segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Três sonetinhos da Bretanha

 
Bretagne - par BZH2O


Três sonetinhos da Bretanha


À arte da vitimização

Sou vítima do pai, meu grande amor.
Sou vítima da mãe, foi invejosa.
Sou vítima de irmãos, ai, que temor!
Sou vítima de um céu sem cor-de-rosa.
Legítima na dor em mal me quer,
E querem mais um trisco, os idiotas,
Do bem que me domina, de um qualquer,
São todos exigindo suas cotas.
Seus toscos!, seus encostos!, seus zumbis!
Me picam por nadicas, pela troça,
E ficam tão felizes por um bis,
Um terno de tragédia casca-grossa.
     De quatro dispuseram-me em quitute.
     Aos quintos, seus glutões, por meu desfrute!


Desejos

Mulheres vitimizam-se ao desejo,
desejam, como vítimas da sorte,
que o golpe dos algozes, como vejo,
derrube-as ao abisso, para a morte

pequena, consentida com manejo.
Não vejo o tal desejo na consorte.
Reclama até da cama (percevejo?),
nem beijo, nem chamego, nenhum norte.

O alfanje é como um anjo para uma.
P'ra minha, nem se finge se eu cortá-la.
Pelejo, mas já sinto que se esfuma

meu sonho de agressor. Mais não se fala.
Perguntam se a desejo, ou que se suma?
Desejo, sem contudo desejá-la.


Hagiografia

Compor, a circunstância assim o exige,
No mínimo um soneto de Bretanha,
Um texto que mereça a quem se aflige
Com o látego nos ossos que se entranha.
Opor-se não se deve porque é erro,
É voto de seu clã de pecadores,
Martírio que lhes filtra por aterro
O pó de seu pretérito de horrores.
Espíritos se movem irrequietos
Ao ritmo de ritos ancestrais,
Pungindo mais e mais tataranetos,
Ou outros mais distantes, mais e mais...
     Eu sofro, mas suporto até o fim.
     Do clã, sei que sou vítima de mim.


*** Já passaram pelo Poivre:
Marizete Zanon,
Moacy Cirne,
Cássio Amaral,
Gisele Freire,
fátima,
Cris França,
tonhOliveira,
.intemporal .,
Palatus,
Sylvio de Alencar,
Domingos da Mota,
joo,
Bezerra Guimarães,
Paulo Jorge Dumaresq,
Vieira Calado,
Ava,
José Carlos Brandão,
Walkyria Rennó Suleiman,
líria porto,
Úrsula Avner,
Primeira Pessoa,
Kanauã Kaluanã,
lírica,
Adriana Godoy,
rosa pena,
Casa,
Wania,
Lili Tormin,
Priscila Lopes,
Cristiane,
Essência e Palavras,
Isaías,
FláPerez,
Fee,
Katrina,
CadinhoRoCo,
f@,
[rod],
Rã,
nina rizzi,
Abraão Vitoriano,
Lara Amaral,
nivaldete ferreira,
Thiago Barros,
Lilian Negrini,
Mulher na Janela,
Felipe da Costa Marques,
Adriana Karnal,
Márcia,
Lou Vilela,
Gustavo Felicíssimo,
cristina siqueira,
Mário Lopes,
RUBENS GUILHERME PESENTI,
Marcos Satoru Kawanami,
Bia Pêggas.

*** Amigas e amigos, obrigado! Ah, há novo soneto no Poivre

*** Moacy Cirne publica-nos em nosso Balaio Vermelho.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Poética

Book - by Stoneface

Poética

- para a linguista Ingedore Grunfeld Villaça Koch

Poeta sonetista com pulsão,
Com pulso que ribomba, que bombeia,
Artista que se inscreve em coração
No sangue que lhe corre pelas veias.

Pergunta-se por quê, por qual função,
Medita nos seus versos, titubeia,
Hesita por um êxito da ação
Descrita com figuras a mancheias.

Serei o criador nesse fazer?
Não sinto que estou só, só de cerviz
E viço... Corrobora a condizer

Com o dito, colabora com a matriz,
Não cobra copyright, vou dizer:
Quem lê tem autoria no que fiz.


