de Defesa Animal
- ô bicho, participe
aqui 
!
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segunda-feira, 1 de março de 2010

Dos valores

 
Shell - by Mariem

Dos valores

A grana se desvela como venda:
Jesus à mercancia do talento
E justos se maculam pela renda
E impérios na desgraça a dez por cento.

O mais não se contendo na contenda,
Contando os seus metais bastante atento,
A música que ilude, diz a lenda,
O lento tilintar do desalento.

Saúde? De champanha - só de espuma,
De caviar - com a já vencida data,
De espelho - que se embrulha como joia.

Se o ganho da ganância faz-se pluma,
O chumbo que é dos olhos se desata
Ao brilho pela cinta d'arazoia.


Dos valores

O preço de sentires não se paga.
Se tens, tu permaneces com, contido,
O tido conteúdo de uma vaga
Contigo, continente do sentido.

O mar é uma metáfora com água
Salgada a muito sal, é garantido,
Garante-se um além a quem naufraga
No colo dos abissos convertido.

O preço, pois, sem paga não é pago,
Apaga-se com o tempo pela ação
Do que se abrasa ao sucessivo trago.

Trazido com as marés o coração
À praia se apercebe que está vago,
E o vago não lhe vinga a contração.


*** Nota de esclarecimento: o mar é garantido, e é caprichoso também.
*** Sylvio Alencar divulga-nos em E, TERNA LUZ.
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Amor é dúvida?

 
18 octobre 1936 - par bwiti


AMOR É DÚVIDA?

Amor é dividir por dois a dúvida.
Amor é duvidar a dois da dívida.

. . .


Ao fim a pevide
(licença devida!)
em um se divide:
amor, morte e vida.

. . .


A mesma dúvida

Amor é dúvida, não é?
Amor é frêmito no peito,
Amor é freio, por despeito,
Cardiopatia, porque é.

Amor é dívida de fé!
Amor aposta no malfeito,
É não ter fôlego direito,
É travessia sem dar pé.

Amor motiva, mas deprime.
É estar aqui, mas nem  aí.
É como um filho com tumor.

Amor liberta pelo crime
Que se executa contra si.
Mas o que é mesmo o tal amor?...

. . .


Elegia à eleita

Distante. Negligente, porventura.
Nem sei o que depor, uma tortura.

Tortura para dois, nos aparelha,
Partilha de pesar para a parelha.

Se primo pelo sol, por que evolua
A pedra do meu peito para lua,

Me cego para ti? Porque não vejo,
Desejo o que não vi nem antevejo?

Eleita, nesse mundo o que acontece
É malha de armadilhas que se tece

Por mãos de uma caquética sincrônica,
Compósito de fábula com crônica,

É caos contemporâneo, nativista,
Sereias de cilício, mar à vista,

Timbós e catimbós, misericórdia!,
E o mais é conterrâneo da discórdia.

Voltando ao que te elege, pois, eleita,
Nomeio-te febril pela maleita:

Aumenta a têmpera que tens, amor,
Gradua para cima, mais tremor...


*** O amor, enquanto mesmo, não se trata de uma figura de retórica. Sim?
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Do corpo

 
Le nu provençal - W. Ronis


À paz do corpo

O que se pacifica na rotina,
No gelo do silêncio percutido,
Na louça pela pia, na cortina
Da sala, que é puída, no ruído

De insetos voadores à retina,
No chão que é por varrer, ou que é varrido,
No longe decadente que domina
Seus atos, perdição do que é perdido,

Tambor de marcação ao que se jaz,
Se busca nas galés, internamente,
O que se pacifica não é paz.

Tambor de coração até compor
O corpo que não teme o vão temente,
No meio da rotina a seu dispor.


Dádiva

Incorporo o teu corpo como posso,
Um osso com carninha de pescoço,
Um poço de fissura em cada poro.
Agrado-me de ti, de tua soma.

