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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Poesia em pó



protagonista, uma poeta: telma scherer
contexto: blog do marcelo sahea


1.
A PM SUBWAY -
que performance!, gamei!
"Telma, eu não sou gay".

2.
Brucutu, tu és
poeta em estado bruto -
performance 10.

3.
Isto é que é ser gauche -
de cuia, bomba e bombacha -
polícia gaúcha.

4.
Churrascaria de carnes exóticas:
saboreie um delicioso
cordeiro de Deus.

5.
ATENÇÃO, DELITO:
no corpo da poesia
o silêncio é grito.

6.
PM dá palpite:
"Vamos trocar Telma Scherer
por Tropa de Elite!"

7.
poesia
se não tá no papo
tá no tapa


***
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Haicais para dona Flora




- para dona Flora


1.
Inferno de velas -
mas a frieza do mámore
acalenta sob.

2.
Silêncio se entoa
com gosto de graviola
madura na boca.

3.
O pardal pipila -
banhando-se na sarjeta
com as águas da chuva.

4.
Comprei umas flores,
amor, para não chegar
de mãos abanando.

5.
Fominha de som -
os passarinhos são frutas
de vários sabores.

6.
Lesma e caramujo
rastejando para o limo -
peregrinação.

7.
Sabiá pardinho,
com ventre em leve laranja,
vermelho-ferrugem.

8.
Nascente de rio
e todos os oceanos
numa gota d'água.

9.
Lagartixa albina.
Parede branca. Num golpe
a mosquinha que...

9 e meio.
Vê-se que no bucho
de uma lagartixa albina
a mosquinha se...

10.
Turdus rufiventris?
Um sabiá-laranjeira
é só sabiá!

11.
Ovos escondidos -
porque boca de lagarto
não é chocadeira.

12.
Ela disse assim
que nunca me apaixonasse -
amor da mamãe.

13.
Dia de Finados -
que se acenda o Sol, a luz
da primeira vela.

14.
Entre um canto e outro,
uns olhos desconfiados
em rota de fuga.

15.
Nos gatos do poste
um curto-circuito - o corvo
crocita blecaute.

16.
Não sei o que fiz.
Não há mais o que fazer.
Deus sabe o que faz.

17.
Depois de chover,
os holofotes do Sol
sobre os coleirinhos.

18.
Massagem cabocla -
as suas mãos calejadas
colhendo o café.

19.
Aquilo que sai
do peito do sabiá
adentra à beleza.

20.
Coreto da praça -
um passarinho suspeita
seu último solo.

21.
Se é só para mim,
mangueira carregadinha,
eu quero uma dúzia.

22.
Voz de passarinho
evangeliza até lesma
debaixo de sol.

23.
Nas curvas do vento -
borboleta em abandono,
seda colorida.

24.
Dia de Finados -
a colheita de lembranças
direto do pó.

25.
Ao sol da manhã,
o trinca-ferro nos trinques
desata a solar.

26.
O peito com cruz
de bijuteria. Dentro,
o Filho de Deus.

27.
Explode nos céus
a sua canção, pequeno
canário da terra.

28.
Uma borboleta
pousada sobre uma pedra -
coloque a moldura.

29.
A criança chora
na véspera de Finados
a morte da mãe.

30.
A lesma traçou
o mapa de sua morte
colando-se à vida.

31.
Dia de Finados -
chuvisco de primavera
acomoda o pó.

32.
Colibri mirim -
todas as flores se abrem
liberando o doce.

33.
A mãe passa a mão
no ventre - fez o famoso
teste de farmácia.

34.
Curió baiano -
assim que pousa no trio,
canta vitetéu.

35.
O canto suspenso
não passa de pausa, pouso
no seio de Deus.

36.
Ao chão é comum
um bichinho, que pena!,
e perto casquinhas.

37.
Onde está o chapéu
para por uma moeda?
O dia raiou...

38.
Chupada com gosto
nos seus pentelhos de manga,
docinha que nem...

39.
Viúva não dorme
em véspera de Finados -
seu velho não deixa.

40.
As plumas vermelhas
desfilam na capoeira -
tiê-sangue-azul.

41.
Os pássaros sabem
de cor, ou eles inventam
essa partitura?


***
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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Hã?!...



furuike ya
kawazu tobikomu
mizu no oto


Ai! A rã salta...
UTI, dois dias.
Depois, alta.