*** Para desinflar o ego do escritor e inflamar o ego do leitor. Mas, principalmente, para homenagear Koch, a honorável linguista, ou Inge, a "Dama do Texto".

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Haikustorm: one more drip...

 
Japanese umbrella - by Yoshiko Black


Haikustorm: one more drip...

ara!
parla! parla! parla! rapá,
e o par de araras não para!

shit to shut up
in peak to speak
the pair of macaws don't stop

Antes do pecado seguinte,
eu sempre, juro!,
peço perdão.

Before the next sin,
I swear ever and forever
and I ask for mercy.

De rachar o coco,
nada além do dentro oco -
sufoco sem troco.

Vai passar, mas arde -
o coração dolorido
na sessão da tarde.

Não, nada, ninguém,
até que Deus me soprasse
o vento que vem.

O vento não vê,
mas sente arrepios quando
passa por você.

um salto e... opa
o sapo na sapa
sopa

the jump and... loop loop loop
the haiku is a frog
soup

O Sol que se fez
de laranja ao meio-dia
é a fruta da vez.

I see the sun
orange-noon:
is the fruit of the season.

As maçãs do rosto
na filhinha adolescendo -
quem desfrutará?

Checks the tree,
the apples are maturing -
tennager cheeks.

Nas plumas um plus,
que esses pássaros cantando
são "faça-se a luz".

De noitão desci,
fui pitar lá no horizonte -
riso de Saci.

Não sei, não, mas, ó!,
pelo vapor da chaleira,
noite de toró.

Minh'alma dá tchau
para a carne que vai (ai!)
para o carnaval.

A chama a compor
uma paisagem sinistra
toda de isopor.

De volta ao porão,
geme a lesma num acesso -
"Ai, que calorão!"

Uma brisa calma
faz leque da palma e prova
que as coisas têm alma.

elipse
lhasa apso
lápis lazuli

ellipse
lhasa apso
lapis lazuli

Se estivesse morto,
abriria bem os olhos,
sorriria ao horto.

CTI, já torta,
a terminal delirava -
"Vai chover na aorta..."

Do horizonte em linha,
dos mistérios d'além mar,
eis a marolinha...

O tempo não peca -
da pétala perfumada
brota a folha seca.

A lua, a gaja,
é um bigode celeste
que raja.

Obviamente, a fórceps:
The moon had
a cat's mustache
For a second
- Jack Kerouac

Nã na ni Nanã -
é do pântano da noite
a água da manhã.

A palavra me vicia.
Multiplicai, Ó Pai!,
o pão da poesia.

O ursinho moderno,
que se aquece globalmente,
hiberna no inferno.

Pode ser a ausência
a presença de ninguém
melhor do que eu mesmo.

C'est l'absence
peut-être la presence
des sens.

Quero missa! Messe!
Até que a lua adormeça,
dia de quemesse.

eu me sinto o tão
eu me sinto o tao
horizontotal

A pele tirana
que me dana, arde instantânea -
uma taturana.

Mano humano, gente,
honesto, humilde, isto é,
nada muito urgente.

Meio-dia, sina
de sol a pino e seu hino
que não desafina.

Pele d'água e sal -
a cachoeira festiva
da fonte estival.

Du sel et de l'eau -
cascade de fête,
l'eté de la peau.

Pássaro, do tanto
que se encanta, nem pergunta:
Com canto, ou sem canto?


***

domingo, 31 de janeiro de 2010

Um dueto de duas

 
Love - by darkbutterfly6


Os textos aqui foram escritos a duas mãos, a mão direita da Gisele Freire e a mão direita do Henrique Pimenta .


.....Já coloquei a água para fazer o chá. Não há mais um segundo a se perder. Enquanto a chaleira não chia, vamos fazer suor.

Osso, carne e pelo,
pitadinha de criança,
cachorro amarelo.

domar
não sei
só sei do mar

Samambaia ao fim,
é o seu berço sepultura -
vaso de xaxim.

