quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Um anjo de origami


Angelheart - in Image Shack


Um anjo de origami

Severa foi comigo, por demais,
Um anjo com asinhas de condão,
Cobrou-me que eu não fosse um incapaz,
Palavras que assinalam um senão.

Amores sem veneno, originais,
São como os origamis do Japão,
Não podem ser perdidos, são da paz
O símbolo que evoca o coração.

Comungo simplesmente e não esbanjo
Do simples por soberba de artifício.
Percebo-me um estúpido marmanjo

Que agora se demove desse ofício.
Na dúvida não há, disse meu anjo-
Libélula-fadinha, sacrifício.


***

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Impressão

de vastas


Impressão

As cores de uma dúvida não há.
Um cinza é o que permeia sua ação
no peito, ou mesmo, cérebro. Sanção
ao certo dominante. Não será?

Será de uma incerteza, de um agá,
incógnita qualquer, uma lição
de vida e de seu fim. Sem solução,
é o solo de soluços que virá.

Há lágrimas no bojo do orbital.
Satélites de pânico no banco
de imagens incolores. Festival

de angústias. Frustrações. E é desse tranco
que tranca, trancafia-se em real,
que a dúvida se imprime em preto e branco.


***

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Apelação
















 in Deviantart



Apelação

Apelo da musa
ressuma-se em canto
por sonho de etila.

Apelo da lira
que toca desejos
pelo pentagrama
da cama de vinho.

Para além das flores
que flanam de Graça,
esparge seus pontos
de luz e de sangue.
Sólido perfume
azul... extasia
a soma difusa.



*** Mestre Moacy Cirne publica minha pornografia no Balaio. Ai, ai, ai...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Piano











in Deviantart


Piano

Silêncio, nem inseto. Você disse
com cólera, melhor que você vá.
Eu penso que, talvez, se eu consentisse,
calasse e me sentasse no sofá.

Não pude. Eu explodi. Que esquisitice
de amor que não se acalma. Você vá
à puta que o pariu! Não discutisse,
talvez. Não se tornasse bafafá.

Eu fui. E de um piano com bolor
o som de um blues monótono, pesar
na lágrima, desgosto, dissabor.

Na boca apenas sal, nenhum vapor.
No céu não há mais sol. Não sei rezar.
Piano no seu solo de estupor...


*** Lívio Oliveira, poeta e agitador cultural da terra do sol, publica-me n'
     O Teorema da Feira.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Rock'n'roll

Rock'n'roll

E rola sentimento no brinquinho,
E vai de rolamento no brinquedo,
Rolando o que se sente com carinho,
Com o rolo compressor, mas em segredo.

Enrola o quanto der e faz beicinho.
Enrola mais, mulher, porque ainda é cedo.
Enrola o pretendente com beijinho.
Enrola, que é recente mostrar medo.

Um lero bem ameno sobre nada
Que importe de verdade por agora.
Silêncio vez em quando a revelar...

Sorria. Experimente uma piada.
Até que é já momento, dia, hora:
Agarra logo o cara, vai rolar!




















***

sábado, 7 de novembro de 2009

Entrevista inédita




Camarada Lívio Oliveira disse que eu ficaria muito famoso se lhe desse uma entrevista. Tá... eu acreditei nele...


L.O. E os sonetos? Essa escolha - para alguns - poderia soar como algo "retrô". Você, no entanto, tem demonstrado uma renovação na modalidade poética...
H.P. Lívio, falando numa boa, eu não tenho medo de ser chamado de retrô. Há, inclusive, amigos que tentam me tirar do sério me chamando de “neoparnasiano”.(...)


L.O. Escrever é para sempre?
H.P. Pergunte-me sobre isso daqui a umas sete encarnações, pelo menos!


Para a entrevista completa e, principalmente, para me fazer o poeta mais famoso do mundo, rápido, clicai O TEOREMA DA FEIRA!


*** E Mestre Moacy Cirne me publica no Balaio Porreta.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Ao velho tema de novo

Ao velho tema de novo

O tema se repete e, repetido,
dispensa a perfeição, porque se basta,
se desenvolve bem ao pé do ouvido,
ou, olhos de leitura,  para a pasta

que é dentro: coração. Como um pedido,
pedido deferido, não se arrasta
nos trâmites de fórum distorcido,
tão simples e tão súbito se afasta...

Ao longe, no pertinho dos amantes,
se alongam numa dança para Shiva,
cobertos pela gênese de antes,

libertos para a vida em carne viva,
abertos ao Eterno por instantes:
apertos e murmúrios com saliva.


 Farewell by Gidiculus



***

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Germinal


Silent wood - in Deviantart


Germinal

Amor... se o silêncio já compôs
trabalho bem melhor, eis o problema
de quem (glupt!, porque há crítica depois...)
escreve e se descreve no dilema.

O senso que o vocábulo dispôs
após outros vocábulos, poema
de inversos e de avessos e de, pois,
ascenso carrossel de polissema.

Não basta ser aos olhos de Narciso.
Não basta a florescência de um oposto.
Não basta a cintilância de um sorriso.

O amor é intransigente, não permite
que a cólera não chegue ao fim proposto,
à paz que nos detona a dinamite.


*** A poeta Líria Porto, de Tanto Mar e das Putas Resolutas dialoga-me aqui
*** O Exmo. Sr. Moacy Cirne publicou-me ora no Balaio Porreta.


terça-feira, 3 de novembro de 2009

Dos quilinhos a mais


Seatead Woman by Botero - in Deviantart


Dos quilinhos a mais

Diverso o modelito para a dama,
Tecido cor da pele, não destoa
Da tara deste Inmetro que se doa
Sem regras. Sou feliz a cada grama.

Pressionam-me uns quilinhos sobre a cama.
O corpo sobrepesa assim, à toa.
Respeito o que há de estética, na boa,
No quilo que há naquilo que se ama.

Alegre, localizo-me nas dobras,
Nas obras da gordura, porque eu
Me regozijo pela curva à sobra

E valorizo o que você comeu.
E como me sacio se soçobra
O peso do seu corpo contra o meu!...


*** Há dois textos nossos na  Antologia Bloética.


domingo, 1 de novembro de 2009

Campesinato






Campesinato

Sol desaparece
numa profusão
de melancolia
sem pai nem mãe
para a renovada
dor em releitura
ré não há varanda
não
não à janela
a romantiquinha
claustro para a formosa
mil geografias
na pele

Desapareceu o coreto
a banda do Sêo Orlandino já passou
de há muito muito mesmo
Olvidaram todos a nostalgia
Ninguém mais se arrisca
a comprar naftalina
para colocar no armário
cocô de cupim
e os vestidinhos um amor
excreção de traça
O Manuel da venda
foi lá pras bandas do cemitério com o saudosismo
dos cheiros que as infâncias
lapidaram em cristais de açúcar

A barbearia
essa estilhaçou-se
como espelhos que ao
se multiplicarem em vitrilhos de azar
inaugurariam uma exposição caduca
sobre espiritismo e macumbaria

Quando havia ali uma parede
encerrava-se pelo menos
uma foto da família
na frente da igrejinha
de costas para a cruz
inadiável
Fosse uma das meninas
casar com fazendeiro rico
Um dos rapazes
dar o cu em Nova Iorque
Mas não
ninguém sairia daquela chapa


***