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quarta-feira, 25 de março de 2015
À dor
À dor
A dor apenas dói (não me intimida),
restringe-se a doer. Sua função:
impor-se porque sim, por doação,
às carnes pelo fim, e sem saída.
A dor com insistência, tão temida,
tem foco no prazer, como lição
que explora por sutil sublimação
as fossas, os abissos: minha vida.
Quem dera se doesse muito mais,
mais fossem os meus urros, os meus ais,
deveres desse corpo devedor.
Conforto para mim e meu remédio,
melhor do que sofrer ao meio, médio,
transmuto-me a sorrir: "Eu sou a dor!"
*** img in freepik
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Dura
Dura
O golpe é revertido para quem,
em ato de emoção, se fez o tal:
perdeu, casa caiu, não há ninguém
pior que o ganhador, o maioral.
Perdido, com troféu de "tudo bem",
ganhou mas não levou do que é vital:
o riso de partilha para alguém,
o gesto de altruísmo universal.
Carece nem de fumo nem de pinga,
fez jus a seu fracasso com brandura:
melhor à perdedora, pois não vinga.
Desprezo de quem ela mais amou
transforma-se em paixão, mas não perdura:
perdendo, vencedora se tornou.
*** Img in Endfile.
domingo, 12 de outubro de 2014
Baile de máscaras
Baile de máscaras
Eu vou me converter à perdição;
perdido, vou cair, vou sucumbir,
lambidas na libido, que lição
insana, que desejo de subir.
Eu vou me converter à conversão,
por fim, por infinito: que há de vir
por mim, em meu socorro, para a ação
de si, de redenção, de redimir.
Ruínas em reconstrução? Não sei.
Não sei se há de dar certo, ou se dancei
sozinho num salão de carnaval,
depois de ter lançado o meu perfume
direto no nariz... Quem é que assume
a ronda de meus erros, tal e qual?
*** Img in Miss.Bonjour.
domingo, 5 de outubro de 2014
À conversão da flor
À conversão da flor
Em flores, em floradas, em imagem,
em flores de aprazível sedução,
em flores de perfume e perdição,
em flores de jardim, em flor selvagem,
em flores, tudo se converte são,
abelha, beija-flor, uma paisagem,
pintura, borboleta, sacanagem,
um verso de Drummond, é salvação.
Libertas de teus traumas, tuas iras,
no claustro do cristal, já não suspiras
ao fumo nem do cravo ou do jasmim.
Encantam como o canto de Dolores,
segredos, cintilâncias e livores,
as flores... tua conversão... teu fim...
*** Cravo - img in culturamix.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
A um beijo
A um beijo
Um beijo
por amor e, por que não?,
um beijo porque é sim sua resposta,
um beijo que se expõe por que se gosta,
um beijo de querer e de paixão.
um beijo porque é sim sua resposta,
um beijo que se expõe por que se gosta,
um beijo de querer e de paixão.
Piegas? Vá,
que seja!, se me encosta
na língua a sua língua, sem senão,
se o Sol sai lá do céu, vem para o chão,
se a Lua rodopia descomposta.
na língua a sua língua, sem senão,
se o Sol sai lá do céu, vem para o chão,
se a Lua rodopia descomposta.
Apenas um
momento, sempiterno,
um gosto de remir que há só no inferno,
um misto de salvar e salivar.
um gosto de remir que há só no inferno,
um misto de salvar e salivar.
Um beijo,
um casamento, uma certeza,
que somos dois sinistros com destreza,
anfíbios encantados a enlevar.
que somos dois sinistros com destreza,
anfíbios encantados a enlevar.
*** Um
soneto para o (meu) beijo da Bete.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Desistência
Desistência
Se tenho condições de desistir,
desisto de insistir. Sem resistência,
mais fácil de topar e de cair
no fundo dos abissos, na ciência
do caos. Pois, se desisto de investir
no verbo, nas ações, na coerência,
só tenho o que é de mim (sem sobrevir),
o tédio confortável, a anuência.
Deitado no sofá, numa soneca,
ninguém vai me culpar, que não se peca,
se acesso nos meus sonhos o sucesso.
Não nego que é preguiça, que sou fraco,
que a vida é que me leva para o saco,
que agora já nem sei por que não cesso.
*** Img in Kurare
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Desprendimento
Desprendimento
Eu sou do nada, do abandono. Vou
na vida desprendida, no vazio,
no vácuo, na lacuna. Não me guio
por meio de sentidos. Eu não sou.
