terça-feira, 22 de abril de 2014

Paina



Paina

Por paina, por um ah, por um suspiro,
se mata por um cisco, por um nada.
A morte por tão pouco, dá-se um tiro;
ou vai-se de arma branca, uma facada;

uma injeção letal, feito um vampiro,
vampiro que inocula a definhada
poção para abismar-se no retiro
do Cão. Uma paixão disseminada

no morro carioca, no galpão
gaúcho, na Finlândia, Palestina,
nas praias de Macau, qualquer grotão,

por breve sensação, por, por, enfim,
por nada, por nadica, a medicina
avessa, que não cura, não tem fim.

*** 
Share |

12 comentários:

Marcos Satoru Kawanami disse...

Boa.

lidioselenense disse...

É realmente uma medicina às avessas, que ao invés de curar certas disfunções do corpo humano, nele as infiltra (nesse caso, disfunção como eufemismo).

Um belo soneto.

BAR DO BARDO disse...

flw, msk

BAR DO BARDO disse...

vlw, lidioselenense

Reflexos Espelhando Espalhando Amig disse...

Bom dia!
E puxa...
Bjins
Catiaho Alc.

BAR DO BARDO disse...

Grato, Catiaho!

Jarbas Similevinsk disse...

Gostei, Pimenta.

A despropósito, descobri uma composição musical para mim lindíssima, no linque: http://youtu.be/rSo9FxxNg7E . O nome é instigante: "Meio Bach, Meio Boi". Do brasiliense Geraldo Toledo, do grupo Ciartcum.

Cássio Amaral disse...

a cura é seu verso em movimento.

BAR DO BARDO disse...

... vi o vídeo meio boi, interessante...

Abç, Jarbas!

BAR DO BARDO disse...

cura cu
ura

Marcelino disse...

Oportuno, atual, bonito.

BAR DO BARDO disse...

Abraço, Marcelino!