Eu ponho o teu no meu para ser nosso.
Componho-me de entranhas e de fosso,
Entalho os teus detalhes, passifloro,
E, grave, o teu espírito me assoma.

A frente é mais além,  feito uma estrela.
O dorso para mim, em asas, doce.
O dois que se faz um, de uma costela.

Escarro do meu sangue, a tua tosse...
Dispneica, já sem pulso, desatrela...
Incorporo o teu corpo como posse.


***
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Quatro mulheres (por uma dose excessiva de Florbela)



Tia Odete

Que o diga o mundo e a gente o que quiser! - Florbela Espanca

Que tédio! Uma tragédia se repete...

Fofocas no velório sobre herança,
Apostas sobre o próximo que dança,
Pagando dez por um p'ra tia Odete.

O mal põe sua boca no trompete,
A chuva de serpentes que se lança
Com botes e boatos não se cansa,
Veneno, melodia, canivete...

Extrato mais humano de inocente,
Que trata ao seu do meio pelo médio,
De médio para menos, e nem sente,

De menos para mínimo, despede-o.
Odete ao desemprego não é gente.
Na fila de indigentes... Ai, que tédio!


Serena

Porque o meu Reino fica para Além... - Florbela Espanca

Desdém é o meu de voto para a vela

Que acendo para as trevas quando temo.
Diverte-me o terror que se desvela
Ao leve tremular do que me extremo.

Ungida por meus vícios de cadela,
Recebo presentinhos quando gemo.
Armada a diamantes sou mais bela,
As gemas são grilhões com que me algemo.

Sereia dos abissos dos prazeres,
Rainha do promíscuo nestes seres,
Insiro-me ao Supremo com orgulho.

Imploram-me por mais, por isso treino
Por mais e mais além desse meu reino;
D'alcova para a cova, pois, mergulho.


Muda

Silêncio, meu Amor, não digas nada! - Florbela Espanca

De dentro que não, eu não ditarei

As regras para teu comportamento.
Entranhas para fora, mostrarei
As unhas com meu sangue, e não, lamento.
Não quero um pedacico, me cansei,
Prefiro, na tristeza, a que é de nada
À bisca por um cisco de "não sei,
Sei lá, quem saberá da abandonada?"
É reino sem rainha nem um rei,
Condão sem ladainha de felizes...
Do que me vem aos lábios calarei,
Do mel que é de teus lábios, e não dizes...
     Mas não me melarei numa blasfêmia,
     Que sou, com meu silêncio, tua fêmea...

*** VIEIRA FILHO dialoga com meu haicai em The lair of seth-hades.
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Amor é meio de finício...

The Return - by Ruth Sant Cortis

Amor mor - making of


Amor mor

Eu temo pelo amor, do que é capaz.
Amor é destemor e não se omite
À morte com seus termos para paz,
A morte é seu terreno sem limite.

Amor é pelos filhos, pelos pais.
O Todo, com seus tudos em seus kits.
O Super e o mirim se sentem quites.
A terra como os céus se sentem mais.

Refletem-se prazeres como dor,
É lágrima e sorriso com morfina
Na safra desse alegre sofredor.

Embaixo são rigores, disciplina -
Em cima são espasmos de esplendor -
Amor é o infinito que confina.



Das Índias

 Dou-te o meu corpo prometido à morte! - Florbela Espanca

Eu cumpro o prometido por volúpia,
Celebro o proibido que profana,
Favores pelo vinho de uma rúpia,
Sabores com carinho de mundana,
Prazer nos genitais como viagra
De dedo, ressuscito decaídos,
Vadia nessa cama se consagra
A deusa dos desejos concedidos.
Divina, pois, ao pobre que se suja
Ao preço de uma nítida ilusão,
Despejo mais um karma de lambuja
À carne que só age sem razão.
     Até que o Ser Eterno me comporte,
     Meu corpo foi promessa: para a morte!


