sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Hospício?



Hospício? 

Hospício? Mas não é nomenclatura
que cabe direitinho para a malta?!
Entanto não há médico nem cura,
que os casos são gravíssimos, em pauta.

E, quando na tribuna, sem postura,
diz nada e vai nadando, sobressalta,
o louco de braçadas, na loucura,
seu verbo sai aos jorros e lhe falta.

São todos ininteligíveis, tanto
que asneiam copiosos, entretanto
supõem-se luminosos e corretos.

O hospício se concentra no Planalto,
contudo os insensatos vão de assalto
a tudo quanto é canto em seus trajetos. 

*** Img in sobreomedo.
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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

À tríade



À tríade

Um macho, uma mulher, uma ambição,
a tríade comunga dos eventos
normais, inusuais comportamentos
à vista da pretérita noção.

Eu acho que não devem, que é malsão,
não devem, que é profano, sem provento,
não devem, nem preciso de argumento
a fim de que se queimem por sanção.

Um macho, que mal faz, se só deseja?
Mulher, que há de fazer, se sã sobeja?
A dupla vai à mosca ambicionada.

Deixemos que se fartem a seu jeito
e, fartos da ambição, se houver rejeito,
a trinca se desfaz, penalizada.

*** Img in Pinterest
*** I'm thinking in "Ambitious Lovers"... Do you remember?


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domingo, 14 de agosto de 2016

Precisão paternal



Precisão paternal

"Ser mãe é padecer num paraíso!",
o verso nos ensina há longa data
um lema tão correto quão preciso
acerca da mulher, o homem constata.

Ao macho não há verso nem juízo,
persona secundária, caricata,
em nível prescindível de improviso,
carece de atributos o primata.

Ser pai é ser o quê? E quem responde?
Silêncio sepulcral... Não há resposta...
Silêncio que prejulga prejuízo...

Ser pai, lá nas minúcias, não se esconde,
ser pai, numa sentença decomposta, 
ser pai é o pau descer se for preciso.

*** Img in clipartpanda


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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Mina descarnada


Mina descarnada
 
Soneto mal começa, já termina.
Sem meio promissor, o que lhe resta?
Nem brilho para os olhos, não há festa
nas linhas, entrelinhas, não há mina

que esgote em chafariz ou em piscina
em alta temporada manifesta
por moças e mocinhas, uma fresta
de vida sorridente em sua sina.

Soneto na divisa da derrota...
Não poupem tilintares para o sino!
Ribombem campanários ao Divino!

E saia da piscina a meninota,
murcheça com vigor de moralista,
a fim de recompor-se este estilista!

*** Img in FOXNEWS

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quinta-feira, 21 de julho de 2016

Melancolia



Melancolia

Eu vou reproduzir pelo caminho
rancores que, silentes, dilaceram
sentidos sentimentos que antes eram
um salto de circense e... remoinho.

Eu vou para os abissos, para o ninho
da dor, aos meus pertences, que perderam
as cores da aliança. Preponderam
os cinzas, os negrumes, o moinho.

Meu Deus, por que das tramas, labirinto?
Meu Deus, não me perdoe porque sinto
vontades de morrer e de matar.

Nem houve gravidez ao ressentido,
nem quê de sentimento, de sentido.
Rastejo pelo resto que há de ar.

*** Img in Interpersonal-Compatibility.



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sábado, 16 de julho de 2016

À arte do soneto





À arte do soneto

Labuto no soneto pá de tempo,
um puto sonetista diletante.
Só penso nessa porra a todo instante,
me meto por escolha em contratempo:
perdi namoradinhas, um emprego...
Ganhei? Sou perdedor repetitivo,
fracasso nesse esporte, gelo estivo,
capricho no que traz desassossego.
Enfim, eis o meu fim classicizante,
fazer e refazer perfeccionista
uns versos que nem sei se são conquista,
malogro, ou meio-termo... Vou adiante,
          adiante há retrocesso, precisão,
          o mínimo sentido, com razão.

***




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terça-feira, 5 de julho de 2016

Nota



Nota

Comboio dirigido por ninguém
nos trilhos da perfídia parasita,
rumando para o abismo da desdita,
são todos conhecidos nesse trem.

Política não serve para quem
só teme a inteligência, que exercita
miolos, se sai bem e sai da grita
dos tolos que a toleram e a mantêm.

Desista de sentir uma peninha
do povo que se exalta por daninha
medida que lhe é contra a posição.

