domingo, 25 de dezembro de 2016

Ao retorno suturado



Ao retorno suturado

Retornem para mim para que eu possa
em desistência resistir a mim.
Revolvam o caído como joça,
ou geringonça de não flor, capim.

Eu peço por seus atos, por seu contra,
convoco seus poderes tão a fim
de fim no meu espírito de montra,
demonstrem que sou pó de botequim.

Enfim, eu sei que vem uma lufada
antes do furacão, mas não são nada
se comparados com o poder cruel

de Parcas suturando compaixão
com linhas de vodu no coração
que um dia aventurei por meu troféu.

*** Seguindo orientação do poeta e tradutor Renato Suttana, tento ritmos diferentes no soneto.
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7 comentários:

Marcos Satoru Kawanami disse...

Henrique,

Teu soneto ficou chique e joiado. Inovou na linguagem também. Gostei.


=)
Marcos

BAR DO BARDO disse...

Obrigado, Marcos! Não chega a ser inovação, mas para mim é revolução.

Jarbas Similevinsk disse...

Belo soneto, com rima e métrica (mesmo porque, do contrário não seria um soneto). Mas, como sempre, não entendi nada, ou quase nada. O ser poético está falando com eventuais críticos? Ou eventuais paracríticos? Ou paralelepípedos?

A incomunicabilidade (ou, de outro ponto de vista, a incompreensão do leitor) parece ser uma característica da literatura atual. Vejo no Facebook que até já inventaram a "oração em línguas" (que reputam milagrosa)! Isto é, fale coisas incompreensíveis para outra pessoa que eventualmente estiver ouvindo, na certeza de que o deus da mitologia babilônico-maniqueu-judaico-islâmico-cristã entenderá a mensagem. Duro será se esse deus responder também em línguas!

Por falar em má leitura, além do caso do Espírito Santo, já espinafrado pelos Testemunhas de Jeová, esse caso das línguas é emblemático. Segundo não-sei-que-livro dos Atos dos Apóstolos, um certo apóstolo, dirigindo-se a uma platéia multilíngua (isto é, composta por pessoas de vários países, ocasionalmente ali reunidas) falava numa determinada língua (talvez hebraico, talvez grego, imagino), e o ouvinte egipcio entendia como se o enunciado fosse em egipcio, o bárbaro como se o enunciado fosse em barbarês, o pigmeu como se o enunciado fosse em pigmeuês, o grego como se o enunciado fosse em grego, e assim por diante. Isto é, alguma entidade divina se encarregava de fazer traduções simultâneas para a plebe ociosa. Mas os leitores modernos entendem que o milagre consistia no fato de o orador falar engrouvinhado, de modo que ninguém entendesse nada! Pô, nesse caso, por Odin, e com mil demônios, onde estaria o milagre?

BAR DO BARDO disse...

Eu só falo um pouquinho em língua brasileira, Jarbas. E, infelizmente, eu não seria a pessoa mais indicada para fazer tradução simultânea de meu soneto. O melhor, creio, é aguardarmos por um novo soneto menos afrescalhado. Tentarei fazer algo assim, sem criptografia. Agradeço mais uma vez pela leitura. Abraço - e um excelente 2017! (Às vezes, suspeito que você seja um agente da CIA... Tu é?! ) - Pimenta

Jarbas Similevinsk disse...

Agente da CIA? Bom, não duvido de nada, desde que os pretensos controladores do planeta começaram (já começaram?!) a implantar chips nos seres humanos (ou humanóides). Talvez eu seja, sem saber, portador de um desses chips. O que seria irônico, pois morro de medo dessas organizações beneficentes que desenvolvem atividades secretas.

Não considero hermético sinônimo de afrescalhado. Respeito a criação alheia (como a tua, e tão rara nesses tempos de zumbis compartilhadores) e torço por ela. Mas queria que teu saite tivesse um milhão de amigos (ou pelo menos mil leitores), pois poderíamos (me incluo aí) fazer brainstorms, como já fizemos tempos atrás. Enquanto isto, os citados zumbis enchem de lixo nossas páginas do facebook...

A despropósito, adquiri um exemplar de Ele Adora a Desgraça Azul. Ando lendo aos poucos, pois não é fácil chegar a alguma conclusão.

BAR DO BARDO disse...

Agradeço novamente, Jarbas (agente "ciático"?)! Por favor, não busque muitas conclusões no que escrevo, ou, por gentileza, procure todas - e todas estão dentro de você. A única dica: tudo que escrevo se refere a mim, ainda que seja um mim de "fingidor". Fico feliz que esteja lendo a desgraça, considero que foi um bom trabalho realizado, apesar de uma gralhinha aqui e outra acolá. Segredo: estou tentando um romance, mas não saio das dez páginas (quem sabe você não figura como um personagem?)... - Pimenta

Jarbas Similevinsk disse...

Acho que toda literatura é um pouco (ou muito) autobiográfica, por mais que o autor disfarce. Disfarce demais, aliás, denuncia demais, como no caso de um certo poeta matogrossense com fama imerecida.

Tente uma novela. Menos personagens, mais fácil desenvolver bem o enredo sem "se perder". Um heterônimo meu tem uma novela por aí, algo falando de desatinos e desenganos, ou coisa semelhante. Aliás, nem sei se aquilo lá é literatura; e tenho medo de perguntar aos entendidos.

Autores não são bons personagens: complexos (ou complicados) demais... Poderiam dar, quando muito, um conto (talvez dividido em capítulos curtos). Mas não caia na besteira de simplificar demais nem na de criar superpoderes para algum personagem. Estamos, nós leitores, com o saco cheio de tantos super-herois. Sendo humanos, nós leitores queremos nos identificar com outros seres humanos, e não com alienígenas ou "seres superiores". Bom, pelo menos isto está no estatuto do Clube dos Leitores Jarbescos...