***
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domingo, 14 de fevereiro de 2010

Estandarte serpentino

Saint George and the Dragon -  by Isabellas Art


Jogos de guerra

Ausculto das cortinas uma flor,
Oscila nos meus olhos de perfeito,
Bascula nas pestanas de um tal jeito
À fúria com que o arco freme a cor.

Reparo que, feliz desde o meu leito,
Destrinço do caminho o seu fulgor.
O lábaro que ostento para a dor
Primeiro tem demão que vem do peito.

Insólito de súbitos, me travo.
Meneios bem sutis na militância,
Exércitos de mel que há no teu favo.

Nos sonhos, para frente é sem distância;
Tomemos, pois, o rei por um escravo
A golpes de tontice pela infância.


Medieval

Minh'alma é a Princesa Desalento
Como um Poeta lhe chamou, um dia.
                       Florbela Espanca

Do nada, fui forjado para forte;
Soldado, para ser um general;
Guerreiro, por azar e para a sorte,
Lutar pela Justiça Divinal.

A corte é sob as ordens de Mavorte,
Seus lábios, o Santíssimo Graal,
Comandam que eu me faça ainda mais forte,
Demandam a Desgraça que é do Mal.

Poeta e seu ginete Fantasia,
O fôlego de flama que há no vento
Alento lhes insufla. Mas se esfria...

A neve há de prover o vão sustento:
Meu corpo de poeta à Poesia;
Minh'alma à Princesinha Desalento.


***
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Três sonetinhos da Bretanha

 
Bretagne - par BZH2O


Três sonetinhos da Bretanha


À arte da vitimização

Sou vítima do pai, meu grande amor.
Sou vítima da mãe, foi invejosa.
Sou vítima de irmãos, ai, que temor!
Sou vítima de um céu sem cor-de-rosa.
Legítima na dor em mal me quer,
E querem mais um trisco, os idiotas,
Do bem que me domina, de um qualquer,
São todos exigindo suas cotas.
Seus toscos!, seus encostos!, seus zumbis!
Me picam por nadicas, pela troça,
E ficam tão felizes por um bis,
Um terno de tragédia casca-grossa.
     De quatro dispuseram-me em quitute.
     Aos quintos, seus glutões, por meu desfrute!


Desejos

Mulheres vitimizam-se ao desejo,
desejam, como vítimas da sorte,
que o golpe dos algozes, como vejo,
derrube-as ao abisso, para a morte

pequena, consentida com manejo.
Não vejo o tal desejo na consorte.
Reclama até da cama (percevejo?),
nem beijo, nem chamego, nenhum norte.

O alfanje é como um anjo para uma.
P'ra minha, nem se finge se eu cortá-la.
Pelejo, mas já sinto que se esfuma

meu sonho de agressor. Mais não se fala.
Perguntam se a desejo, ou que se suma?
Desejo, sem contudo desejá-la.


Hagiografia

Compor, a circunstância assim o exige,
No mínimo um soneto de Bretanha,
Um texto que mereça a quem se aflige
Com o látego nos ossos que se entranha.
Opor-se não se deve porque é erro,
É voto de seu clã de pecadores,
Martírio que lhes filtra por aterro
O pó de seu pretérito de horrores.
Espíritos se movem irrequietos
Ao ritmo de ritos ancestrais,
Pungindo mais e mais tataranetos,
Ou outros mais distantes, mais e mais...
     Eu sofro, mas suporto até o fim.
     Do clã, sei que sou vítima de mim.


*** Moacy Cirne publica-nos em nosso Balaio Vermelho.
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Às pedras do templo

Almourol - by Fernando Batista


Às pedras do templo

Projeto-me à distância de um portal.
Desejo-te no cerne e em seus ramais.
Tu és uma sequência de vestal,
Real e de ideal, e és muito mais.