Insista na ganância de aprender,
em tudo o que se ganha ao não perder
o tempo imprescindível de instrução.

***
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sábado, 18 de junho de 2016

Aniversário, mas eu queria dormir



Aniversário, mas eu queria dormir

Eu envelheço em Campo Grande, aqui,
deitado no sofá… No meu silente
soneto sem lamúria, a minha lente
de ver é penetrante e é nem aí

à data que envelhece (envelheci?)
seu dono levemente sonolento,
um homem que é tão lento, mas tão lento,
confunde-se à criança com pipi:

a fralda a ser trocada pelo pai,
o pai, seu Odalício, militar,
sorri para o malandro que pranteia.

E penso em minha mãe, no que se esvai,
avós e em meus irmãos e em reatar
o sono: amortecer-me em sua teia…

***

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domingo, 12 de junho de 2016

Amar?



Amar?

                        “Amar se aprende amando” - Carlos Drummond de Andrade

Amar? Não aprendi, sou aprendiz
ainda verdolengo nesse ramo.
Mas sinto com você, por quem me gamo,
um quê de inflorescência que prediz


os frutos saborosos. Desprogramo
o plano detalhado que mal fiz,
a fim de refazê-lo na raiz,
a fim de doutorar-me em “eu te amo”.

Começo, pois, do zero, porque aprendo
que amar se aprende amando, na partilha
daquilo que mais vale, convivendo,

vivendo o dia a dia coerente,
rumando pouco a pouco numa trilha
que leva para fora da corrente.

*** (Para dois aprendizes: Bete e eu, hoje, em pleno dia dos namorados).

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sexta-feira, 3 de junho de 2016

E a guerra continua...






E a guerra continua...

Avanço? Se é pergunta, não respondo.
Pondero… Refletindo… Recuando...
Em dúvida, se afirmo... Para quando
você me está pedindo, ou pressupondo?

Eu quero o do mais rápido, um estrondo!
Agora, se possível! Sou do bando,
preciso de ir adiante, no comando
ao menos do nariz! Ainda sondo...

Avanço? Tem certeza do pedido?
Não tenho. Quem teria? Quem a tem?
Arrisca-se: Em hipótese, ninguém!

Quedamos lacrimando… Retraído,
declaro que merece tal progresso...
Sangrando cá por dentro, me despeço.
 
 *** Img - Movimentação da Força Expedicionária Brasileira na Itália (Arquivo do Exército Brasileiro)
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sábado, 28 de maio de 2016

É o velho



É o velho

É certo que a justiça já não tarda,
virá com julgamento, punição,
ao velho perseguido porque não
se alinha nos conformes, não tem guarda.

Aquele que difere do que brada,
mantendo-se em silêncio, na razão,
é tido como contra, sem noção,
talvez um inimigo, de emboscada.

Não sabem conduzi-lo para a frente,
nem mesmo, retaguarda. Qual lugar
lhe cabe na medida singular?

É o velho na velhice, indiferente,
é o velho diferente e tão normal,
é o velho: referência jovial.


*** Img - Walt Whitman.


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sexta-feira, 18 de março de 2016

Ele adora a desgraça azul - livro de contos





CONVITE:

O meu livro de contos "Ele adora a desgraça azul" será lançado nesta sexta-feira, 20 de maio, às 18h, na Cafeteria NIS (Rua São Félix, 47, Vilas Boas, Campo Grande-MS).
Valor: 35 reais.
Editora Mondrongo.
190 páginas.

[Os amigos de outras localidades podem adquirir o livro no site da Mondrongo - ou entrem em contato comigo pelo email bardopimenta@yahoo.com.br.]

O livro foi prefaciado pelo poeta Renato Suttana.


***
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sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Ereçãozinha




Ereçãozinha

Eu penso que seria bem legal
por mim e para mim virilidade.
Eu vejo nos pornôs um bananal,
uau!, longa-metragem de verdade.

Os caras permanecem com seu pau
ereto por instantes, que maldade!,
na boca das atrizes, anormal!,
um tempo que parece eternidade.

Queria, vou pedir, um simulacro:
o macho sedutor, com meu pauzão
a ponto de ebulir, porque eu massacro!

Um homem para mim, por meu desfrute:
um homem, o meu pai, o meu irmão,
o filho que não tive e repercute.

*** Img by Pearson Scott Foresman.
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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Ao chefe


Ao chefe

Espero pelo chefe. Está atrasado
de novo. Que desculpa, dessa vez?
Problemas de família, de casado?
As filhas? O gatinho siamês?

