sábado, 24 de junho de 2017

Um cálice de vinho, ou dois


Um cálice de vinho, ou dois

Um cálice de vinho pra acalmar
o fogo que há no espírito de quem
deseja ardentemente por alguém
a fim de uma conversa à beira-mar.

E caso na conversa não rolar
ao menos um possível “É, quem sabe?”,
um cálice depois é o que lhes cabe,
enfim, educação que vem do lar.

Depois de detonar uma garrafa,
um garrafão, barril, tonel (abafa!),
Fernando de Noronha é paraíso.

Os dois vão vomitando para o quarto,
alinham-se às estrelas feito um parto
de luz na madrugada sem juízo.

*** img: previews.123rf.com
Share |

4 comentários:

Marcos Satoru Kawanami disse...

No terceiro verso, ficou confusa a regência do verbo desejar.

BAR DO BARDO disse...

É o kaos. Entende?

Jarbas Similevinsk disse...

Dois sem juizo na madrugada, entende-se perfeitamente.

Não consegui visualizar dois corpos alinhando-se às estrelas. Seria em posição de vômito, com pés e mãos no chão e corpos arqueados como a abóboda celeste? Seria o vômito um "parto de luz" ao reflexo das estrelas?

BAR DO BARDO disse...

É uma escatologia cintilante, Jarbas. Matéria de poesia.