Protejo-me em teu colo terminal,
Em vestes de nudez e de jamais.
Ao vento de teu fôlego termal,
Atrevo-me a teu fogo por demais.

Bacante em excessivas circunstâncias,
Ingênua para vícios e malícias,
Ganindo pelas nuvens, uma a uma...

O Todo se apodera das distâncias
E põe abaixo o templo das delicias,
Mulher de uma aliança que se esfuma.


***
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Um canto para amar

 Incense - by Comiic Book Cruush


Um canto para amar

Um canto para amar a senhorita,
que é cara ao meu apelo romanesco,
em oiro, diamante ou mesmo brita,
em pelo ou patrimônio pela UNESCO;

dum tempo que é de outrora e que me excita
à força na Romênia de Ceausescu,
que a fêmea que me empenha sua dita
projeta-me em porvires de arabesco;

hélas! não sei se lá ou de intermédio,
só sei que singraremos à conquista
suprema pelo gozo do sem senso;

amor no meu cantinho, que remédio!,
resume-se ao que sonho pela vista
no fumo que é da chama de um incenso.


***
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Soneto clássico

















Cupidon, par Bouguereau


Soneto clássico

Os Zéfiros assopram para a seta
da cúpida arqueria, por seu alvo
no peito que se ilude, pela meta
no seio, que se criva, de papalvo.

De pouco lhes importa se projeta
loucuras, se ela é feia, se ele é calvo;
importa-lhes muitíssimo, os afeta,
manter o tal revés a são e salvo.

Cupido, com seus cúmulos de vento,
se ri da travessura que detona,
dos golpes de ilusão e sofrimento.

Às dores desse mal, o dom e a dona,
penados pelo crime do momento,
liberam-se num gozo que aprisiona.


***
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Piano










in Deviantart


Piano

Silêncio, nem inseto. Você disse
com cólera, melhor que você vá.
Eu penso que, talvez, se eu consentisse,
calasse e me sentasse no sofá.

Não pude. Eu explodi. Que esquisitice
de amor que não se acalma. Você vá
à puta que o pariu! Não discutisse,
talvez. Não se tornasse bafafá.

Eu fui. E de um piano com bolor
o som de um blues monótono, pesar
na lágrima, desgosto, dissabor.

Na boca apenas sal, nenhum vapor.
No céu não há mais sol. Não sei rezar.
Piano no seu solo de estupor...


*** Lívio Oliveira, poeta e agitador cultural da terra do sol, publica-me n'
     O Teorema da Feira.
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Ao velho tema de novo

Ao velho tema de novo

O tema se repete e, repetido,
dispensa a perfeição, porque se basta,
se desenvolve bem ao pé do ouvido,
ou, olhos de leitura,  para a pasta

que é dentro: coração. Como um pedido,
pedido deferido, não se arrasta
nos trâmites de fórum distorcido,
tão simples e tão súbito se afasta...

Ao longe, no pertinho dos amantes,
se alongam numa dança para Shiva,
cobertos pela gênese de antes,

libertos para a vida em carne viva,
abertos ao Eterno por instantes:
apertos e murmúrios com saliva.



***
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Germinal

Silent wood - in Deviantart


Germinal

Amor... se o silêncio já compôs
trabalho bem melhor, eis o problema
de quem (glupt!, porque há crítica depois...)
escreve e se descreve no dilema.

O senso que o vocábulo dispôs
após outros vocábulos, poema
de inversos e de avessos e de, pois,
ascenso carrossel de polissema.

Não basta ser aos olhos de Narciso.
Não basta a florescência de um oposto.
Não basta a cintilância de um sorriso.

O amor é intransigente, não permite
que a cólera não chegue ao fim proposto,
à paz que nos detona a dinamite.


*** A poeta Líria Porto, de Tanto Mar e das Putas Resolutas dialoga-me aqui
*** O Exmo. Sr. Moacy Cirne publicou-me ora no Balaio Porreta.

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