quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Haiku: the return of the storm!

 
Kazuo Ohno - von Thomas Ammerpohl


Haiku: the return of the storm!



Kazuo Ohno, the crow -
defoliation in the spring,
blooms in the fall.

Mestre Kazuo Ohno -
desfolha na primavera,
floresce no outono.

Alto lá! - gritou-me,
à distância de uma senha.
Vou tentar "amor".

A prova dos nove
é ser o mesmo na chuva
e quando não chove.

Deus não corre riscos:
ao recolher seus trovões,
nos manda coriscos.

Mais um amor, pois:
reparto a pena por três
e o meu peito, dois.

Aos olhos é lindo
tudo o que se há por viver,
todo o tempo findo.

Se não lava o pé,
o sapo mal educado
de Bashô não é!

Eu tô de pileque?
É a Madame Butterfly
traveco com leque?!

Em ti não confio,
que minha teia é desvio -
sozinho me fio.

Árvore em frangalhos
devido ao vento, tremendo
doutor quebra galhos!

Eu não sou fiel
à fêmea somente em mel.
Tenho fé no fel.

("Fé no fel" é um koan que me foi ensinado pelo poeta Felipe da Costa Marques.)

Mal do coração,
prefiro a dieta-fim
à razão-ração.

Antes era "neve";
agora que o Sol nasceu,
"água" é o que se escreve.

Before it was "snow",
but the sun has risen -
"water" is now.

Chuva ao fim do mundo.
Cinza, para o show de luzes,
é o pano de fundo.

O bem dissemina,
florescendo no Brasil
hibiscos da China.

Que haicai do inferno!
É primavera, verão,
outono, ou inverno?!

Todo o meu juízo
são dentes para sorrir
o justo sorriso.

Oui! Je suis d'accord!
Mon contraire couer, le divers:
vous êtes de l'or.

Quimono despido.
Me deixa a neve da gueixa
de queixo caído.

A gueixa arrebol:
um encontro de contrários,
da neve com o sol.

As dores de cor,
felicidade não há,
mais nada ao redor.

A casa não zanga -
as flores são do quintal;
do jardim, pitangas.

Em meditação,
assim que eu fecho os meus olhos,
luz, câmera, ação!

Espírito baixa -
as águas de madrugada
vêm encher a caixa.

É caso de espanto,
papeia a casa com o vento
meia-noite e tanto.

"Faça isso! Ouça!
Não faça aquilo!" Mas chove
e eu pulo na poça....

Hoje o que eu não fiz
amanhã repetirei
para ser feliz.

Vou morrer um dia,
mas se eu morro dia a dia,
nem adianta, adio!

O cachorro chora
com o cheiro da cadelinha
que passa lá fora.

A chuva não fica,
liquida-se num instante,
pega a mula e pica.

Nunca se repele
um beija-flor no jardim,
ou à flor da pele.

Ser livre é o meu lar -
misturo raio de sol
com luz de luar.

As folhas de outono,
ao sabor da brisa branda,
brincam de abandono.


*** .ervioP on roma ed otenos mu àH
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