Prefiro o desapego, o desafio
de ser ao me não ser, suave voo,
adepto do silêncio, que remoo,
do jeito de um bovino, baba a fio.
Talvez indiferença lhes pareça.
Que importa se é diverso, ou se aconteça
de modo bem comum? Não me difere.
É mais ou mais ou menos ou é menos,
é tribo de Titãs e de somenos,
ausência de sentido que se infere.
*** Img in - Curiosidades do Mundo.
sábado, 30 de agosto de 2014
Passarela de través
Passarela de través
Desfila seus pecados sobre mim.
Desfila seus pecados sobre mim.
Em nacos, o meu peito sobrevive.
As dores se acostumam... Será fim?
Os anjos já preparam o declive?
Na fila dos coitados, no jardim
em fogo, na secura, não me prive
do orgulho de calar e, por assim
dizer, do precipício que efetive
as sacras escrituras sibilinas,
o gosto por tragédias anilinas,
a tênue mansidão, o desatino.
Se sou a passarela que culmina
no salto de sucesso da menina,
que importam meus traveses, meu destino?
*** Img in - paigedooling
domingo, 24 de agosto de 2014
Ao sol de Campo Grande
Ao sol de Campo Grande
Ao sol de Campo Grande, convidar
alguém, sair domingo, sem destino.
No Parque das Nações, quis passear.
Tentei não ser piegas, um menino
bacana para a mina. Seu olhar
desvia-se do meu. Não determino
a direção. Ei, vamos nos sentar.
Eu amo… Campo Grande, repentino
conjunto de palavras, para quê?
A deixa para mim? Já se prevê:
Eu amo mais você do que a Morena.
Não ri. E eu amarelo. Que vacilo.
Me finjo de insensível ou de intranquilo?
Voltamos de mãos dadas? Quarentena?
*** Img in O grito do bicho.
*** Campo Grande é conhecida como a Cidade Morena.
*** 26 de agosto a Morena completa 115 primaveras.
*** 26 de agosto a Morena completa 115 primaveras.
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Presa
Presa
Sou presa de um destino, de uma vida
cativa no perpétuo diminuto,
na dúvida se devo, ou se permuto:
eu sou a que se integra, dividida.
Sou meio que Florbela, a possuída
por sonhos inefáveis, pelo bruto
roteiro de viver num só minuto
a ascese eternamente suicida.
Às cinzas do que sinto, borralheira,
nos seios de uma lusa, brasileira,
tranqueira de mulher que é pelo fim,
destaco-me na dor, por minha fé,
amálgama de vítima, de ré:
desprendo-me, desprendo-me de mim.
*** Img - by harmonyfinearts
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Inútil não
Inútil não
Inútil não serei, a ponto de não ser
ao menos um a menos, uma nulidade,
um cavo de intervalo para a ambiguidade,
ameno, equilibrado, sem aparecer.
Inútil não serei, que sou pela verdade,
sou vero, ou verossímil, para quem quer ver
o vão que permanece a fim de só viver,
assim, em seu estado, sua qualidade.
Então, para que o ente, resolutamente,
em mim não se interrompa do “dolce far niente”
na rude mansidão, com muita deferência:
Respeitem-me de pronto, que não desmereço,
que ser do meu fulgor, não há como ter preço,
opaco no viés da semitransparência.
***
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Conversão
Conversão
Deprimido, caído em desespero,
confesso, desisti de minha vida
e fiz uma oração de despedida,
pedindo por perdão, a fim de ser o
prefácio do meu ato derradeiro.
Um rito de passagem suicida,
a corda preparada, comprimida
em volta do pescoço... Verdadeiro
pavor, se alguém me visse sentiria,
contudo resisti, que não seria
assim que eu me daria para a morte...
A luz intercessora de Maria
livrou-me desse nó, porque queria
mais um na devoção, e bem mais forte.
*** Img - Jspace
terça-feira, 20 de maio de 2014
Flor 3
Flor 3
O que não tem mais senso já se sente,
perece no sentido de que jaz
e, mesmo se jazido, na semente
da carne apodrecida se refaz.
Apesar do descenso, do jazente,
apesar do decesso, desse gás,
um fogo permanece, renitente,
um quê de cintilância pertinaz.
A pétala perdendo sua cor...
A pele de uma flor de encontro ao chão...
