terça-feira, 19 de junho de 2012

A gente vamos




A gente vamos

Não vou de “a gente vai” nem de “nós vamos”,
eu vou como quiser e, como quero,
isento de verniz, pois caminhamos
irmãos, ou inimigos; considero,

se houver entendimento, relevamos
desvios na mensagem, não dou zero
ao cara que trabalha sem reclamos,
sem tempo de educar-se; sou sincero,

eu vou de “a gente vamos”, de “nós vai”,
eu vou todo orgulhoso dos normais,
diferem dos metidos à papai

da língua que firula por demais;
relaxe se há deslizes e se abstrai,
que não nos dobraremos, informais. 


*** Tiê versus Mallu Magalhães, mais o livro da fera Patricia Highsmith - leitura a dar com pau! -, tudo na semanaonline.
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29 comentários:

Por que você faz poema? disse...

Dependendo de quem me chame,
eu vou de qualquer maneira.

BAR DO BARDO disse...

Quantas vezes já me pagaram cerveja depois da pergunta: "E, aí, a gente vamos?!"

É isso mesmo, Herculano!
Abraço!

Mina Cara disse...

vamo junto!

byTONHO disse...



Então "si fumo"!

Tem gente que "vevi" indo...

Oh not!

:o)

BAR DO BARDO disse...

Mina,

então é assim.
Tudo de bom!

BAR DO BARDO disse...

Fumo,

Tonho!

Valdir disse...

Pimenta:

Muitos dos que se aventuram a corrigir "erros de português" dos outros (não é o caso do Professor Pasqualli)têm um português pior do que aquele que pretendem corrigir. E "pior", aí, significa "menos compreensível" ou mesmo "incompreensível".

Engessar a gramática não ajuda a melhorá-la. Vejam os ingleses, que nunca engessaram a língua aprendida com os franceses e assim criaram uma língua universal, compreensível em qualquer canto do planeta.

Sugiro, salvo melhor piro, que você acrescente, no "escolher uma identidade", a possibilidade dos leitores usarem nome/URL. Facilita muito.

Quanto ao seu livro de sonetos, acho que o público alvo são as mulheres "disponíveis" (e presenteáveis). Mas não sei se elas concordam com a "lógica" das suas (e nossas; que bom se fosse verdade!) fantasias masculinas. "Varapau", o único sem vara e sem pau, deu (no bom sentido!) para ler, reler e passar adiante.

BAR DO BARDO disse...

Valdir,

sou favorável ao uso correto da língua, desde que o falante tenha tido uma educação de qualidade. Mesmo assim, há uma série de gente estudada que só se aproveita de seus estudos para picaretar para si e para seus apaniguados. Por isso, considero que devamos ser conscientes, além da gramática, do que realmente importa para a cidadania, pessoas que trabalhem, sejam honestas, cumpram seus deveres e exijam seus direitos, ainda que não dominem o padrão culto da língua.

Quanto às configurações de identidade do "Blogger", creio que estejam padronizadas e, portanto, não tenho como alterá-las.

Já quanto ao livro, quem escreve a literatura sou eu - o Henrique Pimenta -, mas quem vive nos poemas é um tal de sujeito lírico, uma persona do autor. Essa máscara denominada sujeito lírico não existe de fato, é uma sugestão anímica que só adquire existência quando o leitor do poema permite.

Agradeço por suas palavras, Valdir!

Abraço!

Adriana Godoy disse...

A discussão se estende e entende-se que a língua falada, mesmo em quem domina a norma padrão é muito distante da escrita.

Não vou entrar no mérito, mas se a gente vamos nessa vida,vamu que vamu!

Beijo

Valdir disse...

Tem razão, Pimenta. Havia esquecido do "eu lírico". Esse bate-rebate me leva a nova análise dos seus poemas, sob melhores enfoques.

A propósito, Cultura, na minha visão, é justamente esse bate-rebate (ou repercussão de uma obra em determinado meio). Uma Poética precisa de leitores, e de leitores que reajam a ela, positiva ou negativamente, de preferência criticamente (ou reflexivamente), eventualmente motivando outras obras nela inspiradas. "Da discussão nasce a Luz". Assim, e lembrando que adorei o poema "Varapau", estou preparando, para o meu blog, uma crítica (no bom sentido) do livro "99 sonetos (...)".

Quanto ao nome/URL, é só entrar na configuração do blog e mudar. Meu amigo literário Dante Sempiterno fez isto. Se você não o fizer, continuarei visitando o seu blog e eventualmente comentando e pagando mico com vários cliques suplementares. Se o fizer, pretendo entrar com um pseudônimo (parcialmente mutante) que representa o meu eu lírico...

Henrique Pimenta disse...

