segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Haikustorm again

Dandelion... the last - in vi.sualize.us

Haikustorm again

haiku's torn / haiku's thorn / haikustorm  - H. Pimenta
haikai com kigo / jaz / igo - ibdem

Mais do que flor... era.
Não fosse tão natural
numa primavera.

Não! Nem mais um pio!
O filhotinho voou.
O ninho vazio.

Mãe solteira sai
e entrega o recém-nascido
ao solteiro pai.

Beleza num golpe:
o pulo cheio de estilo
da rãzinha pop.

Cultos pelos ais -
epitáfios de sepultos
se sentindo os tais.

Variação pesadinha:
Cultos pelos ais -
epitáfios desse putos
se sentindo os tais.

Sem tônus, o ônus -
os anos se empalidecem
por tantos outonos.

Desfruta, que acaba -
tanto faz se é mangabeira
ou pé de goiaba.

Tuíta, se queres.
Para escrever "tudo" ou "nada",
quatro caracteres.

Verão se repete
e, de novo, Hollywood
vai pintar o set.

Versão careta:
Verão se repete
e, de novo, a natureza
vai pintar o sete.

O humano se faz
contra símiles e si,
se o juízo jaz.

Lagarta não ousa,
em sonhos de borboleta,
nascer mariposa.

Dinheiro hi-tec,
sem cheiro ou cor ou papel,
com salamaleque.

O pai enriquece.
O bom filho à casa torna -
e sem GPS!

Se o medo não veio,
não há pânico; porém,
um leve receio...

O vento cicia
essências de longe, e o junco
lhe reverencia.

É de que país
esse arco-íris brotando
sobre o chafariz?

A lua minguante
vai pelas trevas. Por mim,
uma dor gigante.

Se amar for um grifo,
sou especialista nisso:
"Noiva! Casa! Sifo!"

Inseto com asa
não se contenta com as solas
no piso da casa.

Troféu para o ódio:
ter o maior inimigo
dividindo o pódio.

Não discuto o poro -
se pintar um clima, coro;
se não, iguinoro.

O de cima é uma releitura de não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino(de Paulo Leminski) 

Atitude zen
é a do monge maltrapilho
pilhando o armazém.

Um pintor sem tela,
sem tinta, tripé, pincel,
pinta com cautela.

Variação:
Pintor sem tripé,
sem tela, tinta e pincel,
só se pintar fé.

Lagartixa albina
no teto, como nas trevas
a lua rapina.

As flores se lançam
de seu berço de soberba,
que os ventos balançam.

É o zunido gongo
que me acorda ao pesadelo
desse pernilongo.

A grama amarela
no tom - eu vejo do outono
da minha janela.

Versão didático-filosófica:
Toda flor é bela -
depois de limpar os vidros
da minha janela.

No caos que polvilhas
a caminho do cristal,
há mil maravilhas.

É branca e vazia,
como nos Alpes, a cuba
onde a aranha esquia.

O canto decola
do passarinho penado
dentro da gaiola.

É  jóia de minha
coleção de luz e assombro
uma joaninha.

O galo, de novo...
"Se não cantar direitinho,
tu vai levar ovo!"

Mudança de sexo,
o cirurgião pergunta:
"Côncavo, ou convexo?"

Variando:
Mudança de sexo,
o cirurgião pergunta:
"Latino, ou complexo?"



*** .atnemipodrab: rettiwT ne emriuges edeup detsu, aesed ol iS

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