Mostrando postagens com marcador dístico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dístico. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

D'oftalma fome




D'oftalma fome


1.
Só mais um cupom -
repito meia palmito,
meia champignon.


2.
Num restaurante vegan:
"Aqui, até as moscas são verdes!"


3 (vírgula alguma coisa).
Carne? Nem a pau!
Uma salada completa,
arroz integral.


4.
Sou leve.
Como uma paina.


5.
Não se prenda à grana,
porque é mato - cama;
alimento - prana.



6 (seis).
Em busca de proteína,
meus lábios na mina.


7.
No meio de vossas vagas,
é de se beber com os olhos
o que vos brota aos abrolhos,
o doce das águas.


8.
Tua greve de fome
por minha greve de ti...
As duas persistirão
por sessenta segundos -
cravados!


***
Share |

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Amor é dúvida?

 
18 octobre 1936 - par bwiti


AMOR É DÚVIDA?

Amor é dividir por dois a dúvida.
Amor é duvidar a dois da dívida.

. . .


Ao fim a pevide
(licença devida!)
em um se divide:
amor, morte e vida.

. . .


A mesma dúvida

Amor é dúvida, não é?
Amor é frêmito no peito,
Amor é freio, por despeito,
Cardiopatia, porque é.

Amor é dívida de fé!
Amor aposta no malfeito,
É não ter fôlego direito,
É travessia sem dar pé.

Amor motiva, mas deprime.
É estar aqui, mas nem  aí.
É como um filho com tumor.

Amor liberta pelo crime
Que se executa contra si.
Mas o que é mesmo o tal amor?...

. . .


Elegia à eleita

Distante. Negligente, porventura.
Nem sei o que depor, uma tortura.

Tortura para dois, nos aparelha,
Partilha de pesar para a parelha.

Se primo pelo sol, por que evolua
A pedra do meu peito para lua,

Me cego para ti? Porque não vejo,
Desejo o que não vi nem antevejo?

Eleita, nesse mundo o que acontece
É malha de armadilhas que se tece

Por mãos de uma caquética sincrônica,
Compósito de fábula com crônica,

É caos contemporâneo, nativista,
Sereias de cilício, mar à vista,

Timbós e catimbós, misericórdia!,
E o mais é conterrâneo da discórdia.

Voltando ao que te elege, pois, eleita,
Nomeio-te febril pela maleita:

Aumenta a têmpera que tens, amor,
Gradua para cima, mais tremor...


*** O amor, enquanto mesmo, não se trata de uma figura de retórica. Sim?
Share |