sábado, 19 de novembro de 2016

Bodas de separação



Bodas de separação

Sabemos que foi erro, nós corremos
demais e, já sem fôlego, promessas...
Marcamos o momento bem às pressas:
o fervo com pressão para os extremos.

Sabemos que foi erro, não tememos
os idos... o futuro... O que interessa
é meio surreal, é bom à beça,
sentir-se um ser amado com seus demos.

Você não se esqueceu, pois, de saber
que tudo tem dois lados e que opina
em prol do benefício comodista?

Será que me esqueci que há de caber
no sonho um intervalo de ruína
a fim de concretude realista?

*** Img - Castle in Ruins - Attributed to Georges Michel (French, 1763–1843).
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domingo, 16 de outubro de 2016

Soneto sexista





Soneto sexista

Entrei numa polêmica questão,
metendo o meu genérico nariz.
Dum símbolo, emiti a opinião;
de modo generalizante, fiz.

Contudo percebi, não fiz bem, não...
Meu gênero por dentro, na raiz,
expôs-se para fora, sem roupão,
e “os povo” da geral, de seus covis,

clamaram: “Preconceito, seu machista,
seu filho de uma puta normalista,
metido a se meter em emissões

de ranhos, de melecas, opiniões,
com porra de nariz e de cabeça".
"Cabeça lá de baixo, não se esqueça!”.


***Img by Me and I.
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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Sr. Lúcifer




Sr. Lúcifer

Sou Lúcifer, o pai da encruzilhada,
procuro por meus filhos, que só vêm
por ímã, por imagem, por além
da vida, pelo vão que vai ao nada.

Sou Lúcifer, teu mestre na quebrada,
exatamente quando choras sem
cessar, sem fundamento, por ninguém,
momento tenebroso da jornada.

Não temas a família a que pertences.
Eu peço que a respeites, e repenses
valores em falência, sancionados.

Coragem para o trânsito sinistro,
esquece-te de Cristo, do registro
dos bens do coração dos mal-amados.

*** Img by Heather Strom.
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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Cutucada





Cutucada

Cutuca-me nas costas. Eu mereço.
Perfura-me no dorso, tal toureiro,
trucida-me no dorso de adereço,
pintura de espanhol alvissareiro.

Cutuca-me. Perfura-me. Não peço
perdão. Não pedirei porque não queira.
Eu quero mas não posso. O meu processo
não cessa, o mais depressa à ribanceira.

Tocado. Comovido. Choramingas.
Depois das cutiladas, tu me xingas.
Só resta a minha queda ao precipício.

Um chute no lugar bem conhecido.
Em queda sou doutor, que sou caído
já desde que nasci, desde o princípio.

*** Img in Arco de Almedina.
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