Cantei a viúva,
mas ela chorou dilúvios,
e eu dancei na chuva.

Teu peito me enfurna
por minha plenilunar
estada noturna.

ai! se esse sol
se ergue...
iceberg!

Não é coisa pouca,
todos os mares de amar -
um beijo na boca.

tarde sem fim
arde e não finda
em mim arde afim
mais tarde ainda

.....As velas refletidas nos olhos de seu amor compuseram duas ou três fotografias. Agora deveria ter a coragem para revelar-lhe, enfim e para sempre, as trevas.

névoa da noite
sopro de algodão
pirilampos de papel

O álcool fantasia...
O éter extasia... Mais
mal-estar e azia.

Em sonhos, pelado,
as asas tão gigantescas,
que dorme de lado.

Solidão na rua -
o Sol apareceu e
"Vamos passear?!"

.....Um homem santo precisa interromper sua meditação para afastar um inseto. Mansidão. Poucos minutos depois, o pernilongo mirim pousa numa flor de lótus e segreda a si mesmo, antes do silêncio: só me levantarei daqui depois de atingir a plenitude.

MUITA SOLIDÃO
MULTIXXXIDÃO

Há maçãs e assomos
à mesa, de sobremesa  -
pomos do que somos.

acho que a cachoeira chuá
ou seria chuva
vá!

Ao demo talhado,
ar de ardendo os seus ardis -
gato no telhado.

.....Era uma plantinha minúscula, um jasmineiro. Crescia mais e mais. As flores brotavam e recendiam sua essência pela casa. Seus ramos adentraram pela janela do quarto. A discrição teve fim e os ramos passaram a invadir todos as janelas, portas, frestas... Hoje as flores são cachos sobre a cama de Alba.


***

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A Mônada

 
 


A Mônada

A Mônada desceu de tobogã,
em íris, para a porra de viver.
Que saco! Que cacete! Que manhã
de trevas! Que porvir, ver e vencer!

A Mônada evolui porque é pagã,
ai!, ui!, o seu dodói é o seu haver,
entanto sua pena em Canaã
promete-nos um deus humano ser.

Milênios de tortura para a glória
de um cristo ou avatar (pô! mó dífícil!)
na crista que redime purgatória.

Martírios com doçura por ofício,
mas der'um cambapé na trajetória
e A Mônada sambou no sacrifício.


***

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Do limo


No mud, no lotus - in  Reclusland

Do limo

Eu penso, carrossel não é hipismo,
Eu penso antes da cunha da Suméria.
Dispenso o vão consenso porque cismo,
Eu cismo pela azêmola da artéria.

Altíssimo faminto por abismo,
Direto para a fenda na matéria,
Mistério que é de dentro, cataclismo,
Um selo para a trama deletéria.

Abrindo-se no pântano, pungente,
Brotando para a seiva de meu imo,
A vida à superfície intransigente

Demonstra a mim o monstro que sublimo:
Se o fôlego na argila me faz gente,
Ascendo messiânico do limo.

 
MUD - in Merriam-Webster
1 : a slimy sticky mixture of solid material with a liquid and especially water; especially : soft wet earth

*** Plus des non-senses au @bardopimenta.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O musgo












 


Moss - by AlexEdg



O musgo

O musgo se delicia
de seu frescor
de mama de lagartixa
apoquenta o cinético da podridão
por um processo tão simples
quanto seria a fazedura de amanheceres.
O musgo delineia curvas
passeia abandonos
paradisia entulhos
transporta como transpõe
todos os obstáculos
para a gênese da gosma
contra a tecnologia do vir-a-ser niilista.
Ele matuta matuta
se apercebe casulo de gelatina
rejuvenesce o mineral
lhe estapeia a maioridade
com as mãos inefáveis de Deus Pai.
O musgo junge.
O musgo gera.

Esse musgo!...