Depois, o seu discurso formatado
em curso de MBA, com seu viés
de gringo com promessas, devotado
às metas, ao sucesso: NOTA DEZ!

Se pensa que engambela a maioria
com frágeis argumentos, gestual
robô, de simulacro da alegria,

engana-se, que o grupo delibera
fingindo-se esperança, mas, normal,
já sabe o desespero que lhe espera.

*** Img in tumblr.
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sábado, 31 de outubro de 2015

Como publicar um livro



Como publicar um livro

Não há necessidade de um autor,
nem mesmo de papel por instrumento,
de lápis, de caneta, de leitor:
os temas desenvolvem-se a contento.

Besteira de quem pensa que é escritor,
poeta, ficcionista: seu invento
se dá por autogênese, sem dor,
sem flor, sem fantasia, sem talento.

À guisa de salário, dos otários,
recebe-se um qualquer, para criar
o livro original: lá vem migué!

A malta de iludidos literários
encanta-se à palavra a pulular
diante de seus olhos: que mané!

*** Img - o imortal Paulo Coelho  in PCF.
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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

À consciência polida


À consciência polida

Se informo o que não sei; de inteligência,

não privo o cocuruto; diferente,
não minto o meu limite e vou em frente,
em busca do que resta à coerência.

Um homem coerente, com decência,
com lodo passadista, competente
aos olhos do passado (não, presente),
eu vivo na polida consciência.

Estudo responsável, disciplina
viril e varonil, uma rotina
de chumbo, pesarosa, necessária.

Não sei, mas informei, do que é total,
por isso condecoro-me de o tal,
o tal que não se dista da alimária.

*** Img - Camelo de pelúcia in Pelucy.

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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Mais um tema tentador



Mais um tema tentador

Um tema... que problema!, que tormenta!,
é quase tempestade tropical,
é risco de alguém morto, ou que dementa,
um ser que já não é, um tal e qual.

Me dizem, desenvolva, nem esquenta,
é fácil de escrever até o final,
inventa, feito sangue de incruenta,
inventa, feito um pobre pantanal.

Escrevo um sonetinho, desenvolvo:
fugindo dos tentáculos do polvo,
liberto meus testículos da capa.

Ao fim: eu determino que há renovo;
primeiro: da galinha, vem o ovo;
no meio: uma razão que nos escapa.


*** Img in Octopus Polvo.
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domingo, 25 de outubro de 2015

Ao tema dos espinhos






Ao tema dos espinhos

Um tema espinhosíssimo? Melhor
ousar e nem tentar uma abordagem...
Silêncio de maçom, que sei de cor,
em Ísis, em pirâmides, na aragem

ardente do deserto, no suor
que excede por demais a maquilagem...
Ó selo dos segredos, ao menor
sinal de esoterismo: uma passagem

serena para o solo do Inefável
indica porque o Nada é bem durável
e o Fim é especular: um espetáculo!

As tramas da linguagem, quietei...
O tema dos espinhos, evitei...
Agora, quem me livra do tentáculo?...

*** Img -  Pixabay
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domingo, 27 de setembro de 2015

Se claro já não vejo, desconheço




Se claro já não vejo, desconheço

Se claro já não vejo, desconheço
as cores da estação Contentamento....
Se a mente já me folga de momento
tranquilo, mansidão já não mereço...

Se verto o cronológico progresso,
em via de desvios, vão evento...
Se alheio da Ventura, sou cinzento,
na senda que me leva ao retrocesso...

Suspeito que não sou do São Paterno,
suspeito que não sei do Sempiterno,
suspeito que me privo da Verdade.

Assim, na hesitação da inteligência,
eu perco o que é de Vós, por indigência,
“buscando amor em vossa crueldade”.

*** Diálogo com o soneto de Camões: “Ja claro vejo bem, ja bem conheço”.
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sábado, 27 de junho de 2015

Árido


Árido

Nas tendas desarmadas, senescência,
o nada semovente e sentimentos
a base de alcatrão: os fundamentos
da tribo do deserto da existência.

É vento o que escutamos? São lamentos?!
A areia é sob os pés, ou, resistência
em forma evanescente? Paciência…
Em ondas, pulverizam-se os momentos…

Apóstolos, profetas, indomados,
os santos que viveram calcinados
despiram-se da pele nesse espaço.

E, nós, o que faremos? Não faremos.
Em caravana, apenas passaremos.
Não termos um roteiro é o nosso paço.

*** Img in reusableart.
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