quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

À cobiça




À cobiça

Decerto que desejo, que cobiço,
que é bela, que é perfeita para mim,
que cabe no meu colo de mestiço,
que é branca feito cera, feito fim.

Desejo de cuidar, de compromisso,
de escravo corajoso, bem assim:
joelhos para a santa do catiço,
negrume que se encanta a seu marfim.

Cobiça por ingênua feiticeira,
por gelo que chamusca, que repele
apelos ao que quero, que me queira.

Querendo, distancio-me, que expele
seu fogo a frialdade de uma freira,
irmã de meu amor, na minha pele.

*** Img - detalhe de "Êxtase de Santa Teresa", de Bernini.
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2 comentários:

Marcos Satoru Kawanami disse...

Os teus sonetos são os mais sonoros que eu já vi. Os melhores.

BAR DO BARDO disse...

Agradeço pela sinestesia, Marcos! Roubo sempre coisas do Gregório e de pessoal (bem) mais antigo (que ele), que sou um homem velho, muito velho.

Abraço do ancião!