Adriana,

eu também sou professor de Português, e é claro que exijo que meus alunos se esforcem para dominar o idioma em todas as suas nuanças - só acho que não posso radicalizar e exigir uma série de robôs gramatiqueiros para se fingirem de cidadãos. Prefiro muito mais que meus alunos saibam se expressar, ainda que com alguns desvios (dependendo do contexto em que estiverem), como pessoas honestas e trabalhadores, conscientes de que o mundo é maior do que seus umbigos.
Estou só pensando a respeito, e suspeito que você pense parecido.
Beijo!

Henrique Pimenta disse...

Valdir,

você tem toda a razão. O que desanima aos artistas é a falta de diálogo acerca de suas obras. A crítica literária, mais especificamente, no Brasil é rara e se direciona quando muito aos autores mais conhecidos.
Agradeço, portanto, que se disponha a comentar sobre o meu livrinho. Fique à vontade para, inclusive, detoná-lo.

Ontem, por exemplo, fui a um local onde sou bastante conhecido e lá me disseram que algumas senhoras estão detestando o meu sonetário. É isso, cada um tem o direito de gostar ou odiar, mas eu fico feliz porque os meus versos pelo menos não geram a indiferença.

Ah, tentarei mexer na configuração, conforme você falou.

E nos dê o endereço do seu blog!

Abraço!

Valdir disse...

Pimenta:

Agradeço pela compreensão. Meu blog é o Timblindim. Nele meto o bedelho em tudo (meu ídolo é Leonardo da Vinci). Para um blog independente, tem uma boa audiência (passou do milhão de acessos), mas não pelo que escrevo, e sim, pela cornucópia de fotos, principalmente sobre Botânica, Zoologia e Artes Plásticas.

Publiquei, ontem, postagem que estava engessada há muitos meses, sobre a Poesia pós Semana de 1922 (e que mereceria uma melhor finalização, que vou ficar devendo). Não sou crítico literário (argh!), mas apenas um consumidor de Arte.

Estou terminando o artigo sobre... a Poesia pós Semana (obsessão de um iconoclasta?!) e sobre os seus sonetos e livro. Quero saber se posso transcrever integralmente o poema Varapau (transcrevi já o soneto "Rio", sob CC). Se isto contraria seus planos mercadológicos, entenderei e citarei apenas os últimos 3 versos.

BAR DO BARDO disse...

Valdir,


pode citar o que lhe for necessário, não tenho "pudores" nem "censuras" quanto a isso.
Dei uma vista d'olhos no Timblimdim e vi que realmente ele abarca diversos assuntos. Aos poucos verificarei com calma.
Agradeço pelo mérito de figurar em seu acervo cerebrino.

Recomendo, pois, aos amigos leitores a dar uma passadinha - e quem saber permanecer por lá um bom tempo! - na estação Timblimdim:

http://timblindim.wordpress.com/

Adriana Godoy disse...

É claro que sim, Pimenta. Penso também desse jeito, ainda bem.
Dou aos meus alunos(EJA) a oportunidade de conhecerem textos na língua padrão e mostro a importância até social de dominá-la, mas nunca menosprezei a fala deles. A questão da linguagem é ser adequada ou não adequada a determinado contexto. E por aí se alonga a discussão.

Beijo

BAR DO BARDO disse...

Adriana,

grato pelo retorno apaziguador.
Felicidades lusófonas!

Cássio Amaral disse...

Agente se foi, fumo e vortemos sempre nos seus versos muito bons.

BAR DO BARDO disse...

Cássio,

a gente tentemos, of course.
Greetings!

Marisete Zanon disse...

Cara! Percebi que a turma de alguns anos atrás (quando eu tinha o Estranhos & Anormais) é a mesma! Fiquei tão feliz ao ver que os blogueiros continuam amigos. Muito legal. Não sei se tu vai lembrar de mim, mas sempre vinha ler teus sonetos Sr. Pimenta... Feliz em retornar e ler sonetos ainda melhores!
Um abraço e esmaques pra ti!
Lembrou?rss

BAR DO BARDO disse...

Marisete,

claro que nos lembramos. Bom ver você na rede.
Felicidades!
Beijo!

Menos Inútil disse...

hahaha
né?!

A gente já não é lá tão correto, né?!
A gente VAMOS, então...
Rá!

Abraço.

BAR DO BARDO disse...

Menos,

é a língua que se fala - a que se aprende.

Felicidades, cara!

piligra disse...

Nóis vai sim...

para Henrique Pimenta...

