sábado, 28 de julho de 2012

Mineração



 
Mineração

Queimando pelos trópicos, ao ouro,
de novo um Eldorado, um incontido
desejo de cobiça, seu tesouro
que, livre, não tem posse, possuído.

Refrega que se esfrega pelo couro,
em busca de valores sem sentido,
consenso que enlouquece em suadouro,
descenso que se ascende indefinido.

A golpes violentos, dilatando
artérias, por que a mina vá fluindo,
dirige-se em essência ao que é nefando,

irrompe fortalezas e, bem-vindo,
servido majestoso no seu mando,
batiza com seu fogo o fogo findo.

*** Semana On-Line, #34, com a prosa deste.
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22 comentários:

Adriana Godoy disse...

Garimpou bem as palavras, diamnte lapidado em versos.
Assim é o fogo do batismo, assim é o fogo que se torna em carvão.

Beijo, Pimenta.

Marcos Satoru Kawanami disse...

Tônica em todas as segundas é pra quem pode, Henrique!

BAR DO BARDO disse...

Adriana,

entre carvão e diamante, talvez eu prefira Deus.
Beijo!

BAR DO BARDO disse...

Marcos,

não entendi, mas achei divertido o seu comentário.
Abraço!

Leo Lamarão disse...

A busca do tesouro perdido sempre povoou nossa imaginação
Quantos reis, povos, uma infinidade de ilusão.
Antes era só morte, santos ocos e toda a sua sorte,
Hoje quem brilha são os devotos da olimpíada.

abraços

BAR DO BARDO disse...

LL,

ouro olímpico, eis o grande Eldorado...

Abraço!

Jarbas, o Questionador, disse...

Pimenta:

1. Belo poema, talvez um pouco rebuscado, com algumas construções um tanto forçadas, o que exige algum esforço de leitores preguiçosos como eu. Mas totalmente válido.

2. Cobro do Leo Lameirão uma mínima rima, já que poeta ele já é.

3. O Festival de Inverno de Bonito (onde estive nos três primeiros dias) me inspirou (no Timblindim) novas reflexões sobre Manoel de Barros, o poeta homenageado naquele evento. Se você puder ler e comentar (ou talvez fazer um poema devastador), agradeceria. Assevero, obrigado pela nobreza de um anterior comentário seu, que elogio não seria benvindo. Afinal, cultura é contradição. E principalmente diálogo entre contradições.

BAR DO BARDO disse...

"Jarbas",

passei vista d'olhos, mas prometo ler com calma e atenção a matéria no Timblindim.
Abraço!

Leo Lamarão disse...

Amigo Jarbas

Não me cobre, meu cobre é escasso...
Deixa meu elemento químico na mão.
Minhas rimas como o vil metal, que fracasso.

venho aqui para dizer assim...
Não sou poeta, letrista e tão pouco escritor,
Desde os tempos idos, gosto do meu amigo Tupinim.

Prometo ser um melhor leitor.
Prometo novo amigo questionador.

Mais atendendo ao mais novo amigo
verei se consigo me apegar a rimas.
------
(dois tercetos e dois duetos sem regras, para deixar nosso sonetista coçando as têmporas)

BAR DO BARDO disse...

LL,

o sonetista anárquico... Uau!

Jarbas disse...

Melhorando, Lamarão!
Continue nesta lida
e desculpe um erro vão
de leitor que teve alunos
em Dracena na Fazenda Lameirão
Mas faz muito muito tempo
Maybe em outra encarnação

Pimenta:

Estou lendo Mário Quintana, em versos e tiradas. Estou gostando. Odeio Drummond e João Cabral; Bandeira me parece palatável. A propósito deste último, foi você que introduziu na Rede um falso soneto pornográfico do bardo pernambucano ("Cópula")?. É claro que não, já respondo. Mas pelo conteúdo e pela boa rima, poderia ter sido...

E aqui vai uma deliciosa quadrinha de MQ a um amigo que lhe prestara um favor junto ao IR:

Sei que meu cálculo é infiel
Na mais inglória das lutas
Lido com pena e papel
E tu, ó Braga, computas..

BAR DO BARDO disse...

"Jarbas",


acabei de responder ao amigo "Timblindim", espero que não goste! (Risos.)

Abraço!

Jarbas disse...

E te dar esse prazer? Nem pensar.

Gostei. Soneto perfeito, claro, sonoro, bonito.

Respondi mais baixo (em todos os sentidos, menos os pejorativos), porém pelo menos em versos (quer dizer, mais ou menos). Ainda vou acabar poeta, junto com o Lamarão. No meu caso, maybe na próxima encarnação...

BAR DO BARDO disse...

"Jarbas",

e viva a divergência amigável!
Abraço!

José Carlos Brandão disse...

o fogo findo / mais que lindo como na Memória do Drummond?

BAR DO BARDO disse...

JCBrandão,

restam as cinzas... talvez...

A gente copia Drummond direto - e o inconsciente nem lhe dá os créditos.

Abraço!

Leo Lamarão disse...

Não vamos acabar poeta, amigo Jarbas
Vamos ser então, talvez...
maybe, tentaremos outra vez!!

Não sou anarquista, amigo Henrique
Maybe trave as ideias até que estanque.
prefiro ser como antes, um punk!!

abraços.

Jarbas, o Velho Aprendiz, disse...

Isto de fazer poesia (com métrica e rima, não a "poesia" fácil dos modernistas) dá um trabalho!...

Já fiz cinquenta ou sessenta alterações no texto original do meu poema em resposta ao clássico soneto do Pimenta. Acabei me ajeitando, pelo que parece, num sonetilho em redondilha maior... com a heresia de versos brancos intercalando os rimados.

Acho, Pimenta e Lamarão, que vou partir pro cordel. Talvez com versos brancos, etc. etc.

BAR DO BARDO disse...

LL,

Leonardo Lamarão,
peço que não me desbanque:
só sei isso fazer, não
consigo mais nem ser panque.

BAR DO BARDO disse...

VDM,

Por exemplos, eu aprendo
melhor do que quem só diz.
Com vós, pois, vou aprendendo,
Jarbas, o Velho Aprendiz.

Jar Val Tim disse...

Pimenta:

Não entendi muito, mas...

Li Cidinha, e entendi tudo. Não precisava explicar. Belo soneto, que eu junto a "Varapau", na minha coleção de pimenteiros prediletos.

Abraços do Val, do Jar, do Tim e da torcida do Flamengo.

BAR DO BARDO disse...

Jar,

o objetivo da revista era explicar-se o poeta seu processo criativo. Por isso falamos da Cidinha.

Abraço!