Os musgos são representantes do grupo das briófitas e como tal são desprovidos de vasos de condução e tecidos. São constituídos por caulóides, rizóides e filóides. São plantas criptógamas, isto é, que possuem o órgão reprodutor escondido, ou que não possuem flores. Preferem viver em lugares úmidos (são dependentes da água para a reprodução, cuja fase dominante é a gametofítica) e com sombra (umbrófitas). Geralmente atingem poucos centímetros de altura justamente por não possuírem vasos de condução de seiva. (- in Wiki)

*** Obviamente, esse texto elegeu como sua mãe a poética de MB.

*** .atnemipodrab: rettiwT ne emriuges edeup detsu, aesed ol iS

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Haikustorm again


Dandelion... the last - in vi.sualize.us


Haikustorm again

haiku's torn / haiku's thorn / haikustorm  - H. Pimenta
haikai com kigo / jaz / igo - ibdem

Mais do que flor... era.
Não fosse tão natural
numa primavera.

Não! Nem mais um pio!
O filhotinho voou.
O ninho vazio.

Mãe solteira sai
e entrega o recém-nascido
ao solteiro pai.

Beleza num golpe:
o pulo cheio de estilo
da rãzinha pop.

Cultos pelos ais -
epitáfios de sepultos
se sentindo os tais.

Variação pesadinha:
Cultos pelos ais -
epitáfios desse putos
se sentindo os tais.

Sem tônus, o ônus -
os anos se empalidecem
por tantos outonos.

Desfruta, que acaba -
tanto faz se é mangabeira
ou pé de goiaba.

Tuíta, se queres.
Para escrever "tudo" ou "nada",
quatro caracteres.

Verão se repete
e, de novo, Hollywood
vai pintar o set.

Versão careta:
Verão se repete
e, de novo, a natureza
vai pintar o sete.

O humano se faz
contra símiles e si,
se o juízo jaz.

Lagarta não ousa,
em sonhos de borboleta,
nascer mariposa.

Dinheiro hi-tec,
sem cheiro ou cor ou papel,
com salamaleque.

O pai enriquece.
O bom filho à casa torna -
e sem GPS!

Se o medo não veio,
não há pânico; porém,
um leve receio...

O vento cicia
essências de longe, e o junco
lhe reverencia.

É de que país
esse arco-íris brotando
sobre o chafariz?

A lua minguante
vai pelas trevas. Por mim,
uma dor gigante.

Se amar for um grifo,
sou especialista nisso:
"Noiva! Casa! Sifo!"

Inseto com asa
não se contenta com as solas
no piso da casa.

Troféu para o ódio:
ter o maior inimigo
dividindo o pódio.

Não discuto o poro -
se pintar um clima, coro;
se não, iguinoro.

O de cima é uma releitura de
não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino
(de Paulo Leminski) 

Atitude zen
é a do monge maltrapilho
pilhando o armazém.

Um pintor sem tela,
sem tinta, tripé, pincel,
pinta com cautela.

Variação:
Pintor sem tripé,
sem tela, tinta e pincel,
só se pintar fé.

Lagartixa albina
no teto, como nas trevas
a lua rapina.

As flores se lançam
de seu berço de soberba,
que os ventos balançam.

É o zunido gongo
que me acorda ao pesadelo
desse pernilongo.

A grama amarela
no tom - eu vejo do outono
da minha janela.

Versão didático-filosófica:
Toda flor é bela -
depois de limpar os vidros
da minha janela.

No caos que polvilhas
a caminho do cristal,
há mil maravilhas.

É branca e vazia,
como nos Alpes, a cuba
onde a aranha esquia.

O canto decola
do passarinho penado
dentro da gaiola.

É  jóia de minha
coleção de luz e assombro
uma joaninha.

O galo, de novo...
"Se não cantar direitinho,
tu vai levar ovo!"

Mudança de sexo,
o cirurgião pergunta:
"Côncavo, ou convexo?"

Variando:
Mudança de sexo,
o cirurgião pergunta:
"Latino, ou complexo?"