“A gente vai”, não tem pobrema,
Tu fica só como um ninguém,
“A gente vamo” nesse esquema
Eu vou com tu, tu leva alguém...
“Nós vai” na frente e leva o tema,
Dessa conversa e mais além,
Pelo caminho do sistema
Dessa gramática refém...
Tu tá intendendo o que eu digo?
Meus verso chei de fantasia,
Então nóis vai chamar o amigo
O professor que é o nosso guia...
- Se “a gente vai” e corre perigo
Nóis conta tudo em poesia!

ps. disculpa ai meus errus de portugeis!

BAR DO BARDO disse...

Nóis vai sim...

para Henrique Pimenta...

“A gente vai”, não tem pobrema,
Tu fica só como um ninguém,
“A gente vamo” nesse esquema
Eu vou com tu, tu leva alguém...

“Nós vai” na frente e leva o tema,
Dessa conversa e mais além,
Pelo caminho do sistema
Dessa gramática refém...

Tu tá intendendo o que eu digo?
Meus verso chei de fantasia,
Então nóis vai chamar o amigo
O professor que é o nosso guia...

- Se “a gente vai” e corre perigo
Nóis conta tudo em poesia!

ps. disculpa ai meus errus de portugeis!

by Piligra
http://kartei.blogspot.com.br/

Lou Vilela disse...

Sempre bom 'te ler'. Gostei do 'rebuliço'!

Abraço,
Lou

Lou Vilela disse...

Henrique,

Como faço para adquirir um exemplar autografado do livro?

Lou

BAR DO BARDO disse...

Oi, Lou!

A gente causa mesmo!...
Mandei e-mail pra você!

Felicidades!

Ines Mota disse...

Olá, Henrique.
Vendo o poema e a imagem de Pascualli, (que por certo fala o 'bom' português e que por isso se acha no direito de em todo lugar estirar seu dedo para apontar os 'erros' dos outros) eu me reporto a uma questão da disciplina Linguística, que cursei semestre passado, quando comentei o conceito de gramática a seguir: “É uma disciplina, didática por excelência, que tem por finalidade codificar o “uso idiomático”, dele induzido, por classificação e sistematização, as normas que, em determinada época apresentam o ideal da expressão correta” (ROCHA LIMA, 1976, P. 5).:


Trata-se de uma concepção de gramática essencialmente normativa, uma vez que busca instituir um padrão de uso da língua baseado num ideal de correção e não no uso real vigente numa determinada época. O propósito dessa gramática é estabelecer regras que vão determinar o que é “certo” e o que é “errado” em termos de uso da língua, tomando como parâmetro as formas de expressão utilizadas pelas pessoas cultas de uma determinada época. Essa concepção de gramática, que persiste até hoje no ensino de língua em nossas escolas, é herdeira da tradição de estudos filosóficos que se iniciou na Grécia antiga. Tem origem nesses estudos filosóficos o conceito de gramática como a “arte de falar e escrever corretamente a língua”. Não se pode negar a importância da instituição de uma norma ou padrão para o ensino sistemático e regular de gramática na escola, reconhecendo-se, até, que o aprendizado ou não desse padrão tem implicações no desenvolvimento sociocultural dos indivíduos. Ela é lei e deve ser utilizada em contextos adequados. Não obstante isso, critica-se essa concepção de gramática, principalmente pelos seguintes motivos:
1. Porque a norma que ela busca instituir é ideal (e não real), posto que não reflete os padrões gramaticais efetivamente usados por falantes cultos reais, em situações reais de comunicação;
2. A descrição apresentada limita-se a sistematizar as regras gramaticais de uma variedade da língua, considerada como sendo a única correta. Nesse sentido, uma gramática normativa desconsidera as outras variantes (consideradas como incorretas) e, assim, não dá conta da variabilidade de expressões que caracterizam a língua, bem como da necessária adequação dessas expressões aos seus respectivos contextos de uso. Ou seja, por apresentar o ideal da expressão correta, essa gramática não dá conta de todos os usos de uma língua, pois, como tende a regrar, tem a expectativa de um padrão fora do qual se está falando errado.


Adorei o seu poema, bem como o do 'Piligra'
No mais, o importante é que 'a gente vamos", pra onde, que importa?...
Beijos.

BAR DO BARDO disse...

Ines Mota,

agradeço pelas informações.
De forma simplificada, gostaria de dizer apenas que cultuo (ou tento) um padrão linguístico "refinado" para escrever meus sonetinhos: com isso afirmo e confirmo minha fé na educação clássica. Mas fico pê da vida com aqueles que diminuem o valor das variantes linguísticas que, no meu entender, só enriquecem a Língua.
Outro caso é de uma pessoa, por motivos diversos, não ter oportunidade de frequentar uma escola, aí, para mim, vale tudo, que essa pessoa se defenda como puder, e consiga sobreviver.
Como disse, obrigado!
Beijo!