sexta-feira, 15 de junho de 2012

Rio




Rio

Exigem por escambo o que há de imenso,
concedem uma palha pequenina,
a troca não se faz, não mais se opina
e perde-se o sentido: contrassenso.

Há muitas discussões, não há consenso,
preferem seus castelos em ruína
à Terra, a partilhar no que germina:
monólogo, diálogo suspenso.

Suspeito que a mudez não vem da rua,
suspeito que o silêncio tonitrua,
suspeito que Jesus não ressuscite.

Depois de uma ceninha para a grua,
depois do teatrinho, falcatrua,
adeus e gratidão pelo convite.

*** Tiê versus Mallu Magalhães, mais o livro da fera Patricia Highsmith - leitura a dar com pau! -, tudo na semanaonline.
*** "Uncertain times make us susceptible to collective catastrophic thinking — the conditions in which religious movements flourish." - James Atlas
 *** "Si algo es dificil de hacer, entonces no vale la pena hacerlo." - Homer Simpson
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20 comentários:

sandra camurça disse...

Gostei do soneto crítico a Rio+20!
beijos

BAR DO BARDO disse...

valeu, sandra.

eu sou meio vermelho quando o assunto é verde.
beijo!

Valdir disse...

É isso aí, Pimenta!

Na maioria dos países, Governo, de qualquer instância ou ideologia, significa reunião de parasitas querendo sugar cada vez mais os recursos do planeta. Cada elemento da "fraternidade" (ou quadrilha) quer erigir, com o suor de nosotros , um castelo em torno de si, para esconder a sua insignificância e os seus odores putrefatos. Depois de mortos, viram nome de rua: tirem "Rua da Juriti" e coloquem "Rua Hermenolépido Tecristiques McHorror de Goiabeira e Silva".

Bom, confesso que, de minha parte, aquele suor não é malvindo. Pegar no pesado, com braços ou com neurônios, é bom demais! E é afrodisíaco ("Duras labutas, alegres festas", diziam os poloneses). Alguém devia avisar os poderosos de que há vidas alternativas a viver! Onde está a glória de ser um parafuso numa engrenagem?

Puxa, hoje estou escatológico!

byTONHO disse...



RiR + 20!

Ah! ah! ah!

:o)

Nanna disse...

Só quero ver na hora em q acabar td mesmo...mato, água e bicho. Acho q daí sim seremos humanos...

BAR DO BARDO disse...

Valdir,

agradeço pelas escatologias, que foram muito bem articuladas.
É bom que um texto (o soneto) suscite inferências assim.

Abraço!

BAR DO BARDO disse...

Nanna,

vamos fazer a nossa parte - o que não é pouco - e aí quem sabe...
Felicidades!

BAR DO BARDO disse...

Tonho,

que maldade!...
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK...

Adriana Godoy disse...

Bardinho, assino embaixo e tristemente, embora o poema seja ótimo.

Beijo

BAR DO BARDO disse...

Adriana,

grato pela assinatura.
Beijo!

Marcos Satoru Kawanami disse...

Henrique,

Parece loucura do mundo fazer essas encenações. A verdade só existe no Ideal, a matéria é muito mais representação do que verdade.

betina moraes disse...

bardo,

rio maravilha só na TV...

gosto de como você grita com a lira as denúncias que são inadiáveis.


beijo!

BAR DO BARDO disse...

Viva o Ideal,

Marcos!
Abraço!

BAR DO BARDO disse...

betina/eleonora,

fico feliz que a poesia gere poesias e que a leitura gere leituras.
beijo!

Pedra do Sertão disse...

Também encontro "filosofia" em minha leitura aqui.

Abraço do Pedra

BAR DO BARDO disse...

Pedra,

que bom que a filosofia se esparja irrestrita...
Felicidades!

piligra disse...

Meu caro amigo confidente do mistério,
Começo aqui como uma carta este quarteto,
Para narrar com sutileza um despautério:
Minha paixão pela cachaça do soneto...
Bebo na fonte do segredo mais etéreo,
Faço da métrica linguagem e amuleto,
Penso no verso cometendo um adultério
E fecho a porta como quem fecha um terceto...
Entrego o corpo a este desejo enlouquecido,
Um viciado que mergulha todo dia,
Só para ouvir seu gozo louco e reprimido,
No mar sem fim de uma gramática arredia...
- Sou apaixonado pelo verso bem medido,
Por isso eu bebo no soneto a poesia!

BAR DO BARDO disse...

Basta repetir e dar o crédito:

Vício no soneto

Meu caro amigo confidente do mistério,
Começo aqui como uma carta este quarteto,
Para narrar com sutileza um despautério:
Minha paixão pela cachaça do soneto...

Bebo na fonte do segredo mais etéreo,
Faço da métrica linguagem e amuleto,
Penso no verso cometendo um adultério
E fecho a porta como quem fecha um terceto...

Entrego o corpo a este desejo enlouquecido,
Um viciado que mergulha todo dia,
Só para ouvir seu gozo louco e reprimido,
No mar sem fim de uma gramática arredia...

- Sou apaixonado pelo verso bem medido,
Por isso eu bebo no soneto a poesia!


by Piligra
in http://kartei.blogspot.com/

Marcelino disse...

Um sonetista cronista de "responsa" vc!!!

BAR DO BARDO disse...

Marcelino,

o desenrolando lá no Rio (o de Janeiro mesmo), infelizmente, confirma as previsões do soneto. Gostaria mais é de ter errado na macumba.

Abraço!