Lá vem a formiguinha para o evento,
nem liga para o fato, se há langor,
desgosto, prejuízo, comoção,
é cândida a delicadeza ao vento.
*** Img in All Pest Express
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Flor 2
Flor
2
A
flor não tem sentido, porque sente.
A
flor é sensações, é gargantilha
no
colo de uma filha adolescente,
que
sonha ser mulher e, maravilha.
A
flor é uma vertente de indolente
visão
do paraíso, uma armadilha
ao
ver as suas pétalas, ausente
de
caos e de universo, na partilha.
Amando-se
sem quê, tem sua vida
na
cômoda função de ser florente
às
custas da beleza apetecida.
A
flor tem seu eterno de repente,
à
luz da natureza, em sua ida
direto
para os olhos, evidente.
***
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Flor
Flor
A flor é um ser que sente, tem sentido.
A flor tem sensações para a partilha.
Porvir adolescente de uma filha
que é linda como um anjo decaído.
A flor é uma garota, uma pastilha
com gosto de hortelã, e é divertido
de ver seu sorrisinho convencido,
de ver sua atitude de guerrilha.
Com moda maltrapilha, de bandida,
na cômoda função de ser vivente
às custas de seus pais, a sua vida
reduz-se a apreciar o de repente.
A cama é seu jardim, lá recolhida
conserva-se a garota florescente.
***
terça-feira, 22 de abril de 2014
Paina
Paina
Por
paina, por um ah, por um suspiro,
se
mata por um cisco, por um nada.
A
morte por tão pouco, dá-se um tiro;
ou
vai-se de arma branca, uma facada;
uma
injeção letal, feito um vampiro,
vampiro
que inocula a definhada
poção
para abismar-se no retiro
do
Cão. Uma paixão disseminada
no morro carioca, no galpão
gaúcho,
na Finlândia, Palestina,
nas
praias de Macau, qualquer grotão,
por
breve sensação, por, por, enfim,
por
nada, por nadica, a medicina
avessa,
que não cura, não tem fim.
***
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Hábito de pele
Hábito de pele
Não quero me salvar, sem condição.
Sou pecador de carteirinha, fim.
Sou pecador de carteirinha, fim.
Mas posso, se quiser de coração,
pedir por sua pele de marfim.
pedir por sua pele de marfim.
Depois do que fizermos, em ação
de graças, sacrifico o meu carmim
nas franjas da inocência… Comoção...
E mando uma oração, mas não por mim...
Eu peço por você, porque merece,
merece do Papai da minha prece,
da sã jaculatória do lodeiro.
Transforma-se o pedido pelo ser
na lótus que começa a florescer
em hábito de pele de cordeiro.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Fala de doutor
Fala
de doutor
do
mestre nem escuto, não merece;
a
sua, que se cale, não me estresse;
a
fala é pantomima de circense.
Só
falam do que sabem, mas não pense
que
sabem do que falam, só parece,
repetem
um saber que não se esquece,
repetem
e repetem seu pertence.
É
tudo ladainha, pandemia
do
mesmo, da mesmice, que premia
o
plágio de um papel já desbotado.
A
fala do doutor foi excelente...
Assim
que se calou, ficou silente:
terça-feira, 1 de abril de 2014
Ao perdão
Ao perdão
Eu peco por perdão, não por descrença,
que sei do azul-celeste que me espera.
Depois da perdição, não se dispensa
um pouco de delonga na quimera.
Eu peço meu perdão, minha sentença,
que eu seja liberado da cratera,
que eu seja liberado da detença,
que eu seja possuído pela mera
vivência de cristão. Se perdoado,
prometo só pecar pelo pecado
e nunca mais pecar pelo perdão.
Espero, requerente arrependido,
o sim do deferente no pedido,
um lote para mim na vastidão.
*** Img GM.
sábado, 22 de março de 2014
À nova estação
À nova estação
Se penso na felicidade, penso
por que sou tão feliz. Como resposta,
apenas o teu rosto vem ao senso,
que tudo se resolve em quem se gosta.
Assim como o sorriso tem no alvor
a chave para abrir o inusitado,
em ti há a residência para o amor
viver a infinitude em seu estado
de sim, a fim do que vier. Não paro,
meu pesamento permanece puro,
na folga da ciência em que preparo
meus gestos de ternura para o duro
momento desbotado, como sono
sem sonho, primavera por outono.
*** Img - in hyperionherbs.
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