sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Por que escrevo



Por que escrevo

Anacoreta, com treta de estertor,
um artista que encanta com careta,
um triste contador de historieta,
escrevo para ser um escritor.

Um especulador especular,
no lar do meu estilo de estilete,
eu corto o que é da carne, cacoete
que trago de meus cacos, secular.

Cavacos, tropeçando na certeza,
reconfiguro o sumo sacerdócio,
pontífice de Empíreo, de malvaz.

Escrevo porque tenho a cera tesa,
escrevo porque acendo o ser indócil,
aos cacos, aos cavacos, pacovás.

*** A foto revela o processo de composição de um soneto bagaça.
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6 comentários:

Marcos Satoru Kawanami disse...

Chique e joiado.

Jarbas Similevinsk disse...

Entendi o poema. Eu também ando escrevendo, e muito. Estou no capítulo 12 de um livro que perpetra a história de Campo Grande num determinado período. Ou o que se pode deduzir como história espremendo a mídia da época. Ou seja, tentando achar a realidade dentro de um baú de mentiras, meias-verdades, fakenews e até, extrema surpresa, algumas verdades vazadas por descuido.

Escritor, ao meu ver, é aquele indivíduo preparado academicamente (muita leitura) que tem algo a dizer. Nem que seja a sua angústia por não ter nada que dizer (tipo Manoel de Barros, Paulo Leminski, Carlos Drummond de Andrade e outros).

Quanto ao teu poema, também achei chique e joiado, tal qual o Marcos Satoru. Obrigado por descer de vez em quando do Olimpo, chegando um pouco mais perto de nós, simples mortais, gente do rés do chão, que não enxerga nada que esteja mais alto do que o seu boné!...

Leo Lamarão disse...

escrever ou não, eis a questão..

BAR DO BARDO disse...

Valeu, Marcos.

BAR DO BARDO disse...

Jarbas, não tenho mais a pretensão de ser compreensível. Desisti. Sou um perdedor. Desejo sorte em seus escritos! Abraço!

BAR DO BARDO disse...

Leo, melhor não!