*** Gisele Freire me publica no Vastas.
*** .atnemipodrab: rettiwT ne emriuges edeup detsu, aesed ol iS

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Dois poemas (acho que) complementares

"Cada lector busca algo en el poema. Y no es insólito que lo encuentre: ya lo llevaba dentro." 
                                                                                                          Octavio Paz


Destino persecutório

E quem me persegue
Será que me alcança?
Quero que me cegue
Aos olhos a lança.

Lanceia também
O peito sem crença,
Os homens sem bem,
Seus bens e despensa.

Eu, negro judeu,
Branco muçulmano,
Nem mesmo por Deus
Seria hum... humano.



Fallen road - by  Rengim Mutevellioglu



Imóvel

Ao pensar por mim
Pensei que de incerto
Nada havia assim
E, portanto, perto.

Ao sentir-me em "in"
Senti que por certo
Entre não e sim
O portão, aberto.

Depois, então, fim.
Na hora do acerto,
Pouquinho de aperto,
Raiz de capim.


*** O camarada Sylvio Alencar nos divulga no seu blogue, o E, terna luz.
*** !oialaB on, zilef uotsE

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Haiku: the return of the storm!

 
Kazuo Ohno - von Thomas Ammerpohl


Haiku: the return of the storm!

- to my friend Lírica


Kazuo Ohno, the crow -
defoliation in the spring,
blooms in the fall.

Mestre Kazuo Ohno -
desfolha na primavera,
floresce no outono.

Alto lá! - gritou-me,
à distância de uma senha.
Vou tentar "amor".

A prova dos nove
é ser o mesmo na chuva
e quando não chove.

Deus não corre riscos:
ao recolher seus trovões,
nos manda coriscos.

Mais um amor, pois:
reparto a pena por três
e o meu peito, dois.

Aos olhos é lindo
tudo o que se há por viver,
todo o tempo findo.

Se não lava o pé,
o sapo mal educado
de Bashô não é!

Eu tô de pileque?
É a Madame Butterfly
traveco com leque?!

Em ti não confio,
que minha teia é desvio -
sozinho me fio.

Árvore em frangalhos
devido ao vento, tremendo
doutor quebra galhos!

Eu não sou fiel
à fêmea somente em mel.
Tenho fé no fel.

("Fé no fel" é um koan que me foi ensinado pelo poeta Felipe da Costa Marques.)

Mal do coração,
prefiro a dieta-fim
à razão-ração.

Antes era "neve";
agora que o Sol nasceu,
"água" é o que se escreve.

Before it was "snow",
but the sun has risen -
"water" is now.

Chuva ao fim do mundo.
Cinza, para o show de luzes,
é o pano de fundo.

O bem dissemina,
florescendo no Brasil
hibiscos da China.

Que haicai do inferno!
É primavera, verão,
outono, ou inverno?!

Todo o meu juízo
são dentes para sorrir
o justo sorriso.

Oui! Je suis d'accord!
Mon contraire couer, le divers:
vous êtes de l'or.

Quimono despido.
Me deixa a neve da gueixa
de queixo caído.

A gueixa arrebol:
um encontro de contrários,
da neve com o sol.

As dores de cor,
felicidade não há,
mais nada ao redor.

A casa não zanga -
as flores são do quintal;
do jardim, pitangas.

Em meditação,
assim que eu fecho os meus olhos,
luz, câmera, ação!

Espírito baixa -
as águas de madrugada
vêm encher a caixa.

É caso de espanto,
papeia a casa com o vento
meia-noite e tanto.

"Faça isso! Ouça!
Não faça aquilo!" Mas chove
e eu pulo na poça....

Hoje o que eu não fiz
amanhã repetirei
para ser feliz.

Vou morrer um dia,
mas se eu morro dia a dia,
nem adianta, adio!

O cachorro chora
com o cheiro da cadelinha
que passa lá fora.

A chuva não fica,
liquida-se num instante,
pega a mula e pica.

Nunca se repele
um beija-flor no jardim,
ou à flor da pele.

Ser livre é o meu lar -
misturo raio de sol
com luz de luar.

As folhas de outono,
ao sabor da brisa branda,
brincam de abandono.


*** .ervioP on roma ed otenos mu àH