das mãos delicadinhas que vos tecem
desnudo o tecido
floresça

assoma ao açude
a rã-macho na fêmea
que saúde!

um choro manhoso
de fome e de sede
de leito e de leite

O sapo foi lá e pam!
Por que o crédito
foi dado à rã?

em meno ou em andro
uma rã mergulha
de escafandro

tomadas de assalto
estrelas na passarela
magrelas no salto

não há patamar
barulho de rã
marulho de mar

O sol me amamenta
em meio a um mar de sereias,
seios de tormenta.

não é pula-pula
o barulho que não para
é rã que copula

Na rua lá fora
verás que três não transitam:
eu, aqui, agora.

o monge medita
até que a rã
ah... mardita!

No lago ou no tanque
não quero barulho d'água -
que o haicai se... estanque!

por que sapo repousa debaixo de poste?
spot &
mariposa tostada.

numa quitinete
lá nos quintos dos infernos
nem o cão se mete

Foi no velho tanque -
a maravilha se fez -
barulhinho d'água.

Um amor isento -
a seta passou triscando
por causa do vento.

adita loucura -
à lua do sol nascente
uma rã procura

rãzinha sapeca
que quando salta parece
uma perereca

não há quem não ouça
o sopro na sopa
o sapo na poça

Bioma do muro:
o limo,
um anfíbio anuro.


*** Gostaria de indicar no excelente blogue POEMARGENS, do dr. zantonc, a leitura de Orides Fontela. Grato!
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Mais e mais partículas...











Mais e mais partículas...

E quem necessita
de sol, se brilham seus olhos
nos vales da cama?

irrompe-se virgem
a água que não dessedenta
nascente do corpo

seu corpo nu
depois da colheita...
e os seios de outono

ela no céu elo
lua que é cheia farol
sinal amarelo

um gringo senti-me em
pedro juan caballero
oman ommen & hímen

Passado da hora,
ela pediu pra voltar
e eu dei um fora.

Monge
em voto de silêncio
arrota e peida.

Variante:
Um monge na rota
para o mosteiro da Luz
cospe, peida e arrota.

Antes do naufrágio,
seques o rum e engarrafes
o teu pedido de perdão.

estátua de beethoven
uma gota de rocio
na batuta do silêncio

Yo especulo:
un cisco en el ojo
del culo!


*** ?êcov E. Líria Porto oiel uE
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sábado, 23 de outubro de 2010

Mais partículas

“A chávena de chá” - Columbano Bordalo Pinheiro

Mais partículas


apesar de leve
da pena sai sangue
e o sangue liquida


O cara lavou o meu carro.
Cincão para a cervejinha.
Dia da Padroeira.
(No feriado de N.S.A.) 


nuvens africanas
a chuva bate no zinco
sambinha maneiro


a chuva anuncia
que um céu azul brotará
do sêmen de deus


a terra molhada
a salvação que saliva
seus lábios nos meus


   Da chuva nasceu
   no comecinho da noite
   o sono do justo.

   Justo no presídio
   de máxima segurança
   ninguém acordou.


Qualquer um poeta
com nome impronunciável
diz-se dos melhores.


Perfume francês?
Cheiro de terra molhada
preferes, nariz.


deleite
delete-o
deletério


não tente entender
apenas
ame


o chá
na xícara
encharca a chácara

ou: o chá / na chácara / encharca a xícara


le thé
la fumée d'une tasse
c'est le brouillard qui passe...


*** Eu leio poemas.
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Partículas

Milky Way - in Academia Sinica

Partículas



Inventei de encantamento
o seguinte conto:
"O príncipe Girino."



sapo
que engole vaga-lume
obra purpurina



desfaço-me
sabonete de esperma
na sua pele de chuva




(na) desarmonia
(da) bomba de hormônios
                                           amor



acaso não seria
arranjo de ikebana
cantor de churrascaria?



Só a grama do vizinho cresceu,
e - os seus cabelos na chapinha,
e - as unhas do morto sob...



*** Isaías de Faria me publica no seu estações.
*** Precisamos ler (mais) Domingos da Mota e José Carlos Brandão.
*** José Carlos Brandão e Domingos da Mota são dos pouquíssimos internautas (machos) que sabem me emocionar com Poesia.
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dia de mudança

Paulo Leminski (by João Urban)


  tudo dança
hospedado numa casa
     em mudança

Paulo Leminski - in 'La vie en close'


Dia de mudança -
quando se esvazia a casa,
não cabe ninguém.


A plenos pulmões -
o sentimento de ausência
jamais desafina.


A casa vazia
de gente e de neuras -
dulcíssimo lar.


*** Leminski foi um dos poetas que me ensinou o corte e a concisão. Obrigado!
*** Leia Leminski. Leia Cássio Amaral.
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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

D'oftalma fome




D'oftalma fome


1.
Só mais um cupom -
repito meia palmito,
meia champignon.


2.
Num restaurante vegan:
"Aqui, até as moscas são verdes!"


3 (vírgula alguma coisa).
Carne? Nem a pau!
Uma salada completa,
arroz integral.


4.
Sou leve.
Como uma paina.


5.
Não se prenda à grana,
porque é mato - cama;
alimento - prana.



6 (seis).
Em busca de proteína,
meus lábios na mina.


7.
No meio de vossas vagas,
é de se beber com os olhos
o que vos brota aos abrolhos,
o doce das águas.


8.
Tua greve de fome
por minha greve de ti...
As duas persistirão
por sessenta segundos -
cravados!


***
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sábado, 29 de maio de 2010

Haikustorm...


Haikustorm...

Por que o nenê chora? -
o pediatra decide -
"É vírus, senhora!"

Há sol e está quente -
no entanto o gelo se esconde
no peito da gente.

há minas em mim
há fontes de luz e lis
em neve e carmim

são tantos outonos
mas o meu desejo por ti
é do mesmo tônus

O Outono já foi -
mas as folhas no chão... vem
e por vezes vão.

Mô, não se contenha,
que eu tenho vinho, gengibre
e fogão a lenha.

Caía d'antanho
um floquinho de algodão
mas... desse tamanho!

é tanto e tão
inverno rigoroso
batata-doce e quentão

Não lembro, mas acho,
foi nas férias de inverno,
melado no tacho.

Lareira ignora
o número de crianças
com frio lá fora.

O inferno é aqui.
O inverno também. Assim,
sem quê nem caqui.

Tanto não precisa -
respingo de chafariz,
nariz de coriza.

Que frio que faz!
O pó dos ossos não posso
descansar em paz.

Silêncio com sal -
a desértica mudez
do mar glacial.

A mão cria atrito
na blusa por dentro. O gelo
se derrete todo.

É vírus agora
uma vedete sem roupa
na febre que aflora.

Se ele é pós despose-o,
por que no lugar da festa
se faça simpósio.

Sem base nem eixo,
sem gelo nem neve, é que eu
vou batendo queixo.

NADA A VER!
NÃO HÁ NEVE!
NEVER, NÉ?

Frio rigoroso -
em meu estado febril
tremulo de gozo.

Eu sou, não se ofenda,
mas, entre as pernas, à fenda,
um em oferenda.

Agora púbere
ora no púbis:
urbe et úbere.

Não sei onde ponho
mil floquinhos de algodão.
Infância, suponho.

Frio diminui -
fogueira de São João
e meu amor, ui!

O vento de maio
assobia para eles -
chuva, trovão, raio.

Neve tem élan,
chinelinhos de vovó
e meias de lã.

café com chamego
estação de aconchego
inverno chegou

Inverno com flor,
com cerveja, futebol,
calão e calor.

Marte, de golada,
em seda, pelo, veludo -
Heineken gelada.

Acerto de contas:
calcinha de renda
não paga imposto.

gérberas gerânios
ai gemendo ganindo
na minha germânia

Saia celestina -
dava para ver o Sol -
vento na cortina.

*** Aviso: estou sem Internet, então...

*** Publicado texto inédito deste na Revista Diversos Afins.


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domingo, 17 de janeiro de 2010

Haikustorm

 
Origami on the rocks - by Vesparia


Haikustorm



Chuva de domingo.
Eu vejo a imagem de Deus
em forma de pingo.

Rain on Sunday.
I see the image of God
shaped drop.

Aguaceiro forte.
Logo depois a secura
serve de consorte.

Há chuá no céu.
Vou construir uma arca,
barco de papel.

Foi sob o carvalho,
numa pétala de rosa
um pingo de orvalho.

C'est sous le chêne,
sur un pétale de rose
une goutte de rosée.

Um sim para mim,
o rocio no teu corpo
recende a jasmim.

A chuva não pensa,
despenca seus canivetes,
dispensa a despensa.

Soprando uma brisa,
o temporal diminui,
a chuva ameniza.

É chuva na telha
concerto para a largada
de breu e centelha.

Raios e trovões,
rápido saca-se a prece
para Santa Bárbara.

Não, ela não tece!
A teia em poucos minutos
na aranha acontece.

Dezoito formigas
sobre a baratinha morta:
banquete entre amigas.

Dix-huit fourmis
sur le cadavre d'une cafard:
fête des amis.

Optsprezece furnici
pe corpul unui gândac de bucătărie:
sărbătoarea de prieteni.

As flores se curvam
à beleza projetada,
e as águas se turvam.

se era há pouco ontem
hoje já é amanhã
meia-noite e um

Apenas a dor,
no varal não há mais roupas
nem um pregador.

Estes colibris...
e seus beijos... Por quem são?
Francisco de Assis.

Nem carece terço.
Para quem morre o caixão
é apenas um berço.

A lua caiu
de um epigrama clichê,
Bashô no Brasil.

Um haicai no trinco
tem que aprender a lição
cinco, sete, cinco.

Árvore no chão,
país de vida invisível
e nosso caixão.

Tree on the floor,
country of invisible life
and our coffin.

Mau humor cedinho,
termina quando o totó
abana o rabinho.

Nem um cafezinho...
Em frente ao fogão se humilha
um homem sozinho.

A grana declina,
no bolso do paletó
só naftalina.

Serve de consolo?
Todos os vermes possuem
brevê de voo solo.

De visão restrita,
na barraca de pastel,
borboleta frita.

Ladrão de galinhas
cometeu o crime às claras
e às gemas: algemas!

Preto, pobre, preso...
Dizer que a justiça cega
é justo e coeso.

Disso não me furto,
da vontade muito longa
ao desejo curto.

Manhã com pigarro:
o escapamento estragado
do primeiro carro.

Os pássaros loucos,
abrindo para o Porvir,
é show para poucos.

A que ri putana
não é a mesma ao espelho
de uma puritana?

Céus! O sol a pino!
Agrião, tomate, rúcula,
alface e pepino.

Heavens! The sun of noon!
Watercress, tomato, arugula,
lettuce and cucumber.

A gente se via
nos lençóis em desalinho
da cama vazia.

O monstro se espicha:
na floresta de ikebanas
uma lagartixa.


***
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Origami Tsuru



Origami Tsuru

Eu bem me aventuro
Na Paz, como o fez Sadako,
Dobrando mil tsurus.




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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Segredinhos de amor


Segredinhos de amor

Projeto
Tenho que ter fé,
cama, cerveja gelada
e pó de café.

Orgasmo
Corpos e palor,
há pânico no jardim
dos olhos em flor.

Íntimos demais
Metendo o bedelho,
ao sabonete pergunto
de quem é o pentelho.

Do mar
Nos olhos o mar,
são lágrimas de alegria
às ondas de amar...

O rito ritmo
Se liga no rito:
se gritar; eu fico quieto...
se gemer; eu grito!

Do foco
Um lance me intriga,
se o fetiche está nos olhos,
ou na cinta-liga.

Mau gosto 1
O mau gosto é duro:
camisa de propaganda,
cueca com furo.

Agá
O cara é o que há,
tem elã e aquilo lá,
mas na hora agá...

Novos aresMau hálito, pô!
Eu quero beijo na boca,
mas sem o cocô!

Iceberg
Um gelo no caso:
Julieta no chuveiro
e Romeu no vaso.

Maratona
Precisa de assunto,
depois do que nós gememos
ao chegarmos juntos?

Campeonato 1
Final preconiza:
duas tradições em campo
suando a camisa.

Campeonato 2
Os times do amor:
os corpos são do prazer;
as almas, da dor.

Um, dois...
Pois vejam vocês:
é viver a dois, num mês,
solidão a três...

Ilusionismo
Amor é ilusão,
mas continua me tendo,
mantendo o tesão.

Línguas
Português à míngua...
Se for preciso, na cama,
arranho outra língua.

"Suicídio"
Ai!, arrependi-me!
eu morri sozinho, sem
cúmplice no crime...

Do fogo
Meu fogo não falha:
depois do sinistro, vai
tirar uma palha...

Evoé!
Toda porra é pouca:
metendo lá na garganta
um beijo na boca.

Mau gosto 2
O mau gosto elege
a camisolinha velha
com a calcinha bege


*** O maluco do sr. Moacy Cirne me jogou no balaio de novo... Clique .
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domingo, 23 de agosto de 2009

Três poemas percussivos...

The Suicide of Frida Kahlo, 2004; by Trek Thunder Kelly




Ai

Guizo de serpente,
venenoso muito mais
que seu par de dentes.



Ai, ai
Se há barulho porque piso,
me ajuízo de repente.
Não se vê, mas pelo guizo
pode ser uma serpente.



Ai, ai, ai
O guizo da serpente, um idioma
corrente nas colunas sociais,
presente nas manchetes, ele soma
o menos com a mentira ao muito mais.

A foto mal batida como toma-
tes podres sobre a fama do rapaz,
da moça, não celebra, desengoma,
difama, calunia por detrás.

É sino que badala sem aviso,
assanha, manipula com o badalo
façanhas e a peçonha ao paraíso.

O brilho com seu halo pelo ralo...
Sem Deus, o humano ofídio com seu guizo
compõe uma tragédia a Frida Kahlo.
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Novena de haikus

Matsuo Basho















Novena de haikus

- ao samurai guaicuru Felipe

1.
Deixa a porta aberta,
porque dentro o movimento
com o vento desperta.

2.
Bem fresquinha a dor
na geladeira. E as delícias?
No congelador!

3.
Nem carneiro é fã
de inverno, mesmo com a blusa
que abusa da lã.

4.
Meus ossos nem chiam.
Porque estão com tanto frio,
de si se esvaziam.

5.
Conceito de frio:
o Universo Paralelo
preenche o Vazio.

6.
Quem vinga não sente,
mas a morte é sobremesa
que se come quente.

7.
Se a terra nos cobre;
desdobra-se para os céus
o sino em seu dobre.

8.
Revés tropical,
todo o gelo nepalês
numa pá de cal.

9.
Costelas, o leito:
vermelha a pedra de gelo
hiberna no peito.


Felipe da Costa Marques é meu amigo e, apesar desse demérito, escreve bem. Seu gosto pela concisão o faz discípulo do Mestre Basho e rende bons haikais, haikus, dísticos, epigramas de medidas diversas. Em seu despudor estético o jovem ainda vagueia por sonetos pós-modernos, vez em quando. É, o cara é meio doidinho das ideias e talvez por isso tenha a coragem de poucos ao se aventurar por ambientes selvático-cibernéticos como se fosse ali na Merceria tomar uma cervejinha e assistir a mais uma vitória do Vasco da Gama. Isso bastaria... Mas o Felipe vai mais longe, começa uma carreira interessante de "tradutor" e está nos brindando por ora com uma transcriação para o português de um soneto de Fernando Pessoa. Como é que é, Pimenta?! Bem, o Felipe da Costa Marques costuma atender a sua clientela em dois endereços que eu recomendaria, recomendaria apenas para quem tenha estômago forte e não tema, se necessário, um prazeroso harakiri estilístico-SDM.

Endereço 1,
para leitores de boa poesia: Sapoie
Endereço 2 ,
para vascaínos e afins, comemorando 111 anos de alegrias: Clangoroso




*** Hoje estou lá n'
O TEOREMA DA FEIRA, devido à compaixão do sr. Lívio Oliveira.

 
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