sábado, 13 de março de 2010

Haiku - la tormenta se renueva

Cricket - by Joel Prince

Haiku - la tormenta se renueva

era de aquário –
caiu na rede
é peixes

São pavões e penas
voando sobre o jardim –
borboleta apenas.

Vento que me passa –
peço que me leve, já,
ao ar da sua graça.

Meu ego num solo,
até que cai lá de cima
c’um filho no colo.

Poodle, meu irmão,
quer correr atrás de um piu,
mas eu digo “não”.

Pássaros no canto,
fora da gaiola, putz!,
para meu espanto.

Levada da breca?
Necas de pitibiriba!
Tira uma soneca...

Eu não tenho escolha,
desarvoro-me no outono –
árvore sem folha.

No Canadá, né?,
no único país, num só,
o outono dá pé.

Cipreste?
Quem sabe o que é cipreste
entra numa fria...

Meados de abril
é a safrinha da tristeza
aqui no Brasil.

Diz que na Finlândia
o outono é bem diferente
do da Disneylânda.

Estação de fé,
ave! Folhas vão ao pó;
árvore de pé.

Pelo Corpus Christi -
atapetado de flores,
o solo resiste.

Àquele que canta
“Anja!”, vou logo dizendo
que nunca fui santa.

Nem santa nem anja!
Vai, me tampa na panela,
Me chama de canja!...

Crise de saúde
na criança hiperativa –
sono e quietude.

Sr. Núncio Grilo
abriu as galas da noite
com solo de estrilos.

Fuzil nem se abala –
acertou justo na mosca
co’a perdida bala.

Sei, não é ciência,
mas sinto que falta pouco
para a transcendência...

Atitude,
um alien em luz
não se ilude.

Atitude é tudo,
um alien em luz
não se ilude. Ludo.

Estreio o meu sonho...
Mas, nesse palco infinito,
onde é que me ponho?

Por isso me aflijo,
o defunto de repente
se tornando rijo...

Contente? Pois abra
as comportas do silêncio,
contém-te em palavra.

Ecos de resistência,
um bando de periquitos
num galho seco.

Um jasmineiro florindo –
não sei poesia,
só sei dizer: Que lindo!....

Queria fazer um haicai,
mas perto de você
só sei fazer “ai”.

A noite me ensina:
não seja aquele daquela
que fuma na esquina.

Por que o sino dobra?
Aqui não morreu ninguém,
tem gente de sobra!

As árvores centenárias
na frente do IML
não tem nada de frias.

“Solamente un beso”,
mesmo que estejas, oh musa,
acima do peso.

Por amor a Chico,
adoro ver passarinho
com fruta no bico.

Eu conto até dez.
Os pássaros se escondem
dentro de seus cantos.


*** 
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