domingo, 30 de julho de 2017

do querer





do querer

querias ferimento contundente
efeito de arma branca perfurante
cortante perfurocortante dente
a lâmina com sangue cintilante

querias que eu me desse que descesse
degraus e mais degraus por uma ascese
distante e diferente de interesse
recôndito um abismo que se preze

durante esse processo de quereres
percebo que não sou porque há só seres
no breu tremeluzindo o que não são

esplêndido senti meu coração
e mesmo que eu me fira se me feres
eu quero o que tu queres se quiseres

*** img -  http://thegraphicsfairy.com
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6 comentários:

Luiza Maciel Nogueira disse...

Gostei demais desse soneto. Querer é um verbo complexo de poetizar hoje em dia.

Marcos Satoru Kawanami disse...

Jogo de palavras espetacular, esse soneto é daqueles que se guarda para publicar em livro.

abraço

Marcelino disse...

De acordo: vale um livro. Muito bem feito esse poema, forma e conteúdo em grande sintonia.

BAR DO BARDO disse...

Luiza Maciel Nogueira, obrigado!

Felicidades!

BAR DO BARDO disse...

Marcos, guardarei.

Obrigado!

BAR DO BARDO disse...

Marcelino, agradeço.

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