domingo, 21 de junho de 2015

Diversos da fé



Diversos da fé

O Silas Salafrário, o pastoreco,
com quem não deveria, à revelia,
brincou de maioral: “Porque eu não peco
aqui, nem nos terreiros da Bahia!

Porque não tem porquê, porque eu disseco
os cultos africanos na sangria,
detono o Preto Velho a peteleco,
Erês ou Orixás são heresia!”

Em nome de Jesus, o nazareno,
ganindo intolerância, seu veneno,
meteu-se o falastrão ao preconceito.

Após uma resposta a sua altura,
saiu o “pentecostes” à procura
daquilo que lhe cala. Bom proveito!

*** Img in flyingfarther

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sábado, 13 de junho de 2015

Soneto repulsivo




Nada contra LGBT e todos os demais. Nada contra aqueles que não acreditam em Deus e não percebem em Jesus Cristo o salvador da humanidade. Nada contra mesmo. Cada um faz de sua vida o que bem (e/ou mal) quiser. Mas utilizar a iconografia cristã de modo acintoso, sob pretexto de performance LGBT, aí sim o preconceito fica explícito: explicitamente contra os cristãos, contra Jesus Cristo, contra Deus.

Soneto repulsivo

O “trans” crucificado de mentira,
é só de mentirinha, mas não é,
desperta-nos repulsa a sua ira
contrária à verdadeira e santa fé.


Perguntem pra “Vivi”: Por que não tira
um sarro da Sharia, põe seus pés
na frente da mesquita, à pombagira,
com busto para fora, ao invés?

Falar de Maomé, o coraixita,
com falta de respeito não convém
às crenças nem ao couro da neném?

Duvido que a coragem lhe permita.
Na hora da blasfêmia, o fanfarrão
prefere a sacra bíblia ao alcorão.

*** Img da "Vivi" in Pinterest.
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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Ao ex-ato














Ao ex-ato

De Exatas, não de Humanas, com efeito,
assim é meu governo racional.
Aqui na prefeitura sou prefeito
perfeito para o bem municipal.

E sou religioso com conceito,
um homem impoluto que degrau
após degrau supera o preconceito
daqueles que se voltam para o mal.

(O lobo sob a pele de cordeiro,
em branco, feito um cheque eleitoreiro,
tem crença no que diz sua sandice.)

Já disse que sou probo, que não peco,
repito o que já disse no GAECO,
sou probo, que não peco, já não disse?!
 
*** Img in portaltucano.
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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Falocêntrico




Falocêntrico

Juiz intolerante, de montão,
só julga favorável sua vista,
o mundo é falocêntrico, machista,
aviso para as fêmeas de plantão.

Preparem-se, meninas, que ele é tão
selvagem, masculino, exclusivista
e mete onde se mete, não se dista
das flores femininas em botão.

É julgador e réu, eis a verdade,
é crime inocentado pela idade
em fraldas de rapaz ginasiano.

O falo é pequenino, mas o id,
maior do que a vontade que preside
o falho julgamento puritano.


*** Img - Dedo apontado - in ursodelata.
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segunda-feira, 30 de março de 2015

Soneto cinéreo



Soneto cinéreo

Porque não sobrevive no varejo,
miúdos amiúde no salário,
um pouco de sorriso com bocejo,
mil sonhos em frugal deficitário;

pretendo que lhe seja, por ensejo
de data decidida ao calendário,
o dia para a morte que desejo,
a morte do sujeito, o salafrário.

Pretendo, pretensão descomedida,
que a cinza resfolegue mais ardida,
que ainda permaneça fumacenta.

Aos poucos a fogueira já vai alta,
o cheiro de queimado sobressalta
e breve eis que a desforra me apascenta.

*** Img - todochimeneas.
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quarta-feira, 25 de março de 2015

À dor



À dor

A dor apenas dói (não me intimida),
restringe-se a doer. Sua função:
impor-se porque sim, por doação,
às carnes pelo fim, e sem saída.

A dor com insistência, tão temida,
tem foco no prazer, como lição
que explora por sutil sublimação
as fossas, os abissos: minha vida.

Quem dera se doesse muito mais,
mais fossem os meus urros, os meus ais,
deveres desse corpo devedor.

Conforto para mim e meu remédio,
melhor do que sofrer ao meio, médio,
transmuto-me a sorrir: "Eu sou a dor!"

*** img in freepik
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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Dura



Dura

O golpe é revertido para quem,
em ato de emoção, se fez o tal:
perdeu, casa caiu, não há ninguém
pior que o ganhador, o maioral.

Perdido, com troféu de "tudo bem",
ganhou mas não levou do que é vital:
o riso de partilha para alguém,
o gesto de altruísmo universal.

Carece nem de fumo nem de pinga,
fez jus a seu fracasso com brandura:
melhor à perdedora, pois não vinga.

Desprezo de quem ela mais amou
transforma-se em paixão, mas não perdura:
perdendo, vencedora se tornou.

*** Img in Endfile.


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domingo, 12 de outubro de 2014

Baile de máscaras



Baile de máscaras

Eu vou me converter à perdição;
perdido, vou cair, vou sucumbir,
lambidas na libido, que lição
insana, que desejo de subir.

Eu vou me converter à conversão,
por fim, por infinito: que há de vir
por mim, em meu socorro, para a ação
de si, de redenção, de redimir.

Ruínas em reconstrução? Não sei.
Não sei se há de dar certo, ou se dancei
sozinho num salão de carnaval,

depois de ter lançado o meu perfume
direto no nariz... Quem é que assume
a ronda de meus erros, tal e qual?

*** Img in Miss.Bonjour.
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domingo, 5 de outubro de 2014

À conversão da flor




À conversão da flor

Em flores, em floradas, em imagem,
em flores de aprazível sedução,
em flores de perfume e perdição,
em flores de jardim, em flor selvagem,

em flores, tudo se converte são,
abelha, beija-flor, uma paisagem,
pintura, borboleta, sacanagem,
um verso de Drummond, é salvação.

Libertas de teus traumas, tuas iras,
no claustro do cristal, já não suspiras
ao fumo nem do cravo ou do jasmim.

Encantam como o canto de Dolores,
segredos, cintilâncias e livores,
as flores... tua conversão... teu fim...

*** Cravo - img in culturamix.
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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A um beijo



A um beijo

Um beijo por amor e, por que não?,
um beijo porque é sim sua resposta,
um beijo que se expõe por que se gosta,
um beijo de querer e de paixão.

Piegas? Vá, que seja!, se me encosta
na língua a sua língua, sem senão,
se o Sol sai lá do céu, vem para o chão,
se a Lua rodopia descomposta.

Apenas um momento, sempiterno,
um gosto de remir que há só no inferno,
um misto de salvar e salivar.

Um beijo, um casamento, uma certeza,
que somos dois sinistros com destreza,
anfíbios encantados a enlevar.


*** Um soneto para o (meu) beijo da Bete.
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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Desistência



Desistência

Se tenho condições de desistir,
desisto de insistir. Sem resistência,
mais fácil de topar e de cair
no fundo dos abissos, na ciência

do caos. Pois, se desisto de investir
no verbo, nas ações, na coerência,
só tenho o que é de mim (sem sobrevir),
o tédio confortável, a anuência.

Deitado no sofá, numa soneca,
ninguém vai me culpar, que não se peca,
se acesso nos meus sonhos o sucesso.

Não nego que é preguiça, que sou fraco,
que a vida é que me leva para o saco,
que agora já nem sei por que não cesso.

*** Img in Kurare
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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Desprendimento



Desprendimento

Eu sou do nada, do abandono. Vou
na vida desprendida, no vazio,
no vácuo, na lacuna. Não me guio
por meio de sentidos. Eu não sou.

Prefiro o desapego, o desafio
de ser ao me não ser, suave voo,
adepto do silêncio, que remoo,
do jeito de um bovino, baba a fio.

Talvez indiferença lhes pareça.
Que importa se é diverso, ou se aconteça
de modo bem comum? Não me difere.

É mais ou mais ou menos ou é menos,
é tribo de Titãs e de somenos,
ausência de sentido que se infere.

***  Img in - Curiosidades do Mundo.


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sábado, 30 de agosto de 2014

Passarela de través



Passarela de través

Desfila seus pecados sobre mim.
Em nacos, o meu peito sobrevive.
As dores se acostumam... Será fim?
Os anjos já preparam o declive?

Na fila dos coitados, no jardim
em fogo, na secura, não me prive
do orgulho de calar e, por assim
dizer, do precipício que efetive

as sacras escrituras sibilinas,
o gosto por tragédias anilinas,
a tênue mansidão, o desatino.

Se sou a passarela que culmina
no salto de sucesso da menina,
que importam meus traveses, meu destino?

*** Img in - paigedooling

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domingo, 24 de agosto de 2014

Ao sol de Campo Grande



Ao sol de Campo Grande

Ao sol de Campo Grande, convidar
alguém, sair domingo, sem destino.
No Parque das Nações, quis passear.
Tentei não ser piegas, um menino

bacana para a mina. Seu olhar
desvia-se do meu. Não determino
a direção. Ei, vamos nos sentar.
Eu amo… Campo Grande, repentino

conjunto de palavras, para quê?
A deixa para mim? Já se prevê:
Eu amo mais você do que a Morena.

Não ri. E eu amarelo. Que vacilo.
Me finjo de insensível ou de intranquilo?
Voltamos de mãos dadas? Quarentena?

*** Img in O grito do bicho.
*** Campo Grande é conhecida como a Cidade Morena.
*** 26 de agosto a Morena completa 115 primaveras.

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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Presa




Presa

Sou presa de um destino, de uma vida
cativa no perpétuo diminuto,
na dúvida se devo, ou se permuto:
eu sou a que se integra, dividida.

Sou meio que Florbela, a possuída
por sonhos inefáveis, pelo bruto
roteiro de viver num só minuto
a ascese eternamente suicida.

Às cinzas do que sinto, borralheira,
nos seios de uma lusa, brasileira,
tranqueira de mulher que é pelo fim,

destaco-me na dor, por minha fé,
amálgama de vítima, de ré:
desprendo-me, desprendo-me de mim.

*** Img - by harmonyfinearts
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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Inútil não



Inútil não

Inútil não serei, a ponto de não ser
ao menos um a menos, uma nulidade,
um cavo de intervalo para a ambiguidade,
ameno, equilibrado, sem aparecer.

Inútil não serei, que sou pela verdade,
sou vero, ou verossímil, para quem quer ver
o vão que permanece a fim de só viver,
assim, em seu estado, sua qualidade.

Então, para que o ente, resolutamente,
em mim não se interrompa do “dolce far niente”
na rude mansidão, com muita deferência:

Respeitem-me de pronto, que não desmereço,
que ser do meu fulgor, não há como ter preço,
opaco no viés da semitransparência.

***
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quinta-feira, 19 de junho de 2014

Conversão



Conversão

Deprimido, caído em desespero,
confesso, desisti de minha vida
e fiz uma oração de despedida,
pedindo por perdão, a fim de ser o

prefácio do meu ato derradeiro.
Um rito de passagem suicida,
a corda preparada, comprimida
em volta do pescoço... Verdadeiro

pavor, se alguém me visse sentiria,
contudo resisti, que não seria
assim que eu me daria para a morte...

A luz intercessora de Maria
livrou-me desse nó, porque queria
mais um na devoção, e bem mais forte.

*** Img - Jspace
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terça-feira, 20 de maio de 2014

Flor 3




Flor 3

O que não tem mais senso já se sente,
perece no sentido de que jaz
e, mesmo se jazido, na semente
da carne apodrecida se refaz.

Apesar do descenso, do jazente,
apesar do decesso, desse gás,
um fogo permanece, renitente,
um quê de cintilância pertinaz.

A pétala perdendo sua cor...
A pele de uma flor de encontro ao chão...
Lá vem a formiguinha para o evento,

nem liga para o fato, se há langor,
desgosto, prejuízo, comoção,
é cândida a delicadeza ao vento.

*** Img in All Pest Express
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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Flor 2


Flor 2

A flor não tem sentido, porque sente.
A flor é sensações, é gargantilha
no colo de uma filha adolescente,
que sonha ser mulher e, maravilha.

A flor é uma vertente de indolente
visão do paraíso, uma armadilha
ao ver as suas pétalas, ausente
de caos e de universo, na partilha.

Amando-se sem quê, tem sua vida
na cômoda função de ser florente
às custas da beleza apetecida.

A flor tem seu eterno de repente,
à luz da natureza, em sua ida
direto para os olhos, evidente.

*** 
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quarta-feira, 7 de maio de 2014

Flor




Flor

A flor é um ser que sente, tem sentido.
A flor tem sensações para a partilha.
Porvir adolescente de uma filha
que é linda como um anjo decaído.

A flor é uma garota, uma pastilha
com gosto de hortelã, e é divertido
de ver seu sorrisinho convencido,
de ver sua atitude de guerrilha.

Com moda maltrapilha, de bandida,
na cômoda função de ser vivente
às custas de seus pais, a sua vida

reduz-se a apreciar o de repente.
A cama é seu jardim, lá recolhida
conserva-se a garota